O financiamento climático no Maranhão corresponde ao conjunto de mecanismos de financiamento climático disponíveis no estado brasileiro do Maranhão, englobando os estados, os advindos do governo federal, de outros estados e os do exterior, com a finalidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa e adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas.

Localizado na Região Nordeste do Brasil, o Maranhão fica numa zona de transição entre os biomas do Cerrado, Amazônia e Caatinga e contribui relevantemente para a emissão de gases do efeito estufa - segundo a ferramenta SEEG Brasil, que monitora emissões setorizadas, foi em 2023 o 3º estado no ranking de emissões por estado no Brasil. É também um dos estados com maior taxa de desmatamento do Brasil, por vezes chegando a liderar o ranking.

As consequências das mudanças climáticas no estado poderão incluir aumento de temperatura e diminuição das chuvas, com impacto na agricultura, na disponibilidade de água própria para o consumo humano e até na preservação do patrimônio histórico local, entre outros impactos.

Para fazer frente às mudanças climáticas, o governo estabeleceu planos e metas, apesar de ainda não ter documentos similares a que outros estados apresentaram. Nos níveis federal, interestadual e internacional, o Maranhão tem buscado cooperação, repasses e financiamentos para apoiar iniciativas suas e conjuntas, inclusive em eventos focados no assunto como as COPs.

Contexto ambiental no Maranhão thumb|Queimada na Terra Indígena Porquinhos em 2017 em Grajaú. O Maranhão fica numa zona de transição entre os biomas do Cerrado (64,1% do território), Amazônia (34,8%, abrangendo 62 municípios) e Caatinga (1,1%). Segundo um estudo de 2011, existem mais de 640 espécies de aves, sendo que ao menos 122 delas podem se perder por conta da degradação da Amazônia no estado.

A biodiversidade da porção maranhense da Amazônia corresponde a 26% do bioma total. Em 2022, essa porção perdeu 245 km² de cobertura florestal em decorrência de queimadas e exploração ilegal de madeira. Ao mesmo tempo, mais de 95% das queimadas ocorrem no cerrado.

A cobertura vegetal do Maranhão é monitorada pelo Governo Federal por meio de dois instrumentos: o PRODES, do INPE; e o PMDBBS, do IBAMA, que juntos cobrem 95% do território do estado. Até 2009, elas haviam computado 43% de vegetação nativa convertida em outras finalidades do solo. Contribuíram para esse desmatamento a pecuária, a agricultura, o extrativismo vegetal, a mineração e atividades industriais como siderurgia, madeireira e construção civil.

É um dos estados mais atingidos por queimadas no Brasil; ficando entre o 3º e o 5º lugares no ranking nacional de estados por número de focos de queima no período 2006-2010. A exemplo de quase todos os estados, teve redução de formação florestal entre 1985 a 2023 (da ordem de 27%). Junto com o Mato Grosso e o Pará, foi responsável por quase metade da área queimada no Brasil entre 1985 e 2023.

No início de 2025, era um dos 8 estados (incluindo o Distrito Federal) que não dispunha de um plano de adaptação às mudanças climáticas. Até outubro de 2023, o Maranhão também não tinha uma meta de redução de emissões, tampouco um inventário de emissões de gases do efeito estufa. Num estudo sobre a transparência dos estados da Amazônia sobre crimes ambientais, o Maranhão foi avaliado como tendo qualidade baixa, por conta da ausência e inconsistência de dados.

Apresentava, contudo, uma Política de Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal, da Conservação dos Estoques de Carbono Florestal, do Manejo Sustentável de Florestas e do Aumento de Estoques de Carbono Florestal (REDD+), da Gestão dos Ativos Ambientais e do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Em fevereiro de 2025, era um dos estados elegíveis para o REDD+ (status atingido em novembro de 2021), porém, apesar de ter uma Política de Mudanças Climáticas, ela não estava em revisão (a exemplo de quase todas as outras unidades federativas), e o tampouco dispunha de um Plano de Contingência da Defesa Civil, como outros 10 estados.

O Maranhão registrou, em 2021, emissões de 16,4 toneladas por habitante. Em 2023, liderou as emissões de CO2 líquido pela agropecuária, junto com a Bahia. O estado chegou a registrar queda acumulada de 61% nas emissões entre 2003-2021, porém de 2021-23 teve um aumento de 121%. A capital São Luís é, segundo dados de 2025, a segunda cidade com a maior taxa de emissão de CO2 no norte do Brasil, com 1508 kg de CO2 por habitante; só a região portuária chegou a emitir até 110% mais do que o permitido pelo Conama. Por outro lado, é a que apresenta melhores números de recuperação de materiais recicláveis.

No campo das energias renováveis, conforme dados do próprio governo, o estado tem grande potencial por conta dos ventos intensos e da irradiação alta, mas essas energias correspondiam a apenas 7% da matriz elétrica do Maranhão (2024), com o local ainda muito dependente de termoelétricas.

Impacto das mudanças climáticas no Maranhão + Registros de desastres no Maranhão (2000–2023) Tipo de desastre Porcentagem Inundações 31% Estiagem/seca 26% Chuvas intensas 18% Enxurradas 14% Outros 10% Nº de pessoas afetadas: 3,12 milhões

Por ser ecologicamente diverso, o Maranhão é afetado por diferentes fatores climáticos que, combinados com a ação humana, resultam em problemas sociais e ambientais passíveis de ações de mitigação e adaptação.

Para as populações das regiões costeiras, incluindo a capital São Luís, o risco vem da erosão e do aumento do nível do mar. Já para os ribeirinhos, existe a contaminação da água doce. O agronegócio e a atividade mineradora impõe pressões sobre as populações indígenas. As interações entre essas diferentes populações por vezes resultam em conflitos agrários, colocando o Maranhão em terceiro lugar entre os estados com mais disputas do tipo, com destaque para as que envolvem quilombolas. Esses conflitos estão ligados ao uso incorreto e desordenado de recursos naturais. O governo buscou medidas para mitigar o problema, como órgãos de prevenção e combate a essas violências.

São Luís e Porto Rico do Maranhão foram apontadas em estudo da Fiocruz de 2016 como as cidades mais bem adaptadas para enfrentar as mudanças climáticas no estado, enquanto que Marajá do Sena seria a última no ranking.

Um estudo de 2025 indicou que mulheres, pessoas negras e indígenas em São Luís possuem proporcionalmente menor acesso a direitos como saneamento básico, moradia segura e água potável, e são mais vulneráveis às mudanças climáticas.

No clima e na temperatura thumb|Uma enchente em Itapecuru Mirim em 2009. Um estudo da UFMA revelou que o Maranhão tem ficado mais quente (0,9 °C de aumento na temperatura média por ano) e seco (queda de 600mm no índice anual de chuvas) nos últimos 60 anos, e que a situação não deve melhorar pelos próximos 25-50 anos.

Pelo contrário, as cidades no local devem ficar cada vez mais quentes e secas até 2070. Na média, o aumento projetado na temperatura é de 3-5 °C e a diminuição de chuva seria de 30%.

As regiões centro-oeste e norte podem ser as mais atingidas pela diminuição do volume de chuvas; projeta-se um aumento de mais de 5 °C e uma diminuição de até 32% no volume de chuvas previstos na porção oeste. O litoral, por sua vez, teria os menores aumentos, entre 2,8 °C e 3,3 °C. A capital São Luís poderá sofrer 3,1 °C de aumento entre 2016 e 2040 e queda de 30,3% no volume de chuvas, bem como aumento de 65,4% na quantidade de dias seguidos sem chuvas. Outro estudo sugere que as regiões leste e sul podem ser as mais afetadas pela degradação ambientel. Outro estudo, divulgado em evento no MPMA, aponta para um aumento de até 5,4 °C e diminuição de até 32% nas chuvas na região oeste até 2070; e aumento de até 4,8 °C na porção central.

Chuvas intensas, combinadas com o desmatamento, aumentam a incidência de voçorocas; em Buriticupu, mais de 50 casas já foram tragadas por esse fenômeno até 2025.

+ Mudanças climáticas no Maranhão por região (UFMA) Região Temperatura (°C) Precipitação (mm) Norte +1,1 -173,1 Sul +1,0 -98,7 Leste +1,6 +11,4 Oeste +0,9 -41,4

Nos recursos hídricos O Maranhão é o estado do Nordeste brasileiro com mais recursos hídricos, tendo 11 bacias, seis sistemas hidrográficos e quase 4 mil poços outorgados. Por outro lado, além da alta poluição, tem o maior índice de perda de água na mesma região.

A qualidade da água superficial no Maranhão pode ser comprometida pela falta de saneamento básico, pelo despejo de esgotos domésticos e rejeitos industriais, pelo uso intensivo de insumos agrícolas próximo às margens dos rios, pelo desmatamento e pela erosão dos solos. Pode haver falta de água para uso na agricultura também.

Na economia Um estudo de 2016 da Fiocruz sugere que as atividades de pesca, pecuária, agricultura, extração de madeira e babaçu podem ser impactadas pelas mudanças climáticas se não forem adotadas estratégias de adaptação à mudança do clima.

Na agricultura Responsável por cerca de 1/4 do PIB do Maranhão, o agronegócio pode ser fortemente impactado pelas mudanças climáticas, embora algumas soluções de mitigação tenham sido propostas. A pecuária, especificamente, sofre com longas estiagens que reduzem a quantidade de pasto disponível e força o uso de suplementação, de custo mais elevado, segundo dados da secretaria estadual do setor. No caso das culturas, o milho e a soja, principais produtos do estado, têm sofrido queda de produtividade (até 15% no caso da soja). Projeta-se uma perda de até R$ 2 bilhões/ano em produção agrícola e pecuária.

Dentre as soluções encontradas para mitigar e se adaptar a isso, estão sistemas de irrigação inteligentes, cultivares resilientes à seca e manejo sustentável do solo, com rotatividade de culturas e plantio direto.

Um estudo da Plan International Brasil indicou que as mudanças climáticas podem aumentar a insegurança alimentar de comunidades na região de Codó, a exemplo de outras pelo mundo.

No patrimônio histórico thumb|esquerda|Uma rua no centro histórico de São Luís, onde edificações poderão ter sua estrutura comprometida pelo aumento do calor e da umidade As mudanças climáticas ameaçam o patrimônio histórico da capital São Luís, incluindo os sítios do Físico e o Piranhenga e o Centro Histórico, cujos casarões podem ter sua estrutura comprometida pelo calor e umidade, bem como pelos cupins atraídos justamente por essas condições.

Histórico de iniciativas e metas internas Em 2020, o governo estadual planejava criar comitês de bacias hidrográficas em diversos municípios, e esperava combater a desertificação e diminuir a degradação do solo até 2030, além de reativação do Fórum Maranhense de Mudanças do Clima.

O Maranhão assinou decreto em 2021 regulamentando a política local de REDD+, além do seu plano de descarbonização no ano seguinte. No mesmo ano, aprovou o Plano Estadual de Recursos Hídricos.

Em 2024, o governo publicou o Plano Estratégico de Longo Prazo Maranhão 2050, que trouxe dados de diversos aspectos da unidade federativa e estabeleceu metas, inclusive ambientais. O documento mostrou que o estado tem cerca de 7 milhões de hectares de áreas degradadas recuperáveis, o que poderia gerar aproximadamente 3 milhões de empregos e quase R$ 1 bilhão em créditos de carbono (tanto para 2016-2020 quanto para o futuro).

Também em 2024, o estado apresentou o seu Plano ABC+ (um dos 11 que o fizeram até setembro daquele ano), com metas como "fomentar a expansão de áreas com sistemas irrigados em 250.000 hectares", "aumentar o abate de bovinos oriundos de terminação intensiva em 350.000 animais" e "incentivar o tratamento de 160.000 m3 de dejetos de animais e resíduos agroindustriais".

Em março de 2025, o Tribunal de Justiça do Maranhão anunciou um plano de descarbonização para o período 2025-2030.