Nevo acrômico (''nevus depigmentosus'') é uma alteração congênita da pele caracterizada por uma mácula ou placa hipocromada, de tonalidade mais clara do que a pele normal. A condição, também chamada ''nevo acrômico'' ou ''nevo achrômico'', apresenta-se desde o nascimento ou infância precoce e permanece estável ao longo da vida, sem tendência a se expandir, alterar textura ou comprometer a sensibilidade cutânea. Diferentemente do vitiligo, não há perda total de melanócitos, mas apenas uma hipopigmentação parcial e permanente, delimitada em relação à pele adjacente.

Causas

O nevus depigmentosus é considerado uma manifestação de mosaicismo cutâneo congênito. Acredita-se que decorra de uma mutação somática pós-zigótica em um clone de células epidérmicas ou melanocíticas durante o desenvolvimento embrionário.Lee DY, Shin JU. *Pigmentary mosaicism: an update*. Ann Dermatol. 2019;31(4):397–404.Bolognia JL, Schaffer JV, Cerroni L. *Dermatology*. 4th ed. Elsevier; 2018.

Do ponto de vista celular, os melanócitos estão presentes nas áreas afetadas, mas apresentam função alterada. Estudos ultraestruturais demonstram: redução do número de melanossomas; presença de melanosomas imaturos ou morfologicamente anormais; defeito na transferência de melanosomas para os queratinócitos.Park J, Kim YJ, et al. *Ultrastructural findings of nevus depigmentosus: impaired melanosome transfer*. J Am Acad Dermatol. 2012;67(5):e198–e200.Alikhan A, et al. *Pigmentary disorders: an overview*. Am J Clin Dermatol. 2011;12(6):369–390.

Essas alterações explicam a hipopigmentação característica sem destruição de melanócitos, diferenciando o quadro de outras condições como o vitiligo. A distribuição das lesões — localizada, segmentar ou linear seguindo as linhas de Blaschko — reflete o momento e a extensão da mutação somática durante a embriogênese.

Apesar de evidências clínicas e ultraestruturais consistentes, ainda não foi identificado um gene específico responsável por todos os casos; estudos de sequenciamento são limitados e sugerem que diferentes alterações genéticas podem levar ao mesmo fenótipo.van Geel N, et al. *Pigmentary mosaicism and somatic mutations: a comprehensive review*. Pigment Cell Melanoma Res. 2020;33(3):403–414.

Tratamento

O nevo acrômico (nevus depigmentosus) é uma lesão congênita hipocrômica, geralmente estável ao longo da vida, e na maioria dos casos não requer tratamento médico, sendo suficiente acompanhamento clínico e aconselhamento. Quando há incômodo estético, podem ser utilizadas técnicas de camuflagem cosmética, como maquiagem especial, ou micropigmentação, embora esta última tenha poucos relatos específicos em nevo acrômico.

Terapias com luz ultravioleta (PUVA, nBUVB) apresentam eficácia limitada, enquanto o laser excimer 308 nm mostrou repigmentação em casos isolados, sem consenso de eficácia. Outros lasers, como CO₂ fracionado, são usados pontualmente para preparação de leitos receptores em enxertos, sem comprovação de repigmentação isolada.

Técnicas cirúrgicas de transplante de melanócitos, como o transplante de melanócitos não cultivados (NCES), enxertos de pele espessa parcial ou enxertos por bolha de sucção podem induzir repigmentação parcial a total, mas os resultados são inconsistentes e há risco de recidiva pigmentar. Tópicos como corticosteroides ou tacrolimus não apresentam eficácia isolada significativa, sendo usados eventualmente após transplantes para auxiliar na fixação dos melanócitos.

A despigmentação da pele saudável não é indicada no nevo acrômico isolado. Alternativas cosméticas, filtros solares e cremes uniformizantes podem melhorar a aparência e a qualidade de vida, sem alterar a pigmentação da lesão. Em resumo, nenhum tratamento garante repigmentação definitiva; a escolha deve considerar riscos, custo, invasividade e expectativas do paciente. Para lesões pequenas e assintomáticas, a conduta habitual é não tratar e focar no suporte psicossocial.

Referências Gupta S, et al. Repigmentation of Nevus Depigmentosus with melanocyte transplantation. *Dermatol Surg*. Mulekar SV, et al. Treatment of Nevus Depigmentosus using NCES and excimer laser. *J Am Acad Dermatol*. Van Geel N, et al. Melanocyte transplantation in congenital hypopigmented lesions. *Br J Dermatol*. Deb S, et al. Nevus depigmentosus: NCES with tacrolimus and sunlight exposure. *Indian J Dermatol Venereol Leprol*.