Guaratinguetá é um município brasileiro do estado de São Paulo, sede da Região Geográfica Imediata de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, uma das subsedes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte e um dos polos sub-regionais do Brasil. Possuía habitantes, segundo o censo de 2022. Sua microrregião vive um processo de urbanização e foi elevada a Região Metropolitana.
O município é um dos mais importantes do Vale do Paraíba, possuindo importância turística, industrial e comercial. É um importante centro de comércio e prestação de serviços da região do fundo do Vale do Paraíba, atraindo pessoas dos municípios vizinhos e do sul de Minas Gerais. É também a segunda maior economia e um dos maiores municípios da região em relação à população. Além disso, possui o melhor índice de distribuição de renda de sua região e baixos índices de criminalidade. Destaca-se, também, por ser um dos mais industrializados da região e por ter sido pioneiro nessa atividade econômica.Monografia: Guaratinguetá através dos séculos, nº211, 2001, Museu Frei Galvão, MAIA, Thereza, e MAIA, TomGuaratinguetá, JÚNIOR, Ferreira, 1962, Gráfica Frei Galvão, Indústrias da Cidade, pág 92 Ele abriga o maior complexo químico da América Latina, a BASF. Apesar de a indústria dar destaque ao município, este não é o setor econômico que mais emprega no município, e sim os de comércio e serviços.
O município ganha destaque por ser um importante ponto turístico de caráter religioso, juntamente com o município vizinho de Aparecida. Juntos, movimentam grande quantidade de turistas durante o ano. Guaratinguetá, juntamente com os municípios vizinhos Aparecida e Cachoeira Paulista, desenvolveu o Circuito da Fé, na tentativa de ampliar seu setor turístico.Sugestões de roteiros: Circuito Turístico Religioso (Aparecida, Cachoeira Paulista e Guaratinguetá), SEBRAE SP, 2008 O turismo também vem se diversificando com o passar do tempo, e o município hoje apresenta também roteiros turísticos urbanos, históricos e ecológicos.
O município é recortado pela Rodovia Presidente Dutra, sendo esta responsável pela recuperação econômica de todo o Vale do Paraíba; é recortado também por rodovias como a SP-171, que liga Guaratinguetá ao município de Cunha; a SP-62, que liga o município a Lorena; e a BR-459, que parte de Lorena, ligando o município ao sul de Minas Gerais, entre outras.
É conhecido na região pela tradição da comemoração do carnaval, iniciada pela tradição portuguesa do entrudo. Atualmente, o município possui desfiles de escolas de samba e blocos carnavalescos.
Toponímia
thumb|esquerda|Do tupi gûyratinga, garça, + etá, muitos (literalmente "numerosos", pois etá é um adjetivo em tupi), formando o que na gramática do tupi é conhecido como uma composição atributiva. Essas composições não ensejam a inversão dos termos da composição. Gûyratinga, por sua vez, é outra composição atributiva: gûyrá, pássaro, ting, branco, -a, sufixo substantivador. De origem tupi, a palavra "Guaratinguetá" significa "muitas garças", pela junção de gûyrá, pássaro, ting, branco (garça: literalmente, "pássaro branco"), e etá, muitos.NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 30. Recebeu esse nome pela grande quantidade de garças existente nos domínios do município.
Apelidos Guaratinguetá, durante sua existência, recebeu diversos apelidos, tais como:
Capital do Fundo do Vale É como é chamado na sua região, por ser um importante polo comercial e industrial, abastecendo comercialmente municípios vizinhos e do sul de Minas. Além disso, o município é um dos maiores da região, tanto em população como em importância econômica. O alto indicador social também contribuiu para tal título.
Atenas do Vale do ParaíbaMonografia: Guaratinguetá Atenas do Vale do Paraíba, nº246, 2004, Museu Frei Galvão, PASIN, José Luiz. esquerda|miniaturadaimagem|299x299px|Monumento às Três Garças. Foi o título dado ao município principalmente ente 1920 e 1960, por causa da instalação da Escola Normal, na época uma das poucas do interior do Brasil. Com isso, outras instituições de ensino se instalaram no município, atraindo professores e estudantes. Outro fator que influenciou esse apelido foi a grande quantidade de eventos culturais que havia na época na cidade, como: o Clube Literário, as serenatas, cabarés, o Centro Social, os grêmios, hipódromos, teatros e cinemas.
Cultura É como Guaratinguetá é conhecido por muitos. Por ser o município mais velho do Vale do Paraíba e terra natal de muitas personalidades artísticas, como Dilermando Reis e Bonfiglio de Oliveira, Guaratinguetá é considerado o município mais rico em cultura na região.
Guará Como o nome do município é grande, os moradores preferem, muitas vezes, utilizar-se de sua abreviatura "Guará". O que, muitas vezes, gera confusão com o município de Guará, no nordeste do estado.
Garça do Vale Apelido dado a Guaratinguetá pela grande quantidade de garças brancas no município. Hoje, esse apelido também está ligado ao time de futebol do município.
História
Séculos XVI, XVII e XVIII Na época da chegada dos europeus ao Brasil, em 1500, a região do Vale do Paraíba Paulista, onde Guaratinguetá se situa, era habitada por indígenas guaianás, guaramomis, tamoios e puris.
A área vale-paraibana paulista foi ocupada por colonos e bandeirantes vindos do Planalto de Piratininga no final do século XVI e início do século XVII. Esses colonizadores se fixaram em busca de terras férteis para a agricultura e indígenas para escravizar e fundaram povoações que dariam origem a cidades, como Guaratinguetá, Taubaté e Jacareí.http://web.archive.org/web/20150413200537/http://www.iranilima.com/2013/12/resumo-da-historia-se-taubate_4976.html
Em 13 de junho de 1630, dia de Santo Antônio, o bandeirante Jaques Félix ergueu uma capela de pau-a-pique coberta de sapé em louvor a esse santo, em terreno alto, no local da atual matriz de Guaratinguetá, surgindo assim a povoação com o mesmo nome da cidade atual, elevada à categoria de vila em 13 de fevereiro de 1651, com o nome de Santo Antônio de Guaratinguetá, por iniciativa do Capitão Domingos Luís Leme.
O traçado do povoado e posteriormente vila apresentava uma característica muito peculiar. A matriz fora construída em um terreno alto e irregular, o que exigiu que a praça principal, tipicamente posta em frente ao templo, precisasse ser construída em outro ponto, na praça atualmente denominada Conselheiro Rodrigues Alves, ali abrigando a Casa da Câmara e Cadeia e o pelourinho. A divisão do traçado urbano em duas praças deu um aspecto diferenciado a Guaratinguetá, em que a praça de baixo concentrava o comércio e a administração e a praça alta era restrita ao templo.
Segundo o viajante português Augusto Emílio Zaluar, em sua passagem pela Província de São Paulo em meados do século XIX:O capitão Domingos Leme foi o fundador desta vila, na qual tendo levantado pelourinho por ordem do capitão-mor ouvidor Dionísio da Costa, em nome do donatário D. Diogo de Faro e Sousa, a 13 de fevereiro de 1651, lhe fez as justiças em 5 de julho de 1656 o capitão-mor ouvidor em nome do donatário Luís Carneiro, conde da Ilha do Príncipe.”ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. 237 p. ( Biblioteca histórica paulista, 2 )A cidade ganhou importância estratégica, por estar nos caminhos que ligavam a Minas Gerais e ao Rio de Janeiro. No início do século XVIII, foram estabelecidos dois postos de pedágio nas margens do Rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, de onde se cobravam impostos para viajantes e mercadorias que circulavam pela região. Em 1788, a arrecadação desses pedágios era a segunda maior de toda a Capitania de São Paulo, perdendo apenas para os pedágios de Curitiba, por onde passavam as tropas e mulas vindas do sul do país. Além disso, a vila se destacava por abastecer as jazidas de Minas Gerais.
Em 1717, nas proximidades do município, onde hoje é o município de Aparecida (emancipada de Guaratinguetá em 1928), três pescadores encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do Rio Paraíba do Sul, assim nascendo a devoção a Nossa Senhora Aparecida, que se tornaria a padroeira do Brasil. Em 1739, nasceu, na vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, Antônio de Sant’Ana Galvão (1739-1822), o Frei Galvão, aquele que, em 1998, se tornaria o primeiro santo brasileiro. Nesse século, novos templos religiosos se ergueram na cidade, como é o caso da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (demolida em 1935).
Até meados para final do século XVIII, a economia local era baseada na agricultura de subsistência, de gêneros como milho, feijão, arroz e mandioca.
No final do século XVIII, Guaratinguetá perdeu uma grande parte de seu território, com a emancipação do município de Cunha. Ainda assim, a economia do município começou a se desenvolver, junto com o plantio da cana-de-açúcar, que passou a ser a principal fonte de renda de Guaratinguetá. Por consequência, Guaratinguetá se tornou uma das principais vilas da Capitania de São Paulo.
Século XIX miniaturadaimagem|327x327px|Vista de Guaratinguetá em 1835 (1942), de José Canella Filho. Acervo do Museu do Ipiranga. No início do século XIX, a vila recebeu a visita de viajantes que passavam pelo Brasil, como von Spix e von Martius (1817) e Saint-Hilaire (1822).
Às portas da cidade, havia uma figueira monumental, plantada por tropeiros, cuja sombra poderia abrigar uma porção de cavaleiros. Em 1860, em seu tronco, podia-se ver (a altura de 3 homens) entalhada a assinatura de D. Pedro I, que passara por Guaratinguetá em 11 de julho de 1822, a caminho do Ipiranga para proclamar a independência do Brasil, e se hospedara na casa do capitão-mor Manuel José de Melo.
Em 1844, a vila de Santo Antônio de Guaratinguetá foi elevada à categoria de vila, com o nome Guaratinguetá e, em 1852, se tornou comarca. Em 1848, nasceu, nesse município, Francisco de Paula Rodrigues Alves, que seria governador do estado de São Paulo por mais de um mandato e presidente da República.
O café foi introduzido em Guará nas primeiras décadas do século XIX, logo se tornando a principal atividade econômica da vila. No entanto, a vila manteve uma produção agrícola mais diversa que outras vilas vale-paraibanas, conciliando o cultivo do grão com o de cana-de-açúcar, feijão, milho, arroz, algodão, fumo e mandioca. Em 1854, a produção cafeeira da cidade atingiu 100,8 mil arrobas. Para trabalhar nas lavouras cafeeiras, foram trazidos negros escravizados, os quais, no censo de 1872, representavam 21% da população da vila.
Junto com o progresso do café, veio à vila o desenvolvimento econômico, político, social e urbano.
Em 1860, a cidade de 34 mil habitantes era acessada da estrada por uma viela estreita e tortuosa, povoada por casebres. A partir dela, passava-se por uma calçada ladeirenta e pedregosa, para chegar a uma "praça de aspecto desolador", mesmo aspecto que tinham as ruas, as praças e os largos. Bois, vacas, carneiros e porcos se alimentavam tranquilamente nas praças públicas com o que sobrava do último mercado.