Em 2 de outubro de 2025, durante o Yom Kippur, um homem avançou com um carro contra pedestres e, em seguida, esfaqueou fiéis na Congregação Hebraica de Heaton Park, em Crumpsall, um subúrbio de Manchester, Inglaterra. Três pessoas morreram, incluindo o próprio suspeito, que foi morto a tiros pela polícia; outras três ficaram feridas, entre elas um segurança, sendo quatro hospitalizadas.
O incidente foi classificado como ataque terrorista ainda no mesmo dia, e três pessoas foram presas. O autor foi identificado como Jihad Al-Shamie, de 35 anos, cidadão britânico de ascendência síria. Outros dois suspeitos permanecem sob custódia.
Antecedentes O Yom Kippur é o dia mais sagrado do calendário judaico. Para os fiéis, é um período de expiação e arrependimento, marcado por jejum completo e práticasascéticas, além de longos serviços de oração e confissão de pecados.
Os britânicos já vinham expressando preocupações com o aumento de atos de vandalismo contra sinagogas e de comentários antissemitas, tanto online quanto presencialmente, em razão da guerra e genocídio na Faixa de Gaza. Grupos de segurança judaicos, como o Community Security Trust, haviam emitido alertas no início do verão, recomendando que os judeus "fiquem vigilantes e sigam as rigorosas medidas de segurança em vigor em edifícios, eventos e áreas comunitárias", como manter portas trancadas quando não estiverem em uso, realizar varreduras de segurança e evitar aglomerações do lado de fora de edifícios comunitários.
Ataque A polícia foi chamada à Sinagoga da Congregação Hebraica de Heaton Park às 9h31 (2h da manhã no horário de verão britânico) de 2 de outubro de 2025, após ligações relatarem que um motorista havia atropelado pedestres e começado a esfaquear pessoas. Policiais de Manchester rapidamente classificado o caso como incidente grave e chegaram ao local em sete minutos, matando o suspeito a tiros às 9h38. Moradores da região relataram ter visto um homem armado com uma faca saltar de um carro em movimento, conduzido de forma imprudente, e atacar pessoas; outros testemunharam vítimas sangrando no chão. Os fiéis estavam reunidos para um culto de Yom Kippur, iniciado às 9h. Testemunhas dentro da sinagoga elogiaram o rabino por trancar os fiéis no interior, mantendo o agressor do lado de fora, antes de conduzi-los a um local seguro.
Equipes armadas foram mobilizadas às 9h34. Às 9h37, a Polícia da Grande Manchester iniciou a Operação Platão, protocolo usado em resposta a suspeitas de ataques terroristas. Um minuto depois, às 9h38, policias armados dispararam contra o agressor, que foi morto no local, após relatos de que havia atacado um segurança com uma faca. O incidente foi formalmente classificado como ataque terrorista mais tarde naquele dia.
Os paramédicos chegaram às 9h41 e prestaram atendimento a quatro pessoas feridas, tanto pelo atropelamento quanto pelas facadas.
Por volta do meio-dia, uma unidade antibombas foi enviada ao local, após suspeitas de que o agressor utilizava um cinto suicida. A polícia informou que não pôde confirmar de imediato se o suspeito estava morto até a conclusão da inspeção. Às 13h23, foi relatada uma explosão controlada. Posteriormente, investigadores concluíram que o dispositivo era "inviável".
A presença policial foi reforçada em todas as sinagogas da Grande Manchester imediatamente após o ataque.
Vítimas Três pessoas morreram no ataque, incluindo o suspeito, um homem que foi baleado pela polícia. As autoridades confirmaram que as duas vítimas eram judias. Outras cinco pessoas ficaram feridas, quatro delas hospitalizadas em estado grave.
Investigação O chefe nacional da polícia antiterrorista anunciou que o ataque estava a ser tratado como um incidente terrorista e que duas pessoas, além do agressor, haviam sido presas. Mais tarde, em uma coletiva de imprensa, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que o agressor tinha como alvo "judeus porque eles são judeus" e declarou que o Reino Unido deve enfrentar esse ódio crescente.
Os investigadores informaram que ainda tentavam localizar e examinar todos os dispositivos electrónicos do suspeito, em busca de pistas sobre o que o radicalizou, e que consideravam a hipótese de "um motivo islâmico", mas também procuravam provas que pudessem confirmar ou refutar essa teoria".
Reações O primeiro-ministro Keir Starmer retornou de uma reunião de líderes da Comunidade Política Europeia, em Copenhaga, para presidir uma reunião de emergência do COBR. Ele também afirmou que "recursos policiais extras" seriam enviados para sinagogas em todo o país devido ao ataque. A secretária do Interior, Shabana Mahmood, repetiu isso, dizendo que o governo "fará o que for necessário para manter nossa comunidade judaica segura". O prefeito de Londres, Sadiq Khan, também anunciou que haveria um "aumento das patrulhas nas comunidades judaicas e sinagogas em Londres" pela Polícia Metropolitana. O prefeito de Manchester, Andy Burnham, elogiou a resposta rápida da Polícia da Grande Manchester e levantou preocupações sobre o medo e a tristeza causados pelo ataque, ao mesmo tempo em que disse que a cidade não permitiria "divisão em nossas comunidades".
O rei Carlos III e a rainha Camilla expressaram choque e tristeza, descrevendo o incidente como "horrível" e reconhecendo seu impacto em "um dia tão significativo para a comunidade judaica", oferecendo pensamentos e orações aos afetados e elogiando as ações rápidas dos serviços de emergência. O príncipe Guilherme e a princesa Catarina expressaram sentimentos semelhantes, também observando a importância do Yom Kippur e reconhecendo os esforços dos socorristas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expressou simpatia, dizendo que "Israel lamenta com a comunidade judaica no Reino Unido após o bárbaro ataque terrorista em Manchester", acrescentando "como avisei na ONU: a fraqueza face ao terrorismo só traz mais terrorismo. Só a força e a unidade podem derrotá-lo."
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa'ar, acusou as autoridades britânicas de não fazerem o suficiente para conter o crescente antissemitismo na Grã-Bretanha, alegando que "a incitação antissemita e anti-israelita flagrante e desenfreada" se tinha tornado comum.
Líderes da comunidade cristã e muçulmana britânica condenaram o ataque e ofereceram orações e apoio ao povo judeu no Reino Unido.
A Anistia Internacional expressou tristeza pelos acontecimentos, classificando-os como um “ato horrível de violência que tirou a vida a duas pessoas inocentes e feriu muitas mais”.
Horas após o ataque à sinagoga, houve manifestações pró-palestinas no centro da cidade de Manchester. Segundo o Telegraph, houve manifestantes que pareceram apáticos ao incidente no início do dia, com uma mulher dizendo que "não dá a mínima" para a comunidade judaica.
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