Otoproteção consiste no desenvolvimento e aplicação de estratégias terapêuticas para prevenir ou reduzir os danos causados às estruturas da orelha interna pela ototoxicidade, particularmente na células ciliadas da cóclea e neurônios do nervo vestibulococlear. A ototoxicidade é definida pelo efeito adverso grave e frequentemente permanente associado com a exposição ou intoxicação por agentes nocivos para as estruturas do sistema auditivo, como medicamentos quimioterápicos à base de platina, como a cisplatina, e certos antibióticos aminoglicosídeos, como gentamicina, importantes no tratamento oncológico e de quados de infecções graves.

O principal mecanismo pelo qual esses fármacos causam lesão coclear é a indução de estresse oxidativo e excitotoxicidade, por meio da produção excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs). Esse desequilíbrio bioquímico desencadeia uma cascata de eventos celulares, incluindo inflamação e apoptose (morte celular programada), resultando na perda de células sensoriais auditivas e, consequentemente, em perda auditiva sensorioneural e zumbido.

As abordagens em otoproteção visam interferir nesses mecanismos de lesão auditiva. As estratégias mais investigadas incluem o uso de antioxidantes que neutralizam as EROs, como a N-acetilcisteína e o tiossulfato de sódio (STS). O STS é utilizado para reduzir o risco de perda auditiva induzida pela cisplatina. Outras linhas de pesquisa exploram agentes anti-inflamatórios e inibidores de apoptose.

Ver também

Ototoxicidade Farmacologia coclear Excitotoxicidade Perda auditiva sensorioneural Cóclea Células ciliadas

Referências

Categoria:Audiologia