António de Orleães e Bragança (Paris, 9 de agosto de 1881 — Edmonton, 29 de novembro de 1918), cognominado "o Príncipe Soldado", foi um príncipe, piloto e militar brasileiro, filho mais novo da Princesa Isabel e do príncipe Gastão, Conde d’Eu, que serviu como piloto de avião durante a Primeira Guerra Mundial.

Nascido em Paris, em 1881, com a presença de todo o corpo diplomático brasileiro, D. António era o último neto de D. Pedro II. O príncipe era chamava afetuosamente de "Totó" ou “Totone” por sua família. Exilado do Brasil aos oito anos de idade, nunca mais reviu seu país. Foi educado entre Paris e Viena, vindo a servir como tenente dos hussardos do exército austro-húngaro, atividade que exerceu de 1908 a 1914. Junto a seu irmão, o príncipe Luís, viajaram pelos Estados Unidos, Rússia, Índia, Ceilão, Terra Santa, entre outros lugares.

Com o início da Primeiro Guerra, o príncipe se recusa a lutar contra a França, que considera seu segundo país. Contudo, uma lei excluía qualquer príncipe de casa anteriormente reinante no país de se alistar no exército francês. Com a permissão do primo, o rei Jorge V do Reino Unido, se alistou como membro da Canadian Cavalry Brigade e, depois, se tornou capitão dos Royal Canadian Dragoons, lutando pelos Aliados sob o comando do Gen. Frank Seely.Malatian, Teresa. O Príncipe Soldado: a curta e empolgante vida de D. Antonio de Orleans e Bragança, Linotipo Digital, 2018.

Faleceu em acidente de avião após o armistício, em 29 de novembro de 1918, em Edmonton, subúrbio de Londres, recebendo postumamente a Legião de Honra. Sarcástico, irônico, e apesar de um temperamento sedutor, o príncipe nunca se casou e não teve descendentes.

Nascimento e infância thumb|left|219x219px|António brincando com seus dois irmãos mais velhos, Pedro e Luís. António nasceu às 7h da manhã do dia 9 de agosto de 1881 na residência de seus pais, localizada na "Rue de la Faisanderie", em Paris, França, durante uma viagem que seus pais, a Princesa Isabel e o príncipe Gastão, Conde d'Eu, fizeram em 1881, para tratar da saúde de seu filho mais velho, o Príncipe do Grão-Pará. A seu nascimento compareceu todo o corpo diplomático brasileiro na França. Sua mãe era a filha mais velha e herdeira do imperador Pedro II do Brasil, enquanto seu pai era neto do último rei dos franceses, Luís Filipe I.Relatório do Ano de 1881. Apresentado a Assembleia Geral Legislativa na 1ª Sessão da Legislatura. (Publicado em 1888), Pág. 6.

Foi batizado no dia 27 de agosto no oratório particular da residência de seus pais em Paris, pelo Monsenhor André Sisson. O príncipe recebeu o nome de António Gastão Filipe Francisco de Assis Maria Miguel Gabriel Rafael Gonzaga. Foram seus padrinhos o príncipe Antônio, Duque de Montpensier e Francisca, Princesa de Joinville.

O príncipe e seus pais voltaram rapidamente ao Brasil e Antônio passou os primeiros anos de sua vida na região de Petrópolis, com seu avô, o imperador D. Pedro II, e o restante da família imperial. Ainda na infância o príncipe, junto a seus irmãos, os príncipes Pedro e Luís, publicavam um jornal abolicionista no Palácio de Petrópolis, no auge da campanha abolicionista.Carvalho 2007, p. 235.

Educação e juventude Na companhia de seus dois irmãos mais velhos, os príncipes Pedro e Luís, D. António recebe uma educação cuidadosa, ministrada por uma multidão de preceptores escolhidos pelo imperador e supervisionados pelo Barão Ramiz Galvão.Barman, pág. 229 Sua educação incluía escrita, leitura, história, geografia, ciências naturais, desenho, aritmética, álgebra e linguística, em português, francês, e alemão.

Depois que seu avô foi deposto por um golpe militar em 15 de novembro de 1889, o príncipe, então com 8 anos, teve que deixar o seu país e seguir a sua família no exílio, primeiro em Portugal e Espanha, depois na Normandia.Carvalho 2007, p. 235. É nesta região, e mais particularmente no Castelo d'Eu, comprado pelo pai ao Conde de Paris, que o príncipe passa a maior parte da vida."Nº 30234" . The London Gazette (4º suplemento). 16 de agosto de 1917. p. 8393esquerda|miniaturadaimagem|António na juventude.Ele continuou seus estudos em Paris e na Academia Militar Teresiana em Wiener Neustadt, Áustria. Seu pai, o Conde d'Eu, preferia vê-lo alistado no exército francês, mas ele foi impedido de ingressar por uma lei que excluía os membros das casas antes governantes no país de servir nas forças armadas nacionais. Depois de se formar, ele serviu como tenente nos hussardos do exército austro-húngaro entre 1908 e 1914, como seus dois irmãos, serviu ao imperador Francisco José I em várias ocasiões.

Primeira Guerra Mundial

Em 1914, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o príncipe deixou o exército austro-húngaro porque se recusou a lutar contra a França, que considerava seu segundo país. Como seu irmão Luís, o príncipe Antônio solicitou permissão ao rei Jorge V do Reino Unido para ingressar em seu exército, o que foi autorizado a fazê-lo.A London Gazette. 1 de agosto de 1916. p. 7573.

Ele foi comissionado como tenente no Royal Canadian Dragons, onde serviu anexado ao Royal Flying Corps como oficial de inteligência. Ele foi promovido a capitão em 1916, e foi premiado com a Cruz Militar em 1917.The London Gazette (4o suplemento). 16 de agosto de 1917. p. 8393. Ele foi ajudante de campo do comandante da Brigada de Cavalaria Canadense, o Brigadeiro-General John Seely, de fevereiro de 1917The London Gazette. 23 March 1917. p. 2860. até maio de 1918,The London Gazette (Supplement). 26 June 1918. p. 7542. e depois foi destacado para o serviço no Escritório de Guerra em julho.The London Gazette (5th supplement). 4 October 1918. p. 11700.

Morte O príncipe conseguiu passar a Primeira Guerra Mundial sem se ferir, mas três dias depois de ser assinado o Armistício, ele sofre um acidente após seu avião se chocar com fios elétricos em Edmonton. O príncipe é socorrido mas acaba não resistindo aos ferimentos e morre alguns dias depois no Hospital Militar de Edmonton.Burke's Royal Families of the World, Volume 1: Europe & Latin America. London: Burke's Peerage. p. 51. ISBN 0-85011-023-8.thumb|228x228px|Túmulo do príncipe António Gastão no Mausoléu dos Orléans, na França.Ele foi sepultado na Capela Real de Dreux, na França.

Títulos e honrarias Títulos e estilos 9 de agosto de 1881 — 26 de abril de 1909: Sua Alteza o Príncipe António do Brasil 26 de abril de 1909 — 29 de novembro de 1918: Sua Alteza Real o Príncipe António do Brasil, Príncipe de Orleães e Bragança Honrarias

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