Venerupis corrugata, comummente conhecida como amêijoa-babosa, é uma espécie de molusco bivalve da família dos Venerídeos, que vive enterrada nos sedimentos de areia lamacenta, das zonas intermareais e litorais do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, desde a Noruega até à África do Sul. É uma espécie comestível, sendo apanhada e consumida em Portugal e noutros países da Europa Ocidental.

Nomenclatura

Nomes comuns Além de «amêijoa-babosa», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: amêijoa-judia e amêijoa-macha.

Nome científico

Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1791, pelo naturalista alemão Johann Friedrich Gmelin, e publicada en: Gmelin, J. F., 1788-1793. In: Linné, C., Systema naturae, Edit. 13 aucta et reformata cura J. F. Gmelin. 10 vols, Lipsiae. 1788-1793 et Lugduni, 1789-1796, co nome de Venus corrugata.

Posteriormente foi identificada como espécie doutros géneros, sendo classificada por George Montagu no género Venerupis, conhecendo-se durante muitos anos como Venerupis pullastra (Montagu, 1803) e, depois, como Venerupis senegalensis (Gmelin, 1791).

Bowden e Heppell, em 1968, demonstraram que o nome muito utilizado Venerupis pullastra (Montagu, 1803) deveria ser substituído pelo mais antigo V. senegalensis (Gmelin, 1791). Porém, segundo Fischer-Piette e Metivier (1971), o nome correcto é V. corrugata (Gmelin, 1791), se bem que, com base no principio do 'primeiro revisor', o nome V. senegalensis também se utilize.

Morfologia e anatomia

Morfologicamente a amêijoa-macha é bastante semelhante às outras amêijoas, distinguindo-se pelo seu formato um tanto mais oval-alongado.

A cor da concha costuma matizar-se entre o creme, o cinzento-pálido e o acastanhado, com manchas irregulares mais escuras e da mesma cor castanha-escura ou púrpura. Conta ainda com linhas ou estrias longitudinais, bastante visíveis. Além das linhas longitudinais, também conta com linhas radiais concêntricas, as quais, por sinal, são mais ténues, não mostrando a quadrícula típica da amêijoa-boa ou da amêijoa-japonesa.

Conta com dois sifões, os quais estão unidos em toda a sua longitude, salvo na extremidade, onde se separam. Esta característica permite a amêijoa-judia das outras espécies de amêijoa. Por serem mais curtos que os sifões das outras amêijoas, a amêijoa-babosa não pode enterrar-se a tanta profundidade como aquelas e resiste mal à baixa-mar.

O miolo da amêijoa-macha é de cor branca e ocupa a totalidade da concha.

Distribuição A amêijoa-babosa está presente, nas zonas intermareais e litorais do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, dispersando-se, de Norte a Sul, da Noruega até à África do Sul, espraiando-se a Leste até ao Golfo do Suez.

Habitat Esta espécie medra em bancos de areia fina, cascalho ou lismos, nas zonas intermareais, desde o limite da baixa-mar até uma profundidades de 40 m de profundidade. Prefere temperaturas subtropicais, em torno dos 15 graus Celsius.

Comparada com as outras espécies de amêijoas, a amêijoa-babosa é muito mais sensível às mudanças de temperatura e, sobretudo, às mudanças de salinidade da água, pelo que sofre grandes mortalidades por causa das cheias que ocorrem nas alturas de temporais e chuvas abundantes. Também resiste menos que as outras amêijoa fora da água, o que explica que, outrora, a sua comercialização fora das zonas costeiras não fosse comum. Hoje em dia, esta questão já não representa qualquer obstáculo à sua comercialização.

Pesca e comercialização miniatura|Amêijoa-babosa Normalmente, a captura desta espécie faz-se com rede de arrasto ou à vara, com recurso a embarcações, numa modalidade de pesca denominada marisqueio, mas também se pode colher com sacho, na maré-baixa. O tamanho comercial mínimo é de 38 mm de longitude no seu eixo maior.

Gastronomia A amêijoa-judia pode-se consumir em cru ou cozinhada, se bem que, normalmente, se desaconselha a primeira forma de consumo, porque esta espécie solta muita baba (daí o nome).

Com efeito, o mais comum é consumi-las cozinhadas. É apta a diversos tipos de preparação culinária, desde uma breve cozedura (amêijoas ao vapor , com ou sem loureiro), até preparações mais elaboradas (guisadas com arroz , em caldeiradas , em pratos com robalo, com massa, em sopas ou até em empadas).

Categoria:Veneridae Categoria:Animais descritos em 1791 Categoria:Moluscos de Portugal