O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte/Confins – Tancredo Neves (IATA: CNF, ICAO: SBCF) está localizado no município de Confins, em Minas Gerais, Brasil. É o sexto aeroporto mais movimentado do país e o principal terminal aéreo do estado, atendendo Belo Horizonte e sua Região Metropolitana. O aeródromo possui capacidade para atender até 32 milhões de passageiros por ano e está apto a receber aeronaves de grande porte, como o Boeing 747, o Airbus A380 e Antonov An-124.

O aeroporto é hub da Azul Linhas Aéreas e Focus City da GOL Linhas Aéreas, sendo também atendido pelas companhias LATAM Airlines, Copa Airlines, TAP Air Portugal, LATAM Chile e SKY Airline. Suas instalações incluem um Terminal de Carga aérea totalmente automatizado, além de uma pista com 3600 x 45 metros (a 4ª maior do Brasil), equipada com sistema de pouso por instrumentos (ILS CAT I) e demais auxílios à navegação aérea.

É operado desde 2014 pela BH Airport S.A, uma concessão formada pelo Grupo Motiva (antiga CCR), Zurich Airport e Infraero Aeroportos.

Em Novembro de 2025, o Grupo Motiva anunciou a venda integral de sua plataforma de aeroportos (Motiva Aeroportos), que compreende 20 terminais na América Latina, sendo 17 localizados no Brasil, pelo valor de R$ 11,5 bilhões. A disputa foi acirrada e a vencedora foi a operadora mexicana Asur. Com a operação, a Asur passa a deter a participação anteriormente pertencente à Motiva no BH Airport (75%), enquanto a Flughafen Zürich mantém os 25% restantes, permanecendo ambas como acionistas majoritárias. Esse bloco controlador detém 51% do capital, sendo os 49% restantes pertencentes à Infraero.

História Durante muitos anos, o saturado Aeroporto da Pampulha foi o principal aeroporto de Belo Horizonte, porém o mesmo sofria com frequentes fechamentos e inundações, devido à sua localização. Ainda foi previsto que em alguns anos o Aeroporto fosse engolido pela cidade, inviabilizando sua utilização. Assim, iniciaram estudos para a construção de um novo aeroporto em Belo Horizonte e o local escolhido foi o então distrito de Confins, na cidade de Lagoa Santa, cerca de 40 quilômetros do centro da capital.

Na escolha do local, foram levados em consideração estudos que apontavam uma previsão do quanto a cidade iria crescer, e dessa forma o aeroporto não sofreria com os mesmos problemas que afetavam o Aeroporto da Pampulha. Apesar de arqueólogos afirmarem que a existência do aeroporto no local poderia danificar grutas com tesouros arqueológicos na região, o local foi mantido para a construção do aeroporto.

Década de 1980 - projeto e inauguração O projeto elaborado foi o de um grande aeroporto industrial, dividido em quatro fases, que seriam realizadas de acordo com a demanda do Aeroporto de Confins, consistindo de duas pistas paralelas de cerca de 3000 metros e quatro módulos de terminais de passageiros, cada um com um anexo no qual se localizariam lojas, a administração e dois estacionamentos. As obras de terraplanagem começaram em 1980, para construir a plataforma onde ficaria o aeroporto. As obras do terminal se iniciaram em 1981. Durante os anos de 1982 e 1983, o aeroporto recebeu 190 aviões que não puderam aterrissar no Aeroporto da Pampulha. Os passageiros desembarcam no terminal de cargas, que já estava pronto, recebendo depois modificações provisórias.

O terminal 1 foi inaugurado em janeiro de 1984, porém com metade de sua capacidade operacional. O primeiro avião a fazer um voo regular de passageiros em Confins foi um 737-200 da VASP, que veio procedente de Belém e São Luis, e seguiu para São Paulo. A inauguração oficial foi em março de 1984. Após a VASP, o Aeroporto de Confins também passou a receber voos da Varig, e a primeira ligação internacional do aeroporto foi feita pela LAB, para Santa Cruz de la Sierra. No início de suas operações, o aeroporto recebia um número maior de operações fretadas.

Década de 1990 - as operações e a queda de movimento Diversos voos internacionais começaram a ser operados a partir do Aeroporto de Confins. Em 1993, veio a PLUNA, voando para Montevidéu, e em seguida a American Airlines anunciou voos para Miami com escala em São Paulo. Depois ainda vieram United Airlines, voando para Miami, a Varig, para Nova Iorque, e ainda a Continental Airlines, para Newark e Rio de Janeiro, além de muitos fretamentos. O Aeroporto estava em seu auge. Porém, a partir dos anos 2000, a situação do Aeroporto piorou. Os voos em Confins passaram a ficar mais escassos: A PLUNA saiu em 1996, seguida a LAB, United, Continental Airlines e em 2004, a American Airlines. O Aeroporto estava com um único voo da Varig para Guarulhos, poucos da VASP e quatro da TAM, que chegaram no final da década de 90. O principal motivo da saída das companhias aéreas, foi a localização do aeroporto em relação à cidade.

thumb|direita|Antigo Terminal 1. thumb|direita|Airbus A320 da antiga TAM Linhas Aéreas (atual LATAM).

Década de 2010 - expansão e concessão A década anterior terminou com grandes expansões no aeroporto, principalmente por parte das empresas Azul, TRIP e Webjet, que, em 2010, inauguraram voos para Belém, Porto Velho, Manaus, Rio Branco, Ribeirão Preto, Navegantes e outros destinos nunca antes operados a partir de Confins, como Fortaleza, Maceió e Porto Alegre. O aeroporto atinge níveis recordes de passageiros transportados e número de destinos e, como consequência, passa a enfrentar problemas de superlotação, sobretudo no Check-in e Embarque, evidenciando-se a necessidade de ampliação e construção do segundo terminal. Consolidou-se como principal Hub da TRIP e Hub secundário da Azul. Após a fusão das duas empresas, várias ligações com a região Sul foram perdidas, bem como após a aquisição da Webjet pela Gol. Ainda assim, Confins continua tendo inúmeros voos para todas as regiões do Brasil.

No mesmo ano, a Infraero abriu a licitação para modernização do terminal do aeroporto, com a instalação de novos balcões de check-in, esteiras de bagagem, entre outras melhorias. Em dezembro, a TAM iniciou um voo direto para Miami, com seus Boeing 767-300, três vezes por semana, sendo o primeiro voo internacional sem escalas operado por uma companhia aérea brasileira desde a transferência dos voos.

O início de 2011 contou com o retorno da Pluna, que passou a operar, em janeiro desse ano, quatro voos semanais para Montevidéu, passando a uma frequência diária a partir de julho de 2011. Um ano depois, após ter o controle assumido pelo governo uruguaio por problemas financeiros, cancelou todos os seus voos, encerrando a frequência para Montevidéu em julho de 2012. Também entre os anos de 2011 e 2012, a adição de frequências tornou diários os voos da American Airlines para Miami, da Copa Airlines para a Cidade do Panamá, e da TAP para Lisboa. No entanto, é comum ocorrerem eventuais reduções pontuais nas frequências desses voos durante as baixas temporadas. No final do ano de 2012, foram descontinuados os serviços internacionais com escalas da TAM, para Buenos Aires, Miami e Paris, posteriormente ocorrendo o mesmo com os serviços da Gol para Buenos Aires, de forma que o número de passageiros internacionais embarcados e desembarcados em Confins sofreu uma redução de 15% em 2013, conforme o anuário estatístico da Infraero. A Austral Líneas Aéreas, companhia que pertence ao grupo Aerolíneas Argentinas, iniciou em junho de 2013 a operação do seu voo diário para Buenos Aires, possibilitando ligações rápidas com destinos da América do Sul e da Oceania a partir do Aeroporto de Ezeiza, operando frequências diárias, havendo eventuais reduções na baixa temporada. Em Novembro de 2014, a Gol anunciou um voo semanal para Punta Cana, o qual também deixou de ser operado em 2015.

Ainda sob a administração da Infraero, ocorreram obras de reforma e adequação do Terminal 1 do Aeroporto de Confins, que enfrentava diversos problemas desde 2010 — sobretudo, fruto da superlotação resultante da explosão de voos no período. São executadas também as obras de ampliação da pista de 3000 para 3600 metros, que também sofre com atrasos. O governo estadual vinha assessorando a Infraero e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) acerca da expansão do aeroporto, contratando projetos conceituais e a elaboração do Master Plan, pela consultoria Changi Airport, visando a direcionar o crescimento da infraestrutura do aeroporto e arredores. Estava prevista, além da reforma e modernização do Terminal 1, a construção de um novo terminal, na primeira fase, e de uma nova pista, do outro lado da rodovia LMG-800, posteriormente. Em outra etapa, seria construído um terceiro terminal do outro lado da rodovia. A administração federal, no entanto, enfrentava severos atrasos e irregularidades para seguir com os planos, tendo a licitação do projeto do Terminal 2 barrada pelo Tribunal de Contas de União (TCU) devido a, nos termos do órgão, "restrição ao caráter competitivo da licitação" e "sobrepreço" e, posteriormente, foi lançada outra licitação, também mal-sucedida. Por fim, a administradora optou por construir um terminal provisório, haja vista que não seria mais possível construir um novo processador definitivo até a Copa de 2014. Decidiu-se por fim, em 2012, por fazê-lo onde então funcionava o terminal de aviação geral. No entanto, a obra também não ficou pronta a tempo do mundial, e só foi concluída no início de 2015, após a concessionária vencedora do processo de licitação assumir a obra. Esta, por sua vez, optou por usar o novo terminal apenas para os voos internacionais e, assim, liberou 40% da Sala de Embarque do TPS1 para os voos domésticos. Os voos internacionais só utilizavam, de fato, 5% do Terminal 1. thumb|left|upright|Sala de Embarque do Terminal 2.

Após as concessões dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos à iniciativa privada em 2012, ocorreu no ano seguinte a segunda fase de concessões de grandes aeroportos, dessa vez com os aeroportos do Galeão e de Confins, de modo que o edital foi publicado ainda em 2013. Após passar pela etapa de consulta pública, e o pregão, realizado em novembro do mesmo ano, venceu o consórcio Aerobrasil, formado pela CCR (75%) e pelas Operadoras Flughafen Zürich (24%) e Flughagen München (1%), dos aeroportos de Zurique e Munique, respectivamente.

Em 2014, a Flughagen München deixou o consórcio devido a problemas internos. Devido a ser uma empresa de capital público alemão, era necessária a aprovação das entidades pertinentes para definir se ela poderia ou não permanecer na composição da BH Airport. Desta forma, conforme previsto no Acordo de Acionistas, a Munich Airport deveria exercer sua opção de compra de 11,5% da participação acionária da Flughafen Zürich ou vender para esta a totalidade de sua participação, o que acabou ocorrendo. Permaneceram então, a CCR (75%) e a Flughafen Zürich (25%) como acionistas majoritários. Estes tem participação de 51% na BH-Airport, sendo o restante (49%), correspondente à Infraero.

No ano de 2015, o aeroporto ganhou uma ligação direta com Orlando pela Azul, com a chegada do Airbus A330 na empresa. Todavia, com a crise financeira, a rota foi cancelada em Fevereiro de 2016, ano em que o aeroporto perdeu, também, a sua ligação com Buenos Aires, Manaus (rota trocada por Porto Velho) e outros destinos. A Gol fez um corte de mais de setenta voos no aeroporto e eliminou inúmeros destinos, restando apenas Brasília, Carajás, São Paulo e Rio de Janeiro (todos os aeroportos de ambas cidades).

Atualmente, o aeroporto é utilizado pelas principais companhias aéreas brasileiras no processo de nacionalização de suas aeronaves, por possuir um processo mais eficiente, rápido e menos oneroso. Os primeiros modelos brasileiros dos modernos Airbus A350 XWB (Latam) e Airbus A320neo (Azul e Latam) realizaram seu primeiro pouso em território brasileiro no BH Airport. Outros modelos como os Boeings 737 e 777, Airbus A320, A330 e ATR-72 também já realizaram este procedimento em solo mineiro.