Cezar Cadolino foi um engenheiro militar e funcionário público do Império do Brasil que se destacou nas primeiras décadas do século XIX. Figura de perfil multifacetado, exerceu papéis de relevo nas áreas de engenharia, administração e planejamento de infraestrutura, além de manter proximidade com a família imperial. É considerado um dos precursores das ideias ferroviárias no Brasil, sendo autor do primeiro requerimento conhecido para a construção de uma linha férrea que ligasse o Campo de São Cristóvão (na Corte) à cidade de São João del-Rei, na Província de Minas Gerais.
Biografia
Formação e carreira militar Cezar Cadolino era de origem italiana, natural de Cremona, e foi identificado por jornais da época, como o Aurora Fluminense, como um “estrangeiro” a serviço do governo imperial. Ingressou no Imperial Corpo de Engenheiros ainda durante o Primeiro Reinado, alcançando a patente de major em dezembro de 1828.
Engenheiro e administrador público Na Corte do Rio de Janeiro, Cadolino exerceu funções ligadas à construção, inspeção e manutenção de obras públicas. Entre as intervenções sob sua responsabilidade esteve o novo encanamento da Lagoinha, obra de saneamento e abastecimento de água. Em 1828, atuando como inspetor, convocou senhores de escravos para receberem os “jornais” (pagamentos diários) devidos pelos serviços prestados por seus cativos ao poder público.
Relações com a corte imperial Cadolino manteve uma relação de proximidade com a imperatriz Maria Leopoldina de Áustria, tendo sido seu secretário pessoal por recomendação de sua irmã, Maria Luísa de Áustria. Também acompanhou o imperador Pedro I em diligências sobre obras e projetos de infraestrutura na capital. Em outubro de 1828, recebeu a condecoração de Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro pelos serviços prestados ao Império.
Atividades financeiras Paralelamente às funções técnicas, Cadolino envolveu-se em atividades de crédito e empréstimo, sendo mencionado como praticante de usura. Há registros de que teria sido credor da própria imperatriz Maria Leopoldina, conforme cartas — possivelmente apócrifas — datadas de 1834.
O projeto ferroviário de Cadolino Em 1838, durante a regência de Araújo Lima, Cezar Cadolino apresentou à Junta do Comércio um requerimento propondo a construção de uma ferrovia ligando o Rio de Janeiro à Comarca do Rio das Mortes, em São João del-Rei. O projeto visava dinamizar o comércio entre a Corte e a zona mercantil do Sul de Minas Gerais, reduzindo custos e tempo de transporte.
A proposta previa a instalação de uma “estrada de ferro para trânsito de carros movidos por máquinas locomotivas”, inspirando-se nos parâmetros legais do decreto de Bernardo Pereira de Vasconcelos (Lei nº 101, de 1835), que regulamentava a concessão de ferrovias no país.
Apesar de analisado pela Junta do Comércio, o requerimento não foi adiante, devido à exigência de informações adicionais e à falta de recursos técnicos e financeiros para execução.
Quarenta anos depois, o projeto de Cadolino se concretizaria de forma indireta com a criação da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), inaugurada em 1881, que finalmente estabeleceu a ligação ferroviária entre o Rio de Janeiro e São João del-Rei, por meio de um entroncamento com a Estrada de Ferro Dom Pedro II.
Legado O projeto de Cadolino é considerado um marco inicial das ideias de modernização e integração territorial por via ferroviária no Brasil. Sua visão se alinhava aos interesses da nascente elite cafeeira e comercial do Rio de Janeiro e do Sul de Minas, refletindo o ideário de progresso técnico e desenvolvimento econômico característico do período regencial.
Ver também História das ferrovias no Brasil Estrada de Ferro Oeste de Minas Bernardo Pereira de Vasconcelos Maria Leopoldina de Áustria
Bibliografia
Categoria:Engenheiros do Brasil Categoria:Militares Categoria:Imperial Ordem do Cruzeiro Categoria:História do Império do Brasil Categoria:Naturais de Cremona Categoria:Brasileiros de ascendência italiana Categoria:Pioneiros das ferrovias do Brasil