Manuel de Castro Alcoforado (c. 1478 - c. 1535), senhor da vila de Aguieira e de metade de Mourisca, foi um fidalgo e militar português dos séculos XV e XVI, que teve papel determinante na descoberta do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em 1511.
Biografia
Nasceu cerca do ano de 1478, filho primogénito do primeiro casamento (ocorrido no ano de 1477) de Gonçalo Vaz Alcoforado, senhor da Torre de Alcoforado, com D. Ana de Castro, filha de Fernão de Castro, alcaide-mor de Melgaço e Castro Laboreiro, e de D. Joana de Azevedo, da casa dos senhores de São João de Rei.
Foi herdeiro da casa paterna, sendo assim 7.º senhor do morgado de Bustelo, que incluía a Torre de Alcoforado, e também senhor das vilas de Aguieira e (metade de) Mourisca.
Logo a 15 de fevereiro de 1498, quando tinha cerca de 20 anos de idade, seu pai, Gonçalo Vaz Alcoforado, fidalgo da Casa Real, e morador na Torre de Farazão, no julgado de Refoios, fez-lhe uma procuração para receber de qualquer almoxarife ou recebedor 8 mil réis que tinha de tença, em cada ano.
Essa tença paterna foi-lhe várias várias vezes confirmada por documentos régios, nomeadamente nos anos de 1517, 1522 e 1529.
Porém, seu pai casaria pela segunda vez, provavelmente pouco depois do ano de 1500, com D. Margarida de Sousa de Meneses (Ponte da Barca, 1482 - depois de 2 de junho de 1540), da casa dos senhores de Francemil. Sendo que parte dos bens do seu morgadio, nomeadamente a Torre de Alcoforado, acabaria por ser transmitida a esta sua segunda mulher e depois a um dos filhos deste casamento (meio irmão, assim, de Manuel de Castro Alcoforado), chamado António de Sousa Alcoforado, em cujos descendentes seguiria a posse da Torre.
Manuel de Castro Alcoforado fez carreira militar, tendo prestado serviço no Estado da Índia, onde foi capitão de uma das naus da Armada da Índia comandada por D. Garcia de Noronha, no ano de 1511.
Durante a viagem, teve papel determinante na descoberta acidental do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em virtude de a caravela "São Pedro", sob o seu comando, navegando em mar aberto, em noite fechada, ter ficado encalhada, no dia 20 de abril de 1511, sobre um dos rochedos desse arquipélago. A tripulação foi resgatada por outra caravela da mesma esquadra, a "São Paulo", do capitão Jorge de Brito, tendo o episódio dado o nome aos rochedos.Ilhas do Brasil: Uma terra incógnita e cobiçada. O Globo, 13 de outubro de 2008, p. 24.
Fez a torna viagem de regresso a Portugal em 1512.
E, em 11 de março de 1515, tornou-se cavaleiro professo da Ordem de Cristo.
Em recompensa dos seus serviços, obteve uma tença da coroa no montante de 20 mil reais, que lhe seria confirmada várias vezes, juntamente com seu hábito na Ordem de Cristo, nomeadamente nos anos de 1528, 1529 e 1532, por provisões do rei D. João III, feitas ou diretamente pelo monarca, ou pelo seu vedor da Fazenda, o conde de Penela.
O último documento régio conhecido que se lhe refere data do ano de 1534, sendo provável que tenha falecido pouco depois dessa data.
Casamento e descendência
Do seu casamento com D. Beatriz (ou Brites), Pinheiro, filha natural de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal e Primaz das Índias, teve geração, três filhos, sendo que dois deles (D. Martim Pinheiro, Prior e comendador do Mosteiro de São Simão da Junqueira, e Frei Diogo de Santo André, Provincial de São Francisco) seguiram a carreira eclesiástica, tendo a sua casa sido herdada pelo primogénito: Lourenço de Castro Alcoforado, senhor de toda a casa paterna, nomeadamente das vilas de Aguieira e Mourisca, e da quinta e casa do Faial, em Abade de Neiva, com a muita antiga comenda de Cabo Monte, originariamente da Ordem dos Templários e depois da Ordem de Cristo, a essa quinta associada. Casou com D. Maria Soares, filha de Felipe Carneiro com D. Filipa Soares (que era irmã de D. João Soares, 3.º conde de Arganil e bispo de Coimbra). Do casamento foi filho primogénito: Manuel de Castro Alcoforado (ou Castro Pinheiro). Casou com D. Maria Toscano, filha de Pantaleão dos Santos, Fidalgo da Casa Real (que, depois de viúvo, se fez clérigo e nessa qualidade foi provisor da cidade do Porto), e de sua mulher D. Francisca de Magalhães, bisneta de Diogo Cão e sobrinha - bisneta de Fernão de Magalhães, instituidora de morgadio no ano de 1574, etc. Deste casamento nasceu uma única filha: D. Ângela de Castro Alcoforado, que herdou toda a casa paterna e materna; casou, c. 1615, com D. Manuel de Azevedo e Ataíde, senhor das honras e quintas de Barbosa e Ataíde (são os pais de D. Francisco de Azevedo e Ataíde, em cujos descendentes da família Ataíde Azevedo e Brito Malafaia seguiria a antiga casa dos Castro Alcoforado, até à extinção dos morgadios em Portugal, no ano de 1863).
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