Rock Doido (estilizado em letras maiúsculas) é o quarto álbum de estúdio da cantora brasileira Gaby Amarantos, lançado em 29 de agosto de 2025. O projeto surgiu como uma extensão natural da trajetória da artista em sua busca por explorar e valorizar suas raízes culturais paraenses, especialmente a partir da influência das festas de aparelhagem, tradicionais eventos musicais de rua na região Norte do Brasil. Desenvolvido em parceria com o coletivo Altar Sonoro, o álbum foi concebido como um set contínuo, com faixas curtas e interligadas que capturam a energia vibrante e coletiva dessas festas, ao mesmo tempo que incorporam elementos de tecnobrega, funk, carimbó e ritmos latinos.
A produção do álbum contou com uma abordagem inovadora, incluindo a gravação de um curta-metragem em plano-sequência com um smartphone nas ruas do bairro do Condor, em Belém do Pará, reforçando o caráter experimental e o compromisso com a estética periférica e popular da Amazônia. Musicalmente, Rock Doido representa um mergulho na diversidade sonora da região Norte, trazendo colaborações com artistas como Lauana Prado, Viviane Batidão e Gang do Eletro, ampliando o diálogo entre tradição e modernidade.
Rock Doido foi amplamente elogiado pela crítica especializada, que destacou a originalidade do projeto e seu papel na valorização da cultura paraense. A obra também ganhou destaque pela sua potência audiovisual e pelo impacto cultural, reposicionando a Amazônia como um polo importante da produção musical contemporânea brasileira. Foi indicado ao Prêmio Multishow 2025, concorrendo a categorias como Álbum do Ano e Capa do Ano, enquanto a canção "Foguinho" também foi nomeada em Hit do Ano e ganhou Brega do Ano, o álbum foi incluido em listas de melhores álbuns brasileiros de 2025.
Antecedentes e produção Após o lançamento do álbum TecnoShow (2022), Gaby Amarantos iniciou o desenvolvimento de Rock Doido como uma forma de aprofundar suas raízes culturais e explorar novas linguagens musicais e audiovisuais. Inspirada pelas festas de aparelhagem, tradicionais na região do Pará, a artista idealizou um álbum que funcionasse como um set contínuo, simulando a experiência das festas de rua amazônicas.
O processo de produção teve início no final de 2024, com a participação do coletivo Altar Sonoro, formado por Guilherme Takshy e Naré, que atuaram como produtores musicais e diretores do curta-metragem que acompanha o álbum. A gravação foi realizada de forma inovadora, com a captação principal feita em um plano-sequência gravado com smartphone nas ruas do bairro do Condor, em Belém do Pará, em 13 de agosto de 2025. Essa abordagem buscou capturar a espontaneidade e a energia da cultura local, valorizando a estética das periferias e das festas populares.
Composição e estilo musical
O álbum Rock Doido apresenta uma fusão vibrante de estilos que refletem a diversidade cultural da Amazônia. A base do álbum é o tecnobrega, gênero musical originado no Pará, caracterizado por batidas eletrônicas dançantes e letras que abordam temas do cotidiano e da cultura local. Gaby Amarantos, conhecida por sua voz marcante e presença de palco, utiliza esse estilo como ponto de partida para explorar outras influências musicais.
Musicalmente, Rock Doido é estruturado como um set contínuo, com faixas que se sucedem sem interrupção, criando uma experiência imersiva para o ouvinte. As músicas geralmente não ultrapassam dois minutos de duração, mantendo uma energia constante e convidando à dança. Além do tecnobrega, o álbum incorpora elementos de brega-funk, carimbó e ritmos latinos, evidenciando a mestiçagem cultural característica da região Norte do Brasil.
A colaboração com artistas como Lauana Prado, Viviane Batidão, Gang do Eletro e MC Dourado adiciona diversidade ao álbum, trazendo diferentes influências e estilos para o projeto. A faixa "Tumbalatum", por exemplo, apresenta uma batida latina e foi realizada em parceria com a Gang do Eletro, destacando a fusão de estilos e a energia da música paraense. "Foguinho", versão de "Somebody That I Used to Know", do cantor belga-australiano Gotye. A música original de Gotye, por sua vez, amostrou a composição "Seville" de Luiz Bonfá, compositor brasileiro.
Capa e conceito
Em entrevista ao podcast Segue o Som, apresentado por Pietro Reis, Gaby Amarantos afirmou que a capa de Rock Doido foi concebida “para trazer um grande olhar do mundo para a cultura amazônica”. Segundo ela, os olhos presentes na arte simbolizam esse convite coletivo, representando diferentes expressões culturais da região, como o Crina Negra, a quadrilha junina e o Tumbalatum. A cantora também mencionou que a estética visual traz referências ao videoclipe Thriller, de Michael Jackson.
Lançamento e divulgação O projeto "Rock Doido" foi oficialmente lançado em 28 de agosto de 2025. Na noite de lançamento, Gaby Amarantos reuniu artistas e convidados no Auditório Eneida de Moraes, no Palacete Faciola, em Belém, para a estreia do curta-metragem "Rock Doido (O Filme)", que foi disponibilizado no YouTube às 23h45 do mesmo dia. O álbum homônimo, com 22 faixas inéditas e colaborações de artistas como Lauana Prado, Viviane Batidão, Gang do Eletro e MC Dourado, foi lançado nas principais plataformas digitais nas primeiras horas de 29 de agosto.
O lançamento foi amplamente divulgado nas redes sociais da artista e em veículos de imprensa, destacando-se pela proposta inovadora e pela valorização da cultura paraense. A produção também recebeu atenção da crítica especializada, que ressaltou a originalidade e a relevância cultural do projeto.
Curta-metragem
O curta-metragem Rock Doido (O Filme) é uma produção audiovisual que acompanha o álbum Rock Doido da Gaby Amarantos, lançado em 28 de agosto de 2025. Com 21 minutos e 50 segundos de duração, o filme foi gravado em uma única tomada (plano-sequência) utilizando apenas um celular, sem cortes, o que representa uma inovação técnica e estética no cenário audiovisual brasileiro.
A gravação ocorreu no dia 13 de agosto de 2025, nas ruas do bairro da Condor, em Belém do Pará, reunindo aproximadamente 250 pessoas, incluindo artistas, dançarinos, influenciadores e moradores locais. A equipe de produção foi 100% paraense, reforçando a proposta de valorização da cultura local e da produção independente.
Dirigido por Gaby Amarantos em parceria com o coletivo Altar Sonoro, o filme busca traduzir a energia das festas de aparelhagem para o formato cinematográfico, utilizando a estética das periferias e das festas populares como elementos centrais. A produção também destaca a moda local, com o styling de Bruno Pimentel e a participação de estilistas e estudantes da Universidade da Amazônia (Unama), que contribuíram para a criação de figurinos que dialogam com a identidade cultural da região.
Desenvolvimento Rock Doido (O Filme) foi concebido por Gaby Amarantos com a intenção de expandir os limites tradicionais do videoclipe, propondo uma experiência audiovisual que integra música, moda, cinema e performance em um único plano contínuo. O projeto é profundamente influenciado pelas festas de aparelhagem do Pará e pelas expressões culturais das periferias amazônicas, refletindo a diversidade e riqueza da região.
A produção optou pelo uso exclusivo de um celular para a gravação em plano-sequência, sem cortes, como uma estratégia técnica e política para demonstrar o potencial criativo com recursos acessíveis, além de descentralizar a produção audiovisual. Para alcançar a fluidez da narrativa, foram realizados extensos ensaios e coreografias meticulosamente coordenadas, que uniram espontaneidade e precisão artística entre os participantes.
Sob a co-direção do coletivo Altar Sonoro, o filme adotou uma estética experimental, explorando luz natural, figurinos artesanais e trilha sonora ao vivo. A narrativa busca envolver o espectador em uma experiência sensorial, destacando o tecnobrega e elementos visuais que remetem à cultura popular do Norte brasileiro.
Sinopse O videoclipe de Rock Doido utiliza como cenário as ruas de Belém, apresentando uma sequência ininterrupta que mistura música, performance, religiosidade, crítica social e elementos da cultura pop. A trama visual gira em torno da personagem Xirley — criação inicial de Gaby Amarantos — e se desdobra como uma celebração da identidade amazônica, evidenciada por meio de coreografias, figurinos e interações com a comunidade local.
Estruturado em plano-sequência, o clipe explora o tempo real como recurso narrativo, aproximando o formato do videoclipe da linguagem cinematográfica e das manifestações culturais regionais. A direção conjunta entre Gaby Amarantos e o coletivo Altar Sonoro resulta em uma obra que amplia os horizontes do audiovisual musical.
Recepção O lançamento do videoclipe recebeu ampla repercussão, sendo amplamente elogiado pela crítica especializada e pelo público.
A CNN Brasil ressaltou o caráter inovador da produção, destacando sua estética imersiva, as cores vibrantes, a pirotecnia e a integração de elementos visuais e sonoros que elevam o tecnobrega a uma experiência audiovisual de alcance internacional. Conforme destacado pelo jornal O Liberal, o filme reúne referências globais e amazônicas, integrando a personagem Xirley, festas de aparelhagem e símbolos da cultura paraense, sob a direção do coletivo Altar Sonoro. Stela Maris, do Escutai, descreveu o videoclipe de Rock Doido como uma "experiência visual única", destacando sua capacidade de capturar a energia da cultura paraense de forma autêntica e envolvente.
O crítico Leandro Ferreira qualificou o clipe como um “atonamento visual e estético” e apontou-o como o “maior ato pop do tecnobrega paraense”, evidenciando sua originalidade, ambientação e impacto emocional. Nas redes sociais, o lançamento provocou forte engajamento, com usuários elogiando a ousadia do plano-sequência e a potente representação cultural, ressaltando o resgate das raízes amazônicas e o orgulho regional despertado pela obra. O Caderno Pop elogiou o videoclipe de Rock Doido, destacando sua gravação em plano-sequência e sua função como parte essencial da narrativa do álbum.
Recepção crítica
Rock Doido foi amplamente elogiado pela crítica especializada e bem recebido pelo público, que destacou a originalidade do projeto, a força estética da produção audiovisual e a valorização da cultura amazônica.