Pidgeon Pagonis (Chicago, 1986) atua como ativista, na escrita, artista intersexo estadunidense. Referência na luta pelos direitos humanos intersexo e contra intervenções médicas intersexo não consensuais.

Primeiros anos Pagonis nasceu em 1986 em Chicago, Illinois, e tem ascendência mexicana e grega. Quando criança, Pagonis, uma pessoa queer e não binária que usa pronomes neutros do inglês they/them, descobriu que estava com síndrome de insensibilidade androgênica (SIA). Embora não tenha recebido a informação sobre essa variação intersexo, sua definição como mulher ao nascer, definiu que estava com câncer de ovário (quando, na verdade, tinham testículos internos e nenhum ovário), passando por uma série de cirurgias cosméticas para remover seções de sua genitália, que seus médicos justificaram como sendo necessárias para facilitar "relacionamentos sexuais com homens".

Pagonis aprendeu sobre traços intersexuais durante seu primeiro ano na faculdade, enquanto assistia a uma palestra na Universidade DePaul . Posteriormente, acessou seus próprios registros médicos e descobriu a verdade sobre sua variação. Em 2020, descobriu que seu diagnóstico de SIA estava incorreto e que têm outra variação intersexual conhecida como NR-5A1, como seus baixos níveis de estrogênio e osteopenia podem ter indicado.

Pagonis se formou na DePaul com bacharel e mestre em estudos de mulheres e gênero.

Ativismo intersexo Pagonis juntou-se à organização de advocacia interACT alguns anos depois de descobrir que era intersexo. Fez parte da coordenação de liderança do programa para jovens no interACT. Em 2013, Pagonis testemunhou com Mauro Cabral, Natasha Jiménez e Paula Sandrine Machado perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre as intervenções médicas às quais foram submetidos como uma criança intersexo. Também esteve presente no documentário de 2012, Intersexion.

Em 2014, Pagonis criou um documentário próprio, The Son They Never Had: Growing Up Intersex, que excursionou pelo país, atuando na defesa contra "cirurgias corretivas" não consensuais. Este trabalho foi publicado em um periódico de bioética, Narrative Inquiry in Bioethics. The Son They Never Had também foi exibido no Leeds Queer Film Festival, no Reino Unido, em março de 2017.

Em 2015, Pagonis criou a campanha de hashtag #intersexstories para Dia da Conscientização Intersexo. A campanha atraiu um grande número de seguidores, com muitas pessoas intersexo compartilhando suas histórias. Pagonis também apareceu em um vídeo do BuzzFeed sobre corpos, identidades e experiências intersexo.

Pagonis atua na escrita da obra Everyday Feminism, onde abordou temas como o racismo anti-negro na comunidade intersexo, entrevistando Sean Saifa Wall e Lynnell Stephani Long, e debatendo sobre a inclusão de pessoas intersexo na sigla LGBTQA.

Pagonis apareceu em um episódio de 2016 da série de televisão Transparent. A supervisora de Pagonis e coordenadora do interACT, Kimberly Zeiselman, indicou para o papel. Fez lobby para o papel ao conhecer o criador do programa, Joey Soloway, em uma cerimônia de premiação da Casa Branca. Pagonis foi destaque na temporada 3, episódio 1 de Transparent e fez uma ponta como o personagem intersexo de Baxter para aumentar a representação de pessoas intersexo. O papel de Baxter envolve trabalhar como voluntário na linha direta do Los Angeles LGBT Center junto com Maura. No episódio "Elizah", Baxter é apresentado e menciona a frase "genitália ambígua", bem como faz referência ao episódio de Oprah sobre intersexualidade. Pagonis cita o motivo de participar de Transparent como a criação de "uma instância positiva de representação" para pessoas intersexo, aumentando a "notoriedade" do movimento intersexo. O episódio foi aclamado e teve um impacto positivo na visibilidade da comunidade intersexo, com a terceira temporada de Transparent sendo considerada possivelmente a mais ambiciosa pelos críticos. Pagonis considera esse papel uma forma de defender os direitos humanos.

Pagonis apareceu na capa da edição de janeiro de 2017 da National Geographic "Revolução de Gênero". Pagoni esteve entre os ativistas intersexo que escreveu expressando preocupação com o fato de ser intersexo ser definido pela revista como um transtorno. A National Geographic respondeu à pressão dos leitores atualizando a definição na edição online.

Em junho de 2017, Pagonis apareceu em um vídeo para a Teen Vogue ao lado das colegas defensoras intersexo Emily Quinn e Hanne Gaby Odiele, explicando o que significa ser intersexo.

Pagonis também cofundou o Intersex Justice Project, sediado em Chicago, com os ativistas Sean Saifa Wall e Lynnell Stephani Long. Wall e Pagonis organizaram protestos e manifestações do lado de fora do Lurie Children's Hospital, onde Pagonis passou por uma operação quando criança. O Intersex Justice Project levou adiante a campanha #endintersexsurgery contra Lurie por três anos. Em 28 de julho de 2020, o Lurie Children's Hospital emitiu um pedido público formal de desculpas aos pacientes intersexuais por cirurgias anteriores e deixou de realizar cirurgias cosméticas em bebês, tornando-se o primeiro hospital nos Estados Unidos a fazê-lo.

Em maio de 2021, Pagonis relatou que pela segunda vez a hashtag intersexo foi removida do TikTok e exigiu seu retorno. Um pôster não conseguiu clicar na tag em sua própria postagem e tentar pesquisar por intersexo trouxe uma página "nula". O TikTok disse ao The Verge que em ambas as instâncias que Pagonis notou, a tag havia sido removida por engano e posteriormente restaurada. Mas como não houve nenhuma declaração pública sobre a remoção acidental, Pagonis e outros ficaram especulando se estavam sendo censurados intencionalmente.

Depois de crescer com segredo, mentiras e vergonha em relação à intersexualidade, Pagonis vê o TikTok e outras plataformas como espaços onde as pessoas intersexuais "podem conectar-se umas com as outras e também defender-se a si mesmas e umas às outras, e então outras pessoas podem aprender sobre intersexualidade".

Mas quando a maneira mais fácil de descobrir conteúdo intersexo no TikTok desaparece, esse apagamento segue os maus-tratos históricos de pessoas intersexo. "A minha comunidade é apagada com um bisturi, e com palavras e linguística", disse Pagonis, "mas desta vez estão literalmente a apagar a palavra".

Prêmios e honrarias Pagonis foi um dos nove artistas LGBT que receberam honrarias no Champion of Change da Casa Branca de Obama em 2015. Também foi um dos "30 com menos de 30" homenageados pelo Windy City Times em 2013.

Obras publicadas

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