Le Père de famille é um drama burguês em cinco atos e em prosa de Diderot, escrito em 1758. A edição original da peça foi acompanhada de um Discurso sobre a poesia dramática, ensaio de Diderot sobre o teatro.

A peça estreou em Marselha em pela companhia de Jean-Baptiste Sarny, antes de ser representada em Paris em pelos Comédios Franceses no teatro da rua des Fossés Saint-Germain.

A primeira representação de Le Père de famille marca os primórdios do drama burguês no palco francês. Diderot não escondia a estima que tinha por sua peça e as grandes esperanças que nela depositava. Le Père de famille deveria criar um novo gênero, que seria o mais amplo, o mais fecundo, o único verdadeiro: o gênero sério e honesto. Diderot pretendia ter se retratado no caráter de Saint-Albin e recontado a história de sua paixão por sua esposa quando ela ainda era mademoiselle Champion.

Personagens Monsieur d’Orbesson, o pai de família Monsieur le Commandeur d’Auvillé, cunhado do pai de família Cécile, filha do pai de família Saint-Albin, filho do pai de família Sophie, uma jovem desconhecida Germeuil, filho do falecido Monsieur de***, amigo do pai de família Monsieur Le Bon, administrador da casa Mademoiselle Clairet, camareira de Cécile La Brie e Philippe, criados do pai de família Deschamps, criado de Germeuil Criados da casa Madame Hébert, hospedeira de Sophie Madame Papillon, vendedora de artigos de toucador Uma das costureiras de madame Papillon M. ***, pobre envergonhado Um camponês Um oficial de justiça

Enredo Monsieur d’Orbesson, viúvo, tem dois filhos. Seu filho, Saint-Albin, deseja se casar com Sophie, uma modesta operária de origem desconhecida. Seu pai, Monsieur d’Orbesson, opõe-se ao projeto, e seu tio, o comendador d’Auvillé, muito conservador, tenta internar Sophie num convento.

Sua filha, Cécile, mantém um relacionamento com Germeuil, filho de um amigo de seu pai, que lhe pede para esconder Sophie em sua casa.

Quando d’Auvillé encontra Sophie, percebe que ela é sua sobrinha. Com as origens de Sophie agora conhecidas e respeitáveis, Monsieur d’Orbesson já não se opõe ao casamento de seu filho. E Cécile pode se casar com Germeuil.

Recepção Na sua estreia parisiense, Le Père de famille teve oito representações. Segundo testemunhos da época, o talento dos intérpretes, Gaussin e Préville, não foi alheio a esse sucesso. Quando Le Père de famille caiu diante da indiferença do público, Diderot não se conformou com sua retirada dos cartazes, afirmando por toda parte que estava convencido da excelência de sua obra. Quando Le Père de famille voltou aos palcos em 1770, obteve um sucesso estrondoso e permaneceu no repertório até a Revolução e o Império. Contudo, na reprise solene da peça em 1811 pela Comédie-Française, foi vaiada.

Essa peça provocou controvérsia quando Fréron e depois Palissot acusaram os três primeiros atos de Le Père de famille de serem um plágio da peça homônima de Carlo Goldoni. Este, contudo, que assistiu a uma representação em Paris, refutou a acusação em suas MemóriasVoir : Mémoires de Goldoni pour servir à l'histoire de sa vie, et à celle de son théâtre, Ponthieu, 1822. Suite de la , .. A peça foi também parodiada, sinal de sua notoriedade: Jean Nougaret, La famille en désordre, escrita entre 1758 e 1763.Voir Les Spectacles de Paris, Paris, 1767, p. 112. Poinsnet de Sivry, Le père Cassandre, 1761. Peça encenada na Ópera Cômica em 10 de março de 1761;Voir Les Spectacles de Paris, Paris, 1767, p. 114.

Quando a peça se tornou conhecida no exterior, os alemães elogiaram seu grande naturalismo, e críticos como Lessing a utilizaram para desenvolver suas teorias em favor de uma literatura nacional. Otto Heinrich von Gemmingen-Hornberg escreveu em 1779 uma imitação da peça em alemão, intitulada Der deutsche Hausvater.Der deutsche Hausvater, Schauspiel, 1779 (online); Roland Mortier, Diderot en Allemagne, ; Journal de Paris, 7 maio 1784, .

O Discurso sobre a poesia dramática Com Le Père de famille, que prolonga sua atividade dramatúrgica, Diderot esperava regenerar o teatro de sua época. Assim, à semelhança dos Entretiens sur Le Fils naturel, que acompanhavam sua primeira peça, Le Père de famille foi publicado com um tratado sobre a poesia dramática.

Notas e referências

Bibliografia Diana Guiragossian Carr, « Le Père de famille et sa descendance anglaise », Enlightenment Studies in Honour of Lester G. Crocker, Oxford, Voltaire Foundation, 1979, Henri Coulet, « Le Père de Famille à Marseille en 1760 », in Yves Giraud (éd.), La vie théâtrale dans les Provinces du Midi, Paris, J.-M. Place, 1980, p. 201-207. Anne-Marie Chouillet, « Dossier du Fils naturel et du Père de famille », Studies on Voltaire and the Eighteenth Century, 1982, , Raymond Joly, « Entre Le Père de famille et Le Neveu de Rameau : conscience morale et réalisme romanesque dans La Religieuse », Studies on Voltaire and the Eighteenth Century, 1972, 1972, nº 88, Lancaster H. Carrington, « The cast and the reception of Diderot’s Père de Famille », Modern Language Notes, junho 1954, nº 69 (6), Hans-Ulrich Seifert, « Sade lecteur et metteur en scène du Père de famille », Colloque International Diderot (1713-1784), Paris, Aux Amateurs de Livres, 1985, E. P. Shaw, « An unpublished letter of Moncrif concerning Diderot’s Père de Famille », Modern Language Notes, junho 1952, Jean Varloot, « Poète et père de famille », Recherches sur Diderot et sur l’Encyclopédie, out. 1986, nº 1, Richard P. Whitmore, « Two Essays on Le Père de famille », Studies on Voltaire and the Eighteenth Century, 1973, nº 116,

Ligações externas

Le Père de famille no Gallica. Le Père de famille e suas representações no site CÉSAR

Categoria:Peças de teatro da França