Carranca (estilizado em letras maiúsculas) é o terceiro álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Urias, lançado em 7 de outubro de 2025. O projeto marca uma significativa guinada estética e sonora na carreira da artista, mergulhando em temas de liberdade, ancestralidade e brasilidade, com um forte apelo à cultura afro-brasileira e uma perspectiva afrocentrada. O título faz referência à figura da carranca, uma escultura popularmente utilizada para proteger embarcações e afastar maus espíritos, servindo como metáfora para a força, o mistério e a proteção presentes na narrativa do disco.

Composto por 14 faixas, incluindo três interlúdios narrados por Marcinha do Corintho, o álbum propõe uma travessia musical e espiritual que aborda a liberdade não como um estado idealizado, mas como uma conquista que passa pela raiva, resistência e memória ancestral. Musicalmente, Carranca afasta-se das sonoridades pop anteriores de Urias para incorporar uma fusão de gêneros como rap, R&B, jazz, groove e eletrônica.

A produção musical do disco foi comandada principalmente por Nave, Gorky e Maffalda. O álbum conta com participações de artistas como Criolo (na faixa "Deus", o primeiro single), Don L, Major RD e Giovani Cidreira. O visual do projeto, sob a direção criativa de Ode, segue uma narrativa afro-surrealista, fazendo alusões a figuras históricas e a orixás como Iemanjá, Oxalá e Iansã. Carranca foi bem recido pela crítica como uma obra de arte "belíssima e muito inteligente", que consolida uma fase mais madura e conscientemente conectada às raízes da artista.

Antecedentes e Produção Carranca sucede os álbuns Fúria (2022) e Her Mind (2023), marcando uma "nova versão musical" de Urias, e uma guinada em sua trajetória artística, distanciando-se das sonoridades pop para explorar temas como ancestralidade, liberdade e resistência afro-brasileira. A cantora mineira descreveu o projeto como uma fase mais madura e consciente de sua identidade.

O conceito do álbum foi amarrado pela ideia da carranca, uma escultura da cultura popular que tem a função de proteção, servindo como uma metáfora de um amuleto de força e do Brasil como um país em travessia. A faixa "Águas de Um Mar Azul" foi citada pela artista como a música que "guiou" todo o projeto, fechando um ciclo de reflexões sobre a liberdade e a busca por um amor em uma perspectiva afrocentrada, que remete à volta à Etiópia, a "Mãe Terra".

A produção musical foi orquestrada principalmente por Nave, Gorky e Maffalda, com a mixagem de Rafael Fadul e masterização de Arthur Luna. Nave Beatz e Rodrigo Gorky, amigos de Urias há cerca de 15 anos, mas até então sem um trabalho colaborativo em estúdio, deram forma ao primeiro single, "Deus". O álbum também contou com uma canção inédita de Hyldon e Fábio, composta há 50 anos, incorporada ao repertório autoral.

O projeto audiovisual foi concebido com uma narrativa afro-surrealista, com direção criativa de Ode, evocando figuras históricas como Josephine Baker e Sarah Baartman, além de divindades afro-brasileiras e egípcias como Iemanjá, Oxalá, Iansã, Hórus e Ptah. Os interlúdios que costuram as 14 faixas foram escritos pelo historiador francês Guillaume Blanc‑Marianne. O álbum foi lançado em 7 de outubro de 2025.

Composição e Estilo Musical Em Carranca, Urias se distancia deliberadamente do pop comercial de seus trabalhos anteriores, como Her Mind (2023), para construir um som mais experimental e multifacetado, com a ambição de criar algo "que ainda não existia". O álbum é uma fusão de gêneros que costura rap, R&B, jazz, groove, música eletrônica e referências afro-brasileiras, em uma obra que une espiritualidade, política e experimentação.

O disco apresenta 14 faixas, que se conectam em uma narrativa coesa sobre liberdade e ancestralidade. Os três interlúdios, narrados por Marcinha do Corintho, guiam a audição como uma jornada, reforçando o conceito temático do álbum.

A produção, comandada por Nave, Gorky e Maffalda, buscou criar um "território sonoro" onde o elemento do mar está consistentemente presente, servindo como símbolo de libertação e memória. O resultado é um álbum ousado que se propõe a ser uma "odisseia afro-surrealista".

Lançamento e Divulgação O lançamento de Carranca ocorreu em 7 de outubro de 2025, sendo o terceiro álbum de estúdio de Urias. O anúncio do disco e de sua nova fase na carreira foi feito pela artista em agosto de 2025.

A divulgação do álbum foi iniciada com o lançamento do single "Deus", uma parceria com Criolo, que serviu como a faixa de apresentação da nova sonoridade do projeto. A escolha dessa canção, que mescla rock, ragga e eletrônica com uma mensagem sobre liberdade e espiritualidade, sinalizou a virada estética e conceitual do trabalho.

A identidade visual do álbum, criada pelo artista plástico Isaac de Souza, e a direção criativa dos visuais por Ode, seguiram uma estética afro-surrealista, que foi amplamente divulgada em teasers e nas redes sociais da cantora, reforçando a narrativa de ancestralidade e pertencimento que permeia o disco. A tracklist completa de 14 faixas foi revelada pouco antes do lançamento, atiçando a expectativa dos fãs para as colaborações com Don L, Major RD e Giovani Cidreira.

Recepção Crítica

Carranca foi bem recebido pela crítica especializada, que reconheceu o projeto como um marco de maturidade artística e uma obra de grande complexidade conceitual e sonora na carreira de Urias.

O álbum foi destacado como uma obra "belíssima e muito inteligente", que consolida a artista em uma fase visceralmente conectada às suas raízes afro-brasileiras e à ancestralidade. A imprensa notou que a artista se permitiu "explorar" uma nova vertente musical e visual, resultando em um trabalho considerado o mais ousado de sua discografia. O crítico Cleber Facchi, do portal Música Instantânea, elogiou Carranca como o trabalho mais maduro e ambicioso de Urias, destacando suas referências afro-brasileiras e o equilíbrio entre experimentação e acessibilidade. O portal Aquele Tuim, por meio de Matheus José, elogiou o diálogo entre pop e referências afro-brasileiras, bem como o equilíbrio entre experimentação e apelo popular, citando faixas como “Deus”, “Etiópia” e “Herança” entre os pontos altos. O crítico Rafael Lima, do site Conecta Geek, elogiou Carranca como o trabalho mais maduro e versátil da carreira de Urias. Em sua análise, ele destacou a habilidade da artista em mesclar diferentes estilos como rap, R&B, funk, soul e MPB, sem perder a coesão e a identidade pop.

O afastamento do pop para incorporar elementos de rap, R&B, jazz e eletrônica foi visto como um ponto de evolução, mostrando uma artista que busca "criar um som que ainda não existia". A narrativa coesa do álbum, costurada pelos interlúdios de Marcinha do Corintho, e a perspectiva afro-surrealista do visual foram enaltecidas por criarem uma "travessia simbólica" e uma "odisseia" de resistência.

O crítico Gabriel Silva, do portal DiscoAvaliadoBR, avaliou Carranca como uma obra ambiciosa e conceitualmente densa, destacando sua narrativa centrada em ancestralidade, identidade e crítica social, além da fusão de gêneros e da proposta artística que privilegia profundidade e construção simbólica em detrimento da imediaticidade.

Lista de faixas

Turnê

Carranca Tour é a terceira turnê solo da cantora e compositora brasileira Urias, em apoio ao seu terceiro álbum de estúdio, Carranca (2025). A turnê iniciou em 15 de novembro de 2025 em São Paulo, no estado de São Paulo, e está prevista para ser encerrada em 8 de dezembro de 2026 em Petrópolis.

Datas Datas Data Cidade País LocalAmérica do Sul15 de novembroSão PauloSonora Garden21 de novembroSão CristóvãoPraça São Francisco6 de dezembroRecifeCampus da UFPE Universidade Federal de Pernambuco14 de dezembroBelémEstádio Olímpico do Pará20 de dezembroSão PauloAudio Club8 de fevereiro de 2026Vibra São Paulo12 de fevereiro de 2026Teatro Raul Cortez13 de fevereiro de 20263 de maio de 2026Parque Villa-Lobos12 de junho de 2026Sesc Pinheiros1 de agosto de 2026Ribeirão PretoParque Permanente de Exposições8 de agosto de 2026ExtremaParque de Eventos de Extrema15 de agosto de 2026Vila VelhaParque da Prainha31/11 de novembro de 2026PetrópolisParque Municipal Prefeito Paulo Rattes7/8 de novembro de 2026

Legado e influência Lançado em outubro de 2025, Carranca ainda está em processo de consolidação de seu impacto de longo prazo no cenário musical brasileiro. No entanto, a recepção crítica e a repercussão cultural imediata indicam que o álbum representa um ponto de inflexão na trajetória artística de Urias e possui potencial de legado em diferentes esferas da música e da estética pop contemporânea.

Uma das principais contribuições da obra é a rearticulação do afro-surrealismo dentro da música pop. O disco apresenta uma proposta conceitual sofisticada e coerente, que se desenvolve também em sua dimensão audiovisual. Através de letras, imagens e sonoridades, a narrativa do álbum estabelece conexões diretas com símbolos da ancestralidade africana, incluindo figuras históricas, orixás e outras divindades afro-brasileiras.

Do ponto de vista musical, Carranca distingue-se por romper com padrões sonoros mais comerciais explorados por Urias em lançamentos anteriores. O álbum adota uma abordagem experimental que funde elementos de rap, R&B, jazz e música eletrônica, sinalizando uma abertura para a ampliação de possibilidades estéticas dentro do pop nacional. Essa escolha tem sido interpretada como um gesto que desafia as convenções do gênero, incentivando maior liberdade criativa e conceitual no mainstream brasileiro.

Além da inovação formal, o álbum também reforça o posicionamento político e cultural da artista. As faixas abordam temas como liberdade, identidade e resistência, sob uma perspectiva afrocentrada, o que contribui para consolidar Urias como uma figura pública engajada, cuja obra vai além do entretenimento para propor reflexões críticas sobre a sociedade. Essa postura confere à artista um papel relevante tanto na esfera artística quanto nos debates socioculturais contemporâneos.

Referências

Notas

Referências

Ligações externas

Carranca no Spotify

Categoria:Álbuns de 2025 Categoria:Álbuns de R&B contemporâneo