Miguel Augusto de Oliveira, também conhecido apenas por Miguel de Oliveira (Corga, Válega, 15 de dezembro de 1897 - São Jorge de Arroios, 15 de fevereiro de 1968) foi um jornalista português. Liderou a redação do jornal católico Novidades, escreveu diversas obras, ficando conhecido por ser um escritor fértil e um notável orador sagrado e conferencista.

Biografia Infância e formação

Filho de Jacinto de Oliveira e Rosa Maria de Jesus, era o mais velho dos sete filhos do casal. Miguel de Oliveira realizou o ensino primário na freguesia natal com o professor Domingos de Matos e Silva, obtendo distinção nos exames de 1º e de 2º grau, em 1907 e 1908, respetivamente. Posteriormente, através da realização de mais exames como aluno externo, ingressou no dia 16 de janeiro de 1911, no seminário menor da diocese do Porto, situado em Carvalhos. Mais tarde, transitou para o seminário maior da diocese portuense, onde se destacou dadas as suas qualidades intelectuais que foi demonstrando ao longo do seu percurso no curso trienal de estudos teológicos (1914-1917). Com este histórico, foi convidado pelo vigário capitular, cónego Teófilo Salomão Coelho Vieira de Seabra e pelo bispo D. António Barbosa Leão, para prosseguir os estudos superiores na Universidade Gregoriana, em Roma, no entanto, acabou por recusar.

Início da carreira de docente e ordenação

Nos anos seguintes exerceu atividades letivas no Colégio Feirense (1917–1918) e no Colégio Ovarense, enquanto aguardava pela idade autorizada para ingressar na ordenação presbiteral.

Em fevereiro de 1920, no Seminário de Preparatórios da sua diocese, então instalado no Paço da Torre da Marca, prosseguiu funções docentes, lecionando português, francês e história. Tornou-se presbítero a 18 de julho de 1920.

Viagens e atividade jornalística

Passados cinco anos, em 1925, realizou a sua primeira viagem à Palestina e mudou-se para Lisboa, uma vez que foi selecionado para liderar a redação do jornal católico Novidades. Uma longa série de crónicas publicadas neste órgão de comunicação, com o título Impressões do Oriente, a descrever a viagem, despertou tanto interesse que, em 1927, Miguel de Oliveira efetuou uma peregrinação, integrando-se num grupo francês, à Terra Santa. Ao longo desta jornada acabou por conhecer o Egito, o Líbano, a Turquia, a Grécia, a Síria, a Itália e a França.

Atividade literária e editorial

A partir de 1932, ficou responsável pelo censor literário na secção editorial da União Gráfica. Escreveu grandes quantidades de obras, deixando publicados mais de duzentos títulos de diversos géneros e temas, entre obras monográficas em artigo ou livro e colaborações variadas com a imprensa, que primam pela sensibilidade e rigor científico.

No início do ano 1930, encetou com Lopes da Cruz e Raul Machado na publicação do Anuário Católico de Portugal.

Início da atividade historiográfica

O início da atividade historiográfica do autor foi em 1921 aos 24 anos, com a publicação da obra Válega – Memória histórica e descritiva no jornal O Concelho de Estarreja, em 1981.

Após mais de uma década, retomou os estudos de história local, onde publicou vários trabalhos no boletim do Arquivo Distrital de Aveiro, como:

– A Vila de Ovar,

– Inquirições de D. Afonso II na Terra de Santa Maria,

– Passais da igreja de Salreu no ano de 1076,

– S. João de Ver nos documentos do «Livro Preto» da Sé de Coimbra.

A colaboração contínua com essa publicação projetou o seu nome como historiador regional.

Obras maiores e reconhecimento

Em 1938, publicou História da Igreja (republicada em 1942, 1952 e 1959). A bibliografia de que se serviu mostra a influência do panorama historiográfico francês que acompanhava de perto. Miguel de Oliveira pretendia escrever um livro didático e claro, destinado à juventude e à Ação Católica, baseando-se em conclusões históricas. No entanto, sofreu algumas críticas, nomeadamente do historiador Alfredo Pimenta (1882–1950), que apelidou de «volumezinho de 300 páginas, com bonecos, e capa melíflua, como a voz do meu padre» à obra. Em resposta, o jornalista publicou um texto refutando estes comentários, no mesmo ano, acusando, deste modo, Pimenta de agir por desrespeito pessoal.

Consolidação e prémios

Em 1940, publicou a História Eclesiástica de Portugal (sucessivamente reeditada em 1948, 1958 e 1968), obra que aborda a proximidade ao clima de fervor nacionalista do Estado Novo, com o propósito de sublinhar o papel histórico da Igreja Católica na história do país, dedicando capítulos exclusivamente ao ensino e às artes. Esta foi apreciada positivamente por José Vives e Pierre David, que a consideraram um «excelente manual», revelador de «espírito crítico judicioso».

Ainda em 1940, Miguel de Oliveira publica na Revista de Guimarães um dos seus mais sólidos trabalhos de investigação, que, dez anos mais tarde, mereceu versão autónoma, com o título «As paróquias rurais portuguesas – Sua origem e formação». A mesma obra suscitou críticas do professor Torquato de Sousa Soares (1903–1988), porém, em 1950, após uma reformulação da coletânea, o professor convida Miguel de Oliveira para ser colaborador da Revista Portuguesa de História.

Últimos projetos e legado

Miguel de Oliveira publicou o boletim mensal Seleção documental, de 13 volumes, que iniciou em janeiro de 1953 e terminou em 1965. Para além disso, em 1956, criou o Centro de Estudos de História Eclesiástica, promovendo reuniões em Lisboa, da qual surgiu a ideia da fundação de uma revista como órgão do Centro, ao qual Miguel de Oliveira propôs dar o nome de Lusitânia Sacra. Por escolha unânime de todos os participantes das conferências, Miguel de Oliveira ficou então a dirigir esta nova revista. Dedicou-se a este projeto de alma e coração, conseguindo publicar, ao todo, sete volumes da mesma.

Por fim, na fase final da sua vida, publicou Inquirições de D. Afonso III na Terra de Santa Maria. Colaborou com diversos artigos nas enciclopédias alemãs Lexikon für Theologie und Kirche e Lexikon der Marienkunde.

Em 1945, foi condecorado com o grau de oficial da ordem militar de Santiago da Espada e eleito sócio correspondente da Academia Portuguesa da História em 1951, passando a académico de número em abril de 1956. Acabou por falecer em Lisboa no dia 15 de fevereiro de 1968. Em sua homenagem, a escola de ensino básico da terra natal recebeu o seu nome em dezembro de 1998 (Escola Básica Monsenhor Miguel de Oliveira, Válega, Ovar).

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