Sepideh Farsi, ,(Teerão, 1965) é uma realizadora iraniana radicada na Europa.
Vida e educação Nascida em uma família politicamente ativa e de esquerda, Farsi tornou-se ativista ainda jovem. Mudou-se de Teerão para Mashad pouco antes da revolução de 1979 e passou oito meses na prisão por esconder uma amiga e colega estudante durante os expurgos de 1981–1982 – uma campanha brutal de violência patrocinada pelo estado iraniano contra oponentes do regime Khomeini, incluindo intelectuais, artistas, minorias étnicas e religiosas.
Concluiu o ensino secundário em casa após sua libertação e deixou o Irão em 1984, indo para Paris estudar matemática. Foi atraída pelas artes visuais desde cedo, começando a experimentar a fotografia antes de realizar seus primeiros curtas-metragens.
Carreira cinematográfica Uma de suas primeiras obras foi um documentário dedicado à diáspora iraniana, Le monde est ma maison (Donyā khāne-ye man ast). Em seguida, em 2000, realizou o retrato de um cineasta indiano, simplesmente intitulado Homi D. Sethna, Film-maker, que recebeu o Prêmio FIPRESCI no Festival Internacional de Cinema de Mumbai, e depois, em 2002, com Hommes de feu (Mardān-e ātash), desta vez dedicado aos bombeiros de Teerão. Em 2003, realizou uma obra de ficção sobre o tema da identidade, Le Voyage de Maryam (Safar-e Mariam), um filme entre ficção e documentário que segue a trajetória de uma jovem iraniana que vive em Paris e retorna para procurar seu pai nas ruas da capital iraniana, interrogando transeuntes e comerciantes.
Em 2007, ela filmou um novo documentário, Harat. No ano seguinte, novamente em perambulações por Teerão, concluiu o documentário Téhéran sans autorisation (Tehrān bedun-e mojavvez), obra filmada inteiramente com um celular Nokia devido às restrições do governo sobre filmagens e que registra a vida na movimentada capital iraniana durante um período em que o regime enfrentava sanções internacionais por suas ambições nucleares e vivia agitação civil.http://www.dubaifilmfest.com/en/films-explorer/?id=4771&filmname=TEHRAN%20BEDOUNE%20MOJAVEZ%20%28TEHRAN%20WITHOUT%20PERMISSION%29 Site do Dubai Film Festival Devido ao conteúdo dos seus filmes e a sua posição contra o regime iraniano, Farsi ficou proibida de regressar ao seu país a partir de 2009. No mesmo ano, a realizadora foi membro do júri de melhor primeira obra no Festival Internacional de Cinema de Locarno.
Em 2014, foi lançado Red Rose (Gol-e Sorkh), nova ficção realizada na Grécia com atores iranianos. Em fevereiro de 2023, o primeiro longa-metragem animado de Farsi, La Sirène, estreou como filme de abertura da seção Panorama do 73.º Festival Internacional de Cinema de Berlim. O filme, que acompanha um menino no porto de Abadã em 1980 durante o início da Guerra Irã-Iraque, venceu o prêmio de Melhor Filme de Animação na 16.ª edição dos Prêmios Asia Pacific Screen em Gold Coast, Austrália, em novembro de 2023. Em março de 2024, a cineasta foi membro do júri da Competição de Ficção no 22.º Festival Internacional de Cinema e Fórum sobre Direitos Humanos.
Em 2025, seu documentário Put Your Soul on Your Hand and Walk (Rūhat rā dar dastat begir va qadam bezan), que acompanha a fotojornalista Fatima Hassouna, foi selecionado para o Festival de Cannes na seção ACID. A obra também recebeu o prémio de melhor documentário do Festival Internacional de Cinema de Chicago no mesmo ano.
Filmografia +AnoTítulo original1999Donyā khāne-ye man ast / Le monde est ma maison2000Homi D. Sethna, filmmaker2001Mardān-e ātash / Hommes de feu2002Safar-e Mariam / Le Voyage de Maryam2003Khāb-e khāk / Rêves de sable2006Negāh / Le Regard2007Harāt2009Tehrān bedun-e mojavvez / Téhéran sans autorisation2010Khaneye Zir-e āb / La maison sous l'eau2014 Gol-e Sorkh / Red Rose2017 7 Pardeh / 7 Voiles2019 Border boat 2019 Demain, je traverse2023 La Sirène2025 Rūhat rā dar dastat begir va qadam bezan / Put Your Soul on Your Hand and Walk
Prémios e reconhecimento 2001 - Cinéma du Réel e o Traces de Vie prize, por Homi D. Sethna 2002 - Prémio FIPRESCI, também por Homi D. Sethna 2007 - No Festival del Popopi, recebeu os Prémios de Melhor Realizadora e o de Melhor Documentário, por Harat 2017 - Com o documentário 7 Veils, ganhou o Grand Prize no Festival Internacional de Cinema de Marselha (FIDMarseille) 2023 - Melhor Filme Animado nos Asia Pacific Screen Awards e a Melhor Banda Sonora no Festival de Annecy, com La Sirene
Categoria:Naturais de Teerã Categoria:Nascidos em 1965 Categoria:Cineastas Categoria:Iranianas Categoria:Iranianos do século XX Categoria:Iranianos do século XXI