A Solenidade de São José (título oficial latino: Sollemnitas Sancti Ioseph, Sponsi Beatae Mariae Virginis), também conhecida, popularmente, como Festa de São José ou Dia de São José, é uma celebração litúrgica da Igreja Católica, inscrita no Calendário Romano Geral, realizada no dia 19 de março do Ano Litúrgico.Missal Romano. Próprio dos Santos. 19 de março.

O culto josefino tem destaque especial, na Igreja Católica, em relação a outros santos. Embora não haja, ainda, documentos pontifícios que tratem do assunto explicitamente, é tido como sendo de protodulia, isto é, um culto especial somente inferior à hiperdulia (culto dedicado à Virgem Maria) e a latria (culto destinado somente a Deus).Confira, por exemplo: Quemadmodum Deus, Inclytum Patriarcham, Quamquam pluries e Redemptoris custos

Esta solenidade veio depois de um período muito longo no qual a figura de São José havia ficado obscurecida na Igreja Católica.CALLOWAY, Donald H. Consagração a São José: As glórias de nosso pai espiritual. Campinas: Editora Ecclesiae, 2021, Introdução. ISBN 9786587135205. Embora muitos santos e doutores da Igreja de tempos remotos tenham manifestado muita devoção a ele, é só a partir do século XIX, a partir da Carta Apostólica Inclytum Patriarcham, que o chamado "pai adotivo" de Jesus Cristo começou a adquirir maior relevância. São João XXIII, por exemplo, que o proclamou padroeiro do Concílio Vaticano II, declarou na Carta Apostólica Le voci, de 19 de março de 1961:São João XXIII. Carta Apostólica Le voci. Item 3.

História Embora o tema principal aqui tratado seja a "Solenidade de São José" na Igreja Católica seja o foco principal deste artigo, as honrarias a São José desenvolveram-se diferentemente de acordo com as diversas tradições cristãs, que serão consideradas a seguir. Rito Romano Liturgicamente, no Rito romano, esta celebração a São José possui o grau mais elevado entre as festas do ciclo santoral — "solenidade" — o que implica a proclamação do Glória e do Credo na Missa, além de textos próprios para a Liturgia das Horas.Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. Calendarium Romanum. Città del Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, 1969. Este deferência concedida liturgicamente ao santo desenvolveu-se muito lentamente, e é bem recente, tomando-se em consideração que a história da Igreja tem mais de 2 mil anos, como se depreende das palavras do Papa João XXIII, acima.

Os primeiros testemunhos litúrgicos de um culto específico a São José datam do século IX, particularmente entre monges beneditinos. Entretanto, a celebração em 19 de março consolidou-se no final do século XV. A festa aparece, segundo algumas fontes, nos calendários diocesanos de Roma e Veneza por volta de 1479.The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company, 1910, verbete “St. Joseph”.

A expansão do culto deve-se a pregadores como São Bernardino de Sena e Jean Gerson, que difundiram a devoção ao pai adotivo de Jesus, propondo seu exemplo como modelo de vida ativa e contemplativa.GIHR, Nicholas. The Holy Sacrifice of the Mass. Freiburg: Herder, 1902, p. 623.

A história do culto a São José cruza campos: hagiografia, teologia mariológica, espiritualidade popular e disciplina litúrgica. O desenvolvimento do Missal Romano ajuda a situar, cronologicamente, a incorporação dos calendários locais ao uso romano e a entender como festas particulares tornaram-se universais.JUNGMANN, Josef A. The Mass of the Roman Rite: Its Origins and Development (Missarum Sollemnia). New York: Benziger Brothers, 2012.FORTESCUE, Adrian. The Mass: A Study of the Roman Liturgy. London: Longmans, Green, 1914.

Recentemente, as principais mudanças disciplinares que afetam a solenidade no Rito Romano — e que têm recebido atenção pastoral — são: Elevação do título e patronato (1870) — com Quemadmodum Deus, do Papa Pio IX, na qual São José é declarado Patrono Universal da Igreja. Essa decisão teve reflexos ao promover a devoção a São José como protetor da Igreja. Criação da Festa de São José Operário (1º de maio de 1955) pelo Papa Pio XII.Acta Apostolicae Sedis, vol. 47 (1955), p. 406. Reforma pós-conciliar (1969) — pela qual se promoveu uma reorganização do calendário e das rubricas que manteve 19 de março entre as solenidades universais, mas redefiniu critérios de inclusão no calendário universal e as regras de precedência em relação às celebrações do mistério pascal. Ver também Josefologia

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