Neoinstitucionalismo histórico é uma abordagem institucionalista das ciências sociaisSteinmo, Sven (2008). "Historical institutionalism". In Della Porta, Donatella; Keating, Michael (eds.). Approaches and Methodologies in the Social Sciences. pp. 118–138. doi:10.1017/cbo9780511801938.008. ISBN 9780511801938. que enfatiza como o tempo, as sequências e a dependência da trajetória afetam as instituições e moldam o comportamento e a mudança social, política e econômica.Voeten, Erik (2019). "Making Sense of the Design of International Institutions". Annual Review of Political Science. 22 (1): 147–163. doi:10.1146/annurev-polisci-041916-021108. ISSN 1094-2939Farrell, Henry; Newman, Abraham L. (2010). "Making global markets: Historical institutionalism in international political economy". Review of International Political Economy. 17 (4): 609–638. doi:10.1080/09692291003723672. ISSN 0969-2290 Diferentemente da teoria da escolha racional, que pretende identificar leis gerais a partir de um grande número de casos, o neoinstitucionalismo propõe pesquisas com base na comparação de poucos casos, analisando os efeitos de uma combinação de variáveis que são afetadas pelos legados históricos, e que limitam as possibilidades dos atores e condicionam sua ação.ARRETCHE, Marta. A agenda institucional. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 22, p. 147-151, 2007.ARRETCHE, Marta. Democracia, federalismo e centralização no Brasil. SciELO-Editora FIOCRUZ, 2012. Uma conjuntura crítica pode desencadear eventos difíceis de reverter, devido a questões relacionadas à dependência da trajetória.Pierson, Paul (2000). "Increasing Returns, Path Dependence, and the Study of Politics". American Political Science Review. 94 (2): 251–267. doi:10.2307/2586011. hdl:1814/23648. ISSN 0003-0554Steinmo, S; Thelen, K; Longstreth, F, eds. (1992), Structuring Politics: Historical Institutionalism in Comparative Analysis, New York: Cambridge University Press.Capoccia, Giovanni; Kelemen, R. Daniel (2007). "The Study of Critical Junctures: Theory, Narrative, and Counterfactuals in Historical Institutionalism". World Politics. 59 (3): 341–369. doi:10.1017/S0043887100020852. ISSN 1086-3338Thelen, Kathleen; Conran, James (2016). Fioretos, Orfeo; Falleti, Tulia G.; Sheingate, Adam (eds.). Institutional Change. Vol. 1. Oxford University Press. doi:10.1093/oxfordhb/9780199662814.013.3. ISBN 978-0-19-966281-4. Os institucionalistas históricos tendem a se concentrar na história (horizontes temporais mais longos) para entender por que eventos específicos acontecem.Katznelson, Ira (2007). Preferences and Situations : Points of Intersection Between Historical and Rational Choice In. Russell Sage Foundation. pp. 1–26. ISBN 978-1-61044-333-3.
O termo "institucionalismo histórico" começou a aparecer em publicações no início da década de 1990, embora já tivesse sido usado no final da década de 1980.Mahoney, James (2017). "Shift Happens: The Historical Institutionalism of Kathleen Thelen". PS: Political Science & Politics. 50 (4): 1115–1119. doi:10.1017/S1049096517001494. ISSN 1049-0965 Os acadêmicos institucionalistas históricos mais citados são Peter Hall, Paul Pierson, Theda Skocpol, Douglass North e Kathleen Thelen.Blyth, Mark; Helgadottir, Oddny; Kring, William (2016-05-02). Fioretos, Orfeo; Falleti, Tulia G; Sheingate, Adam (eds.). "Ideas and Historical Institutionalism". Oxford Handbooks Online. doi:10.1093/oxfordhb/9780199662814.013.8 Trabalhos proeminentes de estudos institucionais históricos usaram métodos sociológicos e racionalistas."Historical Institutionalism and International Relations". E-International Relations. 16 April 2012. Retrieved 2020-03-05.Hall, Peter A.; Taylor, Rosemary C. R. (1996). "Political Science and the Three New Institutionalisms". Political Studies. 44 (5): 936–957. doi:10.1111/j.1467-9248.1996.tb00343.x. hdl:11858/00-001M-0000-0012-59C1-5. ISSN 0032-3217 Devido ao foco em eventos que envolvem complexidade causal (equifinalidade, efeitos de interação complexos e dependência de caminho),George, Alexander L.; Bennett, Andrew (2005). Case Studies and Theory Development in the Social Sciences. MIT Press. ISBN 978-0-262-30307-1. Gerring, John (2007). Case Study Research: Principles and Practices. Cambridge University Press. pp. 61–62. ISBN 978-0-521-85928-8. os trabalhos institucionalistas históricos tendem a empregar estudos de caso comparativos detalhados.Pierson, Paul (1993). "When Effect Becomes Cause: Policy Feedback and Political Change". World Politics. 45 (4): 595–628. doi:10.2307/2950710. ISSN 0043-8871. JSTOR 2950710. S2CID 154900007
O antigo e o novo institucionalismo Kathleen Thelen e Sven Steinmo contrastam o novo institucionalismo com o “velho institucionalismo", que se concentrava predominantemente em narrativas detalhadas de instituições, com pouco foco em análises comparativas. Assim, o velho institucionalismo não era útil para a pesquisa comparativa e a teoria explicativa – e, de fato, começou a ser minado quando estudiosos destacaram cada vez mais como as regras formais e as estruturas administrativas das instituições não descreviam com precisão o comportamento dos atores e os resultados das políticas."Structuring politics historical institutionalism comparative analysis". Cambridge University Press. 1992. pp. 3–4. Retrieved 2020-02-29.
Obras como "A Grande Transformação", de Karl Polanyi, "Estados e Revoluções Sociais", de Theda Skocpol, "Still a Century of Corporatism?", de Philippe Schmitter, "Origens Sociais da Ditadura e da Democracia", de Barrington Moore, e "Bringing the State Back In", de Evans, Ruschemeyer e Skocpol, foram caracterizadas como precursoras do Institucionalismo Histórico,Fioretos, Orfeo (2011). "Historical Institutionalism in International Relations". International Organization. 65 (2): 367–399. doi:10.1017/S0020818311000002. ISSN 1531-5088. S2CID 145270225Farrell, Henry; Finnemore, Martha (2016). Fioretos, Orfeo; Falleti, Tulia G.; Sheingate, Adam (eds.). Global Institutions without a Global State. Vol. 1. Oxford University Press. doi:10.1093/oxfordhb/9780199662814.013.34. ISBN 978-0-19-966281-4. gerando um novo programa de pesquisa.
O institucionalismo histórico é uma abordagem predominante na pesquisa sobre o estado de bem-estar social.Lynch, Julia; Rhodes, Martin (2016-05-02). Fioretos, Orfeo; Falleti, Tulia G.; Sheingate, Adam (eds.). Historical Institutionalism and the Welfare State. Vol. 1. Oxford University Press. doi:10.1093/oxfordhb/9780199662814.013.25. ISBN 978-0-19-966281-4.Katznelson, Ira (1998). "The Doleful Dance of Politics and Policy: Can Historical Institutionalism Make a Difference?". American Political Science Review. 92 (1): 191–197. doi:10.2307/2585938. ISSN 0003-0554. JSTOR 2585938. S2CID 147672846 No campo das Relações Internacionais, After Victory, de John Ikenberry, e Protectors of Privacy, de Abraham Newman, são obras proeminentes da bolsa de estudos institucionalista histórica.
O tratamento da história Diferentemente da maioria dos estudiosos ocidentais que os precederam, incluindo liberais clássicos, marxistas clássicos, empiristas, pensadores dialéticos e positivistas, os institucionalistas históricos não aceitam que a história se desenvolva necessariamente de forma direta e linear. Em vez disso, examinam as condições sob as quais uma trajetória específica foi seguida e não outras, um fenômeno ao qual Gabriel Almond se refere como "historical cure".Almond, Gabriel (1956), "Comparative Political Systems", Journal of Politics, 18 (3): 391–409, doi:10.2307/2127255, JSTOR 2127255, S2CID 145761427 Consequentemente, especificar por que determinados caminhos não foram seguidos é tão importante quanto especificar a trajetória real da história. Em contraste com os antigos institucionalistas, postula-se que a história não levará necessariamente a um desfecho "feliz" (ou seja, "fascismo ou democracia como o fim da história").
Trabalhos institucionalistas históricos tendem a rejeitar as explicações funcionalistas das instituições.Thelen, Kathleen (2004). How Institutions Evolve: The Political Economy of Skills in Germany, Britain, the United States, and Japan. Cambridge University Press. p. 25. ISBN 978-0-521-54674-4. Portanto, desconfiam de explicações para o surgimento de instituições que se baseiam em uma abordagem retrospectiva, partindo das funções das instituições até suas origens. Os institucionalistas históricos tendem a ver as origens por trás da criação de instituições como o resultado de conflitos e contestações, que então se fixam e persistem, mesmo que as circunstâncias que resultaram na instituição mudem.
Mecanismos de estabilidade institucional O conceito de dependência de trajetória é essencial para as análises institucionalistas históricas.Irving, Lichbach Mark; Zuckerman, Alan S. (1997-08-28). Comparative Politics: Rationality, Culture, and Structure. Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-58668-9.Mahoney, James; Schensul, Daniel (2006-03-16). "Historical Context and Path Dependence". Oxford Handbooks Online: 454–471. doi:10.1093/oxfordhb/9780199270439.003.0024. ISBN 0199270430.Mahoney, James (2000). "Path Dependence in Historical Sociology". Theory and Society. 29 (4): 507–548. doi:10.1023/A:1007113830879. ISSN 0304-2421. JSTOR 3108585. S2CID 145564738Christiansen, Thomas; Verdun, Amy (2020). "Historical Institutionalism in the Study of European Integration". Oxford Research Encyclopedia of Politics. doi:10.1093/acrefore/9780190228637.013.178. ISBN 978-0-19-022863-7. Em razão da dependência de trajetória, as instituições podem apresentar considerável estabilidade e persistência, mesmo em situações em que a instituição leva a arranjos subótimos. Para Paul Pierson, a dependência de trajetória implica que resultados em um “momento crítico” desencadeiam mecanismos de feedback [negativos ou positivos] que reforçam a recorrência de um padrão específico no futuro. Assim, a dependência de trajetória dificulta a reversão após um determinado caminho ter sido percorrido, porque há custos maiores para abandoná-lo. Esses caminhos podem levar a resultados ineficientes, mas, ainda assim, persistem, devido aos custos envolvidos em revisões substanciais. Um exemplo disso é o layout do teclado QWERTY, que era eficiente para máquinas de escrever evitarem travamentos no século XIX e foi implementado em teclados de computador no século XX. No entanto, o teclado QWERTY pode não ser tão eficiente quanto um teclado de computador poderia ser, mas o layout do teclado persistiu ao longo do tempo devido aos custos envolvidos na reforma de teclados de computador e no aprendizado e adaptação dos usuários. Jacob Hacker e Paul Pierson argumentam que outras abordagens institucionais podem ser culpadas de tratar a política como se fosse o filme Groundhog Day (intitulado O Feitiço do Tempo no Brasil, ou O Dia da Marmota, na tradução literal), em que a cada dia os participantes simplesmente recomeçam. Na realidade, a política passada e os legados políticos moldam os interesses, incentivos, poder e habilidades organizacionais dos atores políticos.Hacker, Jacob S.; Pierson, Paul (2014). "After the "Master Theory": Downs, Schattschneider, and the Rebirth of Policy-Focused Analysis". Perspectives on Politics. 12 (3): 643–662. doi:10.1017/s1537592714001637. ISSN 1537-5927. S2CID 154841537.
Segundo Paul Pierson, os seguintes fatores contribuem para a estabilidade institucional:Pierson, Paul (2000). "The Limits of Design: Explaining Institutional Origins and Change". Governance. 13 (4): 475–499. doi:10.1111/0952-1895.00142. ISSN 0952-1895.
Elevados custos de instalação: os atores podem permanecer nas instituições existentes porque há altos custos de instalação associados à criação de novas. Efeitos de aprendizagem: os atores podem permanecer nas instituições existentes porque é custoso aprender sobre procedimentos e processos em novas instituições.