Gregório das Neves Leitão (Barcarena, 8 de Dezembro de 1718 — local e data desconhecidos) foi um mestre canteiro português do período Barroco e Rococó, ativo sobretudo nas regiões do Alentejo e da Estremadura. Notabilizou-se pelo domínio da cantaria em mármore policromo, tendo executado parte significativa dos projetos do arquiteto José Francisco de Abreu e participado na construção de obras de relevo como o Palácio Nacional de Queluz.
Biografia Gregório das Neves Leitão nasceu em Barcarena, concelho de Oeiras, em 8 deDezembro de 1718, filho de Francisco das Neves (ferreiro, natural de Serpa) e de Catarina da Silva (natural de Barcarena). Foi batizado a 8 de dezembro do mesmo ano.Cabeças, Mário Zacarias (2012). As Oficinas Artísticas em Elvas no Século XVIII. Universidade de Lisboa, vol. I, pp. 93-96.
Aprendeu o ofício de canteiro ainda jovem em Barcarena, mudando-se por volta de 1739 para o Alentejo, onde exerceu atividade em Portalegre. Com apenas 21 anos, firmou contrato com religiosos do Convento de São Bernardo para execução de uma obra de cantaria.Cabeças, Mário Zacarias (2012). As Oficinas Artísticas em Elvas no Século XVIII, Universidade de Lisboa, vol. I, p. 122.
Casou-se em Elvas, a 21 de agosto de 1745, com D. Dionísia de Sande. O casal teve vários filhos, entre os quais Luís, Francisco Xavier de Sande (n. 1749), Ana (n. 1751), Maria (n. 1753), José das Neves Leitão (n. 1755), Nicolau (n. 1757), Bernardo (n. 1759), Joaquim (n. 1762) e Dionísia (n. 1765).Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Habilitação de Familiar do Santo Ofício de Gregório das Neves Leitão, 1770.
Em 1746, Gregório e sua esposa foram admitidos como irmãos na Confraria das Almas e na Irmandade das Chagas de Elvas, evidenciando a sua integração na elite artesanal e devocional da cidade. centro|750x750px|Representação genealógica elaborada por Osvaldo Beirão. A investigação documental e o mapeamento da linhagem foram realizados pelo autor, na qualidade de descendente direto de Gregório das Neves Leitão.|alt=Árvore Genealógica de Gregório das Neves Leitão
Carreira e obra Entre 1743 e 1752, Gregório das Neves Leitão fixou residência em Elvas, onde executou múltiplos contratos de cantaria, incluindo remodelações de capelas e fachadas religiosas. Em 1752, colaborou nos trabalhos do Palácio Nacional de Queluz, sendo responsável pela cantaria da fachada principal do torreão central, com colunas, pilastras e balaustradas em mármore.
Em Setembro de 1755, transferiu-se para Vila Viçosa, acompanhando o arquiteto José Francisco de Abreu nas obras de cantaria encomendadas para conventos e igrejas locais. A parceria foi interrompida em 1757 pela morte de Abreu, mas Gregório continuou ativo e assumiu diversas obras independentes.
Obras conhecidas Retábulo do Convento de Santa Maria dos Agostinhos Descalços de Portalegre (1757).Campino, Carlos Filipe (2015). Los Mármoles del Alto Alentejo en el Patrimonio Religioso del Siglo XVIII. Universidad de Salamanca, p. 233. Igreja de Nossa Senhora da Graça (Elvas) (1758): execução do retábulo da capela-mor e das capelas laterais do cruzeiro.SIPA – Sé de Elvas. Igreja de Nossa Senhora da Lapa (Vila Viçosa) (1759-1780): obra integral de cantaria e revestimento marmóreo.SIPA – Igreja de Nossa Senhora da Lapa. Igreja da Misericórdia de Évora (1764): contrato de execução da portada principal e dos elementos em mármore celebrada com a Irmandade local.Campino, Carlos Filipe (2014). O Património Edificado em Vila Viçosa no Século XVIII, ISCTE-IUL, pp. 121-123.
As suas obras são reconhecidas pelo uso de mármores policromos — mármore branco, Ruivina (escuro) e Lioz (avermelhado) — refletindo o gosto regional alentejano e o virtuosismo técnico da cantaria portuguesa do século XVIII.
Habilitação no Santo Ofício Em 1770, Gregório das Neves Leitão foi agraciado com o título de Familiar do Santo Ofício. O processo de habilitação, preservado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, inclui inquirições de “limpeza de sangue” e testemunhos de vizinhos e oficiais sobre sua reputação moral e religiosa.
Legado Gregório das Neves Leitão é considerado um dos mais competentes mestres canteiros portugueses do século XVIII. A sua produção reflete o equilíbrio entre a tradição barroca e o refinamento rococó, e representa uma das expressões mais notáveis da arte da cantaria marmórea no sul de Portugal. O seu nome está associado à consolidação de uma estética regional própria, visível em Vila Viçosa, Elvas, Évora e Queluz.
Origem e compilação do artigo O presente estudo resulta da investigação genealógica conduzida por Osvaldo Beirão. Investigador de linhagens familiares, o autor descende diretamente de Maria Rita Neves, bisneta de Gregório das Neves Leitão. A pesquisa baseou-se em fontes arquivísticas e académicas portuguesas, incluindo o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, o SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, o Repositório da Universidade de Lisboa e o Repositório do ISCTE-IUL. O objetivo desta compilação é contribuir para o estudo biográfico e artístico de Gregório das Neves Leitão e para a preservação da memória das famílias ligadas à tradição da cantaria e do mármore no século XVIII em Portugal.
Ver também José Francisco de Abreu Palácio Nacional de Queluz Arquitetura barroca em Portugal Rococó em Portugal
Referências
Ligações externas As Oficinas Artísticas em Elvas no Século XVIII – Mário Zacarias Cabeças (ULisboa) O Património Edificado em Vila Viçosa no Século XVIII – Carlos Campino Filipe (ISCTE) Igreja de Nossa Senhora da Lapa – SIPA Sé de Elvas – SIPA
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