O Scharnhorst foi um couraçado operado pela Kriegsmarine e a primeira embarcação da Classe Scharnhorst, seguido pelo . Sua construção começou em junho de 1935 na Kriegsmarinewerft Wilhelmshaven e foi lançado ao mar em outubro do ano seguinte, sendo comissionado na frota alemã em janeiro de 1939. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 38 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 31 nós.
O Scharnhorst operou junto com seu irmão Gneisenau no início da Segunda Guerra Mundial, incluindo em surtidas no Oceano Atlântico com o objetivo de atacar navios mercantes britânicos. Ambos participaram entre abril e junho de 1940 da invasão da Noruega, inicialmente dando cobertura para as forças de invasão. Durante esta operação, eles enfrentaram brevemente o cruzador de batalha britânico em um confronto inconclusivo, enquanto em junho encontraram e afundaram o porta-aviões britânico e seus dois contratorpedeiros de escolta no Mar do Norte.
Bombardeios aéreos britânicos em 1941 contra Brest na França, onde os dois couraçados estavam após uma surtida no Atlântico, forçaram ambos a realizarem uma corrida pelo Canal da Mancha de volta para a Alemanha em fevereiro de 1942. O Scharnhorst foi para a Noruega no início de 1943 a fim de tentar interceptar comboios Aliados que seguiam regularmente para a União Soviética. Em uma destas tentativas, em 26 de dezembro, foi interceptado pelo couraçado britânico e suas várias escoltas, sendo afundado na resultante Batalha do Cabo Norte.
Características
thumb|260px|esquerda|Desenho do Scharnhorst O Scharnhorst tinha 234,9 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de trinta metros e um calado máximo de 9,9 metros. Seu deslocamento padrão era de 32,6 mil toneladas e o deslocamento carregado de 38,7 mil toneladas. Seu sistema de propulsão tinha doze caldeiras Wagner que alimentavam três turbinas a vapor Brown, Boveri & Cie, tendo uma potência indicada de 160 mil cavalos-vapor (118 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 31,5 nós (58,3 quilômetros por hora). Podia carregar até cinco mil toneladas de óleo combustível, o que dava uma autonomia de 7,1 mil milhas náuticas (13,1 mil quilômetros) a uma velocidade de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Sua tripulação era de 56 oficiais e marinheiros, mas na guerra cresceu até setenta oficiais e marinheiros.
Sua bateria principal consistia em nove canhões SK C/34 calibre 54,5 de 283 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, duas à vante da superestrutura e uma à ré. Seu armamento secundário tinha doze canhões SK C/28 calibre 55 de 149 milímetros instalados em quatro torres de artilharia duplas e em quatro montagens únicas. O armamento antiaéreo era composto por catorze canhões SK C/33 calibre 65 de 105 milímetros, dezesseis canhões SK C/30 calibre 83 de 37 milímetros e dez canhões C/30 de 20 milímetros, mas o número total destes depois cresceu para 38. Foi equipado em 1942 com seis tubos de torpedo de 533 milímetros. Seu cinturão principal de blindagem tinha de 150 a 350 milímetros de espessura, enquanto o convés blindado tinha entre cinquenta e 105 milímetros. As torres de artilharia principais eram protegidas por blindagem de 150 a 360 milímetros, ficando em cima de barbetas de duzentos a 350 milímetros. A torre de comando tinha laterais de 350 milímetros e teto de duzentos milímetros.
História thumb|270px|O Scharnhorst em seus testes marítimos, ainda com sua proa reta original O Scharnhorst foi encomendado com o nome de contrato "D" e sob o nome provisório Ersatz Elsass como um substituto para o antigo pré-dreadnought . Seu batimento de quilha ocorreu em 16 de julho de 1935 na Kriegsmarinewerft Wilhelmshaven. Foi nomeado em homenagem ao tenente-general prussiano Gerhard von Scharnhorst, sendo lançado ao mar em 3 de outubro de 1936 em uma cerimônia que teve a presença do ditador Adolf Hitler, do general-marechal de campo Werner von Blomberg, o Ministro da Guerra, e pela viúva do capitão de mar Felix Schultz, o oficial comandante do cruzador blindado que morreu a bordo durante a Batalha das Malvinas na Primeira Guerra Mundial. Os trabalhos de equipagem prosseguiram até ele ser finalizado em janeiro de 1939. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de mar Otto Ciliax. Foi comissionado em 9 de janeiro a fim de partir para seus testes marítimos, que revelaram uma perigosa tendência de acumular água em mares bravios. Isto causava inundações na proa e danificou sistemas elétricos da primeira torre de artilharia principal. Consequentemente, retornou para o estaleiro para que sua proa fosse muito modificada. A proa reta original foi substituída por uma "proa atlântica" elevada. Além disso, uma cobertura para a chaminé também foi instalada, enquanto o mastro principal foi movido mais para ré e o hangar de hidroaviões ampliado. Estas modificações foram finalizadas em novembro, época em que o couraçado já estava totalmente operacional. Neste período, Ciliax adoeceu e foi substituído em setembro pelo capitão de mar Kurt-Caesar Hoffmann.
Segunda Guerra Mundial thumb|esquerda|240px|O Scharnhorst no final de 1939, já com sua nova "proa atlântica" A primeira operação do Scharnhorst na Segunda Guerra Mundial começou em 21 de novembro de 1939, sendo enviado em patrulha para a área entre a Islândia e Ilhas Feroe junto com seu irmão . O objetivo era atrair unidades da Marinha Real Britânica e diminuir a pressão sobre o cruzador pesado Admiral Graf Spee, que estava sendo perseguido no sul do Oceano Atlântico. Os dois couraçados deixaram Wilhelmshaven na companhia dos cruzadores rápidos e mais três contratorpedeiros, mas os irmãos se separaram do resto na manhã do dia 22 e estes seguiram para operações no Skagerrak. Os alemães interceptaram no dia seguinte cruzador mercante armado britânico . Olheiros no Scharnhorst avistaram a embarcação às 16h07min e o couraçado se aproximou menos de uma hora depois. Ele abriu fogo às 17h03min e três minutos depois um de seus projéteis de 283 milímetros acertou a ponte do Rawalpindi, matando o capitão Edward Coverley Kennedy e a maioria de seus oficiais. O Rawalpindi conseguiu acertar o Scharnhorst com um projétil de 152 milímetros que causou apenas pequenos danos de estilhaços.
O navio britânico já estava em chamas e no processo de afundar às 17h16min. O almirante Wilhelm Marschall a bordo do Gneisenau ordenou que o Scharnhorst resgatasse sobreviventes. Estas operações foram interrompidas pela aparição do cruzador rápido . Os alemães fugiram para o norte e em seguida usaram o clima ruim para virarem para o sul e correrem pelo Mar do Norte. Os couraçados britânicos e , o cruzador de batalha britânico e o couraçado francês partiram em perseguição. Os dois navios alemães chegaram de volta a Wilhelmshaven em 27 de novembro, com ambos tendo sido danificados significativamente devido ao mares bravios e vento. O Scharnhorst foi consertado em Wilhelmshaven, com suas caldeiras também sendo reformadas.
Foi depois disso para o Mar Báltico realizar treinamentos de artilharia. Gelo espesso forçou sua permanência na região até fevereiro de 1940, quando retornou para Wilhelmshaven no dia 5. Participou da Operação Marca do Norte entre 18 de fevereiro e 20 de março, uma breve surtida no Mar do Norte até as Ilhas Shetland.
Noruega Invasão
thumb|210px|Movimentações britânicas e alemãs durante a invasão da Noruega entre 7 e 9 de abril de 1940 O navio foi em seguida designado para participar da Operação Exercício do Weser, a invasão da Dinamarca e Noruega. O Scharnhorst e o Gneisenau deveriam dar cobertura para as forças que atacariam as cidades norueguesas de Narvik e Trondheim. Os dois deixaram Wilhelmshaven na manhã de 7 de abril, estando sob o comando geral do vice-almirante Günther Lütjens. Se encontraram primeiro com a força de invasão de Trondheim, formada pelo cruzador pesado e quatro contratorpedeiros, e depois com a força de Narvik, que tinha dez contratorpedeiros. As embarcações foram atacadas por doze bombardeiros ao oeste do Skagerrak entre 14h25min e 14h48min. O clima piorou ao anoitecer e vários contratorpedeiros foram incapazes de manter a elevada velocidade de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora) e assim precisaram ficar para trás da força principal. Ventos fortes causaram danos estruturais e inundações contaminaram parte dos depósitos de combustível do Scharnhorst. O contratorpedeiro Z11 Bernd von Arnim, um dos que tinham ficado para trás, avisou às 9h15min do dia 8 que estava em batalha contra um contratorpedeiro britânico. Lütjens ordenou às 9h22min que o Admiral Hipper fosse investigar, com este encontrando o e o alvejando. O contratorpedeiro afundou depois de tentar abalroar o cruzador, mas antes conseguiu enviar uma mensagem para a frota britânica. O Admiral Hipper e seus quatro contratorpedeiros assumiram um rumo em direção de Trondheim pouco depois, com os outros dez contratorpedeiros fazendo o mesmo para Narvik às 22h00min. O Scharnhorst e o Gneisenau então assumiram uma posição ao sul das Lofoten no Fiorde Oriental a fim de dar cobertura aos dois desembarques.
Os dois navios encontraram o cruzador de batalha britânico em 9 de abril. O radar do Gneisenau captou um contato às 4h30min, com ambas as tripulações indo para postos de combate. O navegador do Scharnhorst avistou meia-hora depois flashes do Renown disparando contra o Gneisenau, com os alemães abrindo fogo três minutos depois. O Gneisenau foi acertado duas vezes, com um dos projéteis incapacitando sua terceira torre de artilharia. O radar do Scharnhorst teve problemas, impedindo que ele enfrentasse o navio britânico de forma eficaz. O Renown passou a disparar contra o Scharnhorst às 5h18min, com este manobrando para evitar os disparos. Os alemães usaram sua velocidade superior para escapar do cruzador de batalha em perseguição às 7h15min. Os mares bravios e a alta velocidade com que escaparam fizeram com que engolissem grandes quantidades de água à vante. A primeira torre de artilharia do Scharnhorst foi tirada de ação por grandes inundações. Problemas mecânicos em sua turbina de estibordo surgiram depois de navegar em velocidade máxima, forçando as embarcações a reduzirem sua velocidade para 25 nós (46 quilômetros por hora).
O Scharnhorst e o Gneisenau alcançaram um ponto ao noroeste de Lofoten ao meio-dia. Os dois então navegaram para o oeste por 24 horas enquanto reparos temporários eram realizados, em seguida viraram para o sul. Transmitir mensagens de rádio entregaria suas posições para os britânicos, assim um hidroavião Arado Ar 196 foi lançado do Scharnhorst ao meio-dia de 10 de abril para voar até a Noruega e avisar que Lütjens tinha a intenção de retornar para a Alemanha na noite do dia seguinte. A aeronave foi lançada no limite de sua autonomia e quase não alcançou o litoral norueguês, mas conseguiu transmitir sua mensagem. Ele foi rebocado para Trondheim, onde também pode repassar as instruções para o Admiral Hipper de se juntar aos couraçados para a viagem de volta para casa. O cruzador os encontrou na manhã do dia 12, mas seus quatro contratorpedeiros precisaram ficar em Trondheim por falta de combustível. Os navios alemães foram protegidos por uma visibilidade ruim e nenhum dos bombardeiros britânicos enviados para interceptá-los os encontraram, com nove sendo abatidos por caças alemães. Os três chegaram em segurança em Wilhelmshaven às 22h00min. O Scharnhorst passou por reparos na Deutsche Werke em Kiel. Durante os reparos, a catapulta de aeronaves instalada na terceira torre de artilharia foi removida.
Outras ações