thumb|290px|Distribuição geográfica dos sâmis thumb|290px|Trajes sâmis tradicionais (Samediggi de Noruega)
O povo lapão, conhecido atualmente como povo Sámi (em sámi do Norte: sápmelaš, 15px PRONÚNCIA; em finlandês: saamelainen; em sueco e norueguês: same; em russo: саамы) - constitui o grupo étnico nativo da Lapónia, ou Lapônia, (Sápmi; literalmente: "Terra dos Sámi"), um território abrangendo partes das regiões setentrionais da Noruega, Suécia, Finlândia e da península de Kola, na Rússia. Habitam zonas montanhosas (fjäll), zonas florestais, zonas costeiras, zonas geladas de tundra, e fiordes noruegueses.
Os sâmis são um dos maiores povos indígenas da Europa, totalizando cerca de 70,000 pessoas, das quais 17,000 vivem na Suécia, 35,000 na Noruega, 5,700 na Finlândia e 2,000 na Rússia.Enciclopédia Nacional Sueca - Lapõeshttp://finland.fi/Public/default.aspx?contentid=260949&nodeid=41800&culture=pt-PT
Falam um grupo de dez variedades linguísticas distintas denominadas genericamente como apenas sámi ou lapão, pertencente à família das línguas fino-úgricas (do grupo linguístico raro no qual se encontram o finlandês e o húngaro).
Destas, seis possuem sua própria norma escrita.Karlsson, Fred (2008). An Essential Finnish Grammar. Abingdon-on-Thames, Oxfordshire: Routledge, 1. ISBN 978-0-415-43914-5. As línguas sámi têm um alto grau de parentesco, mas não são mutuamente inteligíveis. Por exemplo, falantes do sámi do sul não compreendem o sámi do norte. Inicialmente, referiam-se estas distintas línguas como "dialetos", mas, hoje em dia, considera-se esta terminologia incorreta, devido às grandes diferenças entre as variedades. A maior parte destas línguas é falada em mais dum país, devido ao facto das fronteiras linguísticas não corresponderem às fronteiras nacionais.
As atividades tradicionais dos sámis são a caça, pesca, agricultura e criação de renas. Esta última implica por vezes uma vida nómada, conduzida por uma minoria. Todavia, hoje em dia a maior parte deste povo tem uma vida sedentária.
A primeira descrição relativamente objetiva da vida dos sámis aparece no livro Lapponia de Johannes Schefferus publicado em 1673 na Alemanha, e traduzido 300 anos depois para sueco em 1956.
História Os vestígios mais antigos da presença humana na "Terra dos Lapões" (Sápmi) datam de a.C. Os achados feitos no Norte da Suécia testemunham a presença de uma população que subsistia graças à caça de renas selvagens e à pesca do salmão. As suas habitações eram tendas móveis feitas de peles de animais.
Referências históricas 98 - O historiador romano Tácito refere na sua obra Germania um povo pelo nome de fenos (fenni), uma latinização de um termo ainda usado na Noruega. Segundo ele, este povo não cultivava a terra, mas comia o que a Natureza dava. Usavam roupas feitas de peles e dormiam no chão. 150 - O geógrafo grego Ptolomeu menciona um povo pelo nome finos (finnoi), como um dos 7 povos da ilha de Escândia. 550 - O historiador bizantino Procópio informa que os escritifinos (skrithifinnoi) eram o único povo selvagem de Thule. 551 - O historiador godo Jordanes escreve na sua obra Gética que os finos (finni) habitam o extremo norte da ilha de Escandza. E aponta ainda que eles e os sueãs (suíones) negociavam peles, que depois eram vendidas no Império Romano.
História genética
Os povos sámi contemporâneos possuem uma herança genética composta por duas principais linhagens: uma materna, mais antiga, e uma paterna, mais recente. Embora a linhagem paterna tenha sido amplamente estudada, ainda há muito a ser explorado sobre a linhagem materna e as interações genéticas entre essas duas linhagens. Fenotipicamente, os sámi apresentam características distintas, moldadas por sua adaptação ao ambiente ártico e sua história genética única
Sabemos hoje, que homens portadores do cromossoma Y do grupo N1c, com a mutação N1c-L026, parecem ter chegado à Finlândia, vindos do Sul dos Montes Urais, na Rússia, há cerca de 4 000 anos. Aproximadamente mil anos mais tarde, começaram a migrar para o norte da Escandinávia. Então encontraram e misturaram-se com homens noruegueses, suecos e finlandeses portadores do cromossoma Y dos grupos I1, R1a e R1b.
Isto é, os pais ancestrais dos atuais lapões chegaram à Lapónia, vindos de várias regiões – do Sul da Finlândia, do centro da Suécia e do Leste da Noruega. Num estudo de 2004, sobre o cromossoma Y de 127 homens lapões, 47% pertenciam ao grupo N1c, 26% ao grupo I1, 11% ao grupo R1a e 4% ao grupo R1b. Por outras palavras, os lapões não são, do ponto de vista genético, fundamentalmente diferentes dos outros escandinavos.
Nos tempos pré-históricos, não existiam os atuais estados nacionais. As populações da Escandinávia interagiam umas com as outras sem atritos de maior. Com o advento da Idade Média, surgiram os estados nacionais – cristãos e nacionalistas. Os lapões – pagãos e nómadas – ficaram de fora da corrente dos tempos. Os reinos nórdicos começaram ofensivas contra os lapões baseadas na intolerância religiosa e na cobiça pelos recursos geográficos e naturais dos vastos territórios em que habitavam os Lapões.
Hoje em dia, os Lapões são considerados juridicamente um povo indígena da Suécia, Noruega e Finlândia. A Convenção sobre os Povos Indígenas e Tribais de 1989 foi assinada pela Noruega, mas não pela Finlândia nem pela Suécia.
Lapões notáveis Mari Boine - cantora da Noruega Börje Salming - jogador de hóquei no gelo da Suécia Enok Sarri - clarividente da Suécia Lars Levi Læstadius - pastor da Suécia Helga Pedersen - política da Noruega Renée Zellweger - atriz dos Estados Unidos Ole Henrik Magga - linguista da Noruega
Galeria
Ver também Línguas lapônicas Lapónia
Bibliografia
Ligações externas
Sami, o povo indígena da Noruega: língua oficial, Parlamento e muito mais Saami Mitochondrial DNA Reveals Deep Maternal Lineage Clusters, Delghandi 1998 The Western and Eastern Roots of the Saami—the Story of Genetic “Outliers” Told by Mitochondrial DNA and Y Chromosomes, Tambets 2004 Saami and Berbers—An Unexpected Mitochondrial DNA Link, Achilli 2005 A recent genetic link between Sami and the Volga-Ural region of Russia, Ingman 2006