Pedro Gomes de Abreu (Ponte de Lima, Reino de Portugal, ca. 1395 - Reino de Portugal, 1453) era um nobre português que participou na conquista de Ceuta em 1415, tendo sido nomeado alcaide mor de Lapela, em Monção, e, por herança paterna com confirmação real de 1433, 2º senhor de Regalados, 4º senhor de Valadares e 10º senhor do Couto de Abreu. Posteriormente foi combatente real na batalha de Alfarrobeira de 1449. Era irmão do bispo João Gomes de Abreu (1468-1507), concunhado (marido da cunhada) do conde Vasco Fernandes Coutinho e consogro do visconde Leonel de Lima.
Biografia
Origem familiar e primeiros anos esquerda|miniaturadaimagem|339x339px|Brazão da Casa de Abreu. Pedro Gomes de Abreu nasceu em 1395 na localidade de Ponte de Lima, Reino de Portugal. Era filho de Diogo Gomes de Abreu, 1º senhor de Regalados, 3º senhor de Valadares e 9º da Honra, Couto e Torre de Abreu, e de sua segunda esposa Leonor Viegas do Rego. direita|miniaturadaimagem|277x277px|Ponte de Lima Pelo lado paterno era neto de Vasco Gomes de Abreu, 2º senhor de Valadares e 7º senhor do Couto de Abreu, e de Maria Ruiz de Portocarreiro, sendo, consequentemente, bisneto paterno por via masculina de Lourenço Gomes de Abreu, 1º senhor de Valadares de sua linhagem, 6º senhor da Honra, Couto e Torre de Abreu e alcaide mor de Coimbra, e de sua esposa Teresa Correia de Azevedo, e por via feminina de Fernão Anes de Portocarreiro e de Maria Vasques de Resende. Pelo lado materno era neto de Nuno Viegas, meirinho de Trás-os-Montes, e sua esposa Inés Dias do Rego.
Outros ilustres antepassados por via paterna eram Gomes Lourenço de Abreu, Guiomar Lourenço de Valadares, última senhora de Valadares de sua linhagem, Estêvão Pais de Azevedo e sua mulher Guiomar Rodrigues de Vasconcelos.
Era irmão de Vasco Gomes de Abreu (Ponte de Lima, ca. 1398-f. após 1456), alcaide mor de Penela desde 27 de julho de 1453, e João Gomes de Abreu (Bico de Regalados, ca. 1400 - Viseu, 16 de fevereiro de 1482), cavaleiro da Ordem de Cristo, comendador de Longos Vales e XXVI bispo de Viseu desde 1464 até ao seu falecimento, conhecido confessor mor da rainha consorte Leonor de Aragão, com descendência ilegítima fruto da sua relação com a abadessa Beatriz de Eça (ca. 1423), irmã da também abadessa Catarina de Eça, que por sua vez teria mais tarde uma relação amorosa com o neto homónimo Pedro Gomes de Abreu.
Conquistador de Ceuta e alcaide mor de Lapela direita|miniaturadaimagem|277x277px|Representação do Infante Dom Henrique, o Navegador, durante a batalha de Ceuta de 1415 (em azulejo, por Jorge Colaço). direita|miniaturadaimagem|277x277px|As conquistas portuguesas continentais no Noroeste africano (1415-1769). A 21 de agosto de 1415 participou com o infante D. Henrique, 1º duque de Viseu, na batalha e conquista de Ceuta, que pertencia até então ao Sultanato benimerín, permanecendo durante vários anos na região.
Referido como "o fronteiro", por ser um jovem soldado de fortaleza fronteiriça, Pedro Gomes de Abreu, também fez parte da expedição ao vale do Negrão sob o comando de Luis de Ataíde, quando este governava a praça Pedro de Meneses.
Pela sua conduta e valentia nas batalhas foi nomeado alcaide mor de Lapela.
Senhor feudal e triunfo real em Alfarrobeira Por herança paterna, posteriormente, herdou o título de 2º senhor de Regalados, 4º senhor de Valadares e 10º senhor da Honra, Couto e Torre de Abreu, sendo estes títulos confirmados pelo rei Duarte I de Portugal a 24 de novembro de 1433.
Após a morte do rei a 9 de setembro de 1438, sendo este sucedido pelo seu filho, Afonso V, sob regência de sua mãe, a rainha consorte Leonor de Aragão, de acordo com as últimas vontades do seu defunto marido, em 1439, receando que por ser mulher e estrangeira esta careceria de popularidade, a rainha pediu via carta a Pedro Gomes de Abreu e a outros nobres, que estes não comparecessem nas Cortes de Lisboa, demonstrando com essa atitude uma oposição ao infante Pedro de Portugal, 1º duque de Coímbra, que era o tio paterno do jovem rei D. Afonso V e pretendia obter a regência do menor e do reino.
Cumprindo a sua vontade, Pedro Gomes de Abreu apresentou-se então nas Cortes de Guimarães convocadas pelo então conde de Barcelos, D. Afonso de Portugal, filho bastardo de João I com Inês Pires, que, quando o rei atingiu a maioridade em 1442, foi nomeado duque de Bragança. Por este ato, Pedro Gomes de Abreu foi condecorado como capitão de cavalaria ou coudel da villa de Olivença a 27 de novembro de 1444, por um mandato de cinco anos.
Em princípios de 1448, o rei Afonso V de Portugal afastou da corte o seu tio, o infante Pedro de Portugal, aconselhado pelo seu outro tio, o duque Afonso, e seu primo Afonso I, futuro duque de Bragança e então conde de Ourém e marquês de Valença, no contexto de uma disputa originada nos inícios da regência pelas duas grandes casas senhoriais: a de Coimbra e a de Bragança. Esta ação, desencadeou uma divisão nas cortes portuguesas, levando Pedro Gomes de Abreu a combater no bando real durante a batalha de Alfarrobeira, a 20 de maio de 1449, que trouxe como consequência o triunfo do monarca, o fortalecimento do feudalismo e a morte em combate do conde de Coimbra e vários de seus aliados.
Falecimento A 4 de dezembro de 1453, Pedro Gomes de Abreu faleceu.
Casamento e descendência Pedro Gomes de Abreu contraiu matrimónio com Aldonza de Sousa, irmã de Maria de Sousa, casada com Vasco Fernandes Coutinho II, conde de Marialva, sendo ambas filhas de Lopo Dias de Sousa, senhor de Mafra, Ericeira e Linhares, e mestre da Ordem de Cristo.
Fruto do seu enlace, o casal teve pelo menos quatro filhos:
Lopo Gomes de Abreu (c. 1416-1464), 1º senhor de Terra das Roças, 3º senhor de Regalados e 5º de Valadares, ambos por herança paterna em 1453, que se casou com Inês de Sottomaior e Lima (c. 1433), irmã de Maria de Lima, casada com o fidalgo real Vasco Fernandes Coutinho III, IV senhor de Celorico de Basto, ambas filhas de Leonel de Lima, 1º visconde de Vila Nova de Cerveira e de sua esposa Felipa de Acuña, também referida como Filipa da Cunha. Do enlace entre Lopo e Inês nasceu entre outros Pedro Gomes de Abreu II (c. 1448), 4º senhor de Regalados desde 1464 e alcaide mor de Lapela, que teve descendência ilegítima com Catarina de Eça, então futura abadessa do mosteiro de Lorvão. João Gomes de Abreu (c. 1418), conhecido poeta do Cancioneiro. Vasco Gomes de Abreu (c. 1420), também reconhecido poeta do Cancioneiro e capitão da nau que levou Francisco de Almeida à Índia portuguesa. Tinha uma relação amorosa com Joana de Eça Azevedo, futura abadessa do convento de Celas da Ordem de Císter de Coimbra, sendo filha de Branca de Eça e de seu segundo marido João Rodrigues de Azevedo, senhor do Morgado dos Olivais, e neta materna de Fernando de Eça. Por dito concubinato, Joana de Eça concebeu-lhe pelo menos seis filhos extramatrimoniais: Diogo Soares de Abreu, Lourenço Soares de Abreu, Pedro Gomes de Abreu, Filipa de Abreu, Jorge de Melo e Christovão de Melo. Beatriz de Sousa (c. 1425), que se casou a 18 de agosto de 1449 com o fidalgo real Martim de Melo.
Referências
Bibliografia
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Categoria:Nobres de Portugal do século XV Categoria:Naturais de Ponte de Lima Categoria:Mortos em 1453 Categoria:Nascidos na década de 1390 Categoria:Homens