A Cascata de São João é um tipo de altar ou retábulo, de origem popular, dedicado a São João Batista.
A Cascata de São João é uma tradição associada à festa popular do São João do Porto. Uma das construções permanentes deste tipo encontra-se na Alameda das Fontainhas, sendo exposto anualmente durante o arraial local de São João.
As cascatas são elaboradas onde as festas sanjoaninas se tornaram tradicionalmente comemoradas, sendo comuns no Porto, Área Metropolitana do Porto e Braga.
Origem Desconhece-se a origem da cascata São Joanina. Sabe-se que surgiram nos bairros como um altar rudimentar, por volta do século XVII, construídos por crianças em areia e/ou musgo. A figura de São João Batista era exposta nestas construções, podendo estar acompanhado também das figuras de Santo António e de São Pedro.
A tradição evoluiu com as crianças a pedirem "um tostãozinho para o São João". O valor amealhado permitia a aquisição de mais peças e figuras para os anos seguintes. A atividade enraizou-se como tradição e foram introduzidos novos elementos, entre elas a água, elemento profundamente associado a São João Batista. A introdução de água corrida ultimamente deu nome a este tipo de construções, mesmo para as que não envolvessem água.
A Cascata de São João tem um carácter semelhante ao Presépio de Natal. Do mesmo modo que o Presépio comemora o nascimento de Jesus durante o solstício de inverno, a Cascata comemora o nascimento de São João Batista durante o solstício de verão.
Caracterização Na sua essência, a Cascata de São João é composto por uma construção, temporária ou permanente, que dá destaque à figura de São João Batista.
A figura de São João tradicionalmente ocupa a posição mais elevada da construção, sendo a imagem de maior destaque.
Não existem regras ou costumes rígidos quando à construção da cascata de São João, pelo que os elementos incluídos e a sua respetiva ordem e método de construção são tão variáveis como as pessoas que se envolvem na construção das mesmas.
Outros Santos A um nível inferior, a figura de São João Batista pode estar acompanhada dos outros dois santos populares portugueses, Santo António de Lisboa e o Apóstolo São Pedro. miniaturadaimagem|Cena do batismo de Jesus por João, na Alameda das Fontainhas, Freguesia do Bonfim, Concelho do Porto, construída em 1869. Alternativamente, pode ser representada a cena do batismo de Jesus. A Cascata das Fontainhas, na alameda homónima, é um exemplo de uma cascata representativa do batismo de Jesus, construída em 1869.
Mais incomum, mas não necessariamente contra-indicado, será a inclusão do santo padroeiro local para as localidades com um padroeiro diferente dos três santos populares portugueses.
Água A água, corrida, ultimamente deu nome à construção. No entanto a sua inclusão não é obrigatória.
Pode ser usada como representação de lagos, fontes, rios e quedas de água locais. Em locais de culto a cascata poderá estar acompanhada de uma pia com água benta, associada diretamente ao ato do batismo por São João.
A água é um "elemento purificador", estando também associado às orvalhadas e aos banhos São Joaninos.
Escarpa miniaturadaimagem|Exemplo de uma cascata de São João, composta apenas de um altar em escarpa com os três santos populares de Portugal. O Santo António ocupa a posição superior por a fotografia ter sido tirada antes do dia de Santo António (13 de Junho). A construção em forma de altar ou retábulo pode ser moldada para representar escarpas, montanhas ou colinas, normalmente da localidade. O Porto, sendo uma cidade muito acidentada e construída no Vale do Douro, é propício a ser representado nas cascatas, com um dos arruamentos mais desnivelados ou secções do edificado urbano a serem usados como base do pedestal da figura de São João.
Em Valongo, a Serra de Santa Justa ou a Serra de Quintarei ocupam o lugar do Centro Histórico, Fontainhas ou a Avenida dos Aliados no Porto.
Figuras Um dos elementos mais criativos das cascatas são as figuras humanas. Historicamente as figuras eram usadas pelas crianças para criarem histórias nas suas cascatas, e as esmolas amealhadas eram usadas para adquirir mais figuras para o ano seguinte.
Atualmente as figuras são usadas para representar cenas do quotidiano, procissões e até caricaturas. E podem ser de materiais variados, desde o barro ao plástico.
Algumas figuras caricatas tornaram-se muito populares em diversas cascatas. O cagão é uma dessas figuras, sendo colocado pelos construtores das cascatas em locais escondidos para os visitantes poderem procurar e encontrar, ao estilo do Wally.
Edifícios Algumas das cascatas têm representações à escala livre ou figurativa de edifícios locais, que podem ir desde o edificado do proprietário (indivíduos ou associações) até aos monumentos mais significativos.
Estas construções não são maquetes à escala, sendo interpretações livres do imaginário local e que representam as localidades mais do que as recriam.
As cascatas históricas, que se mantêm praticamente inalteradas ao longo dos anos, podem conter edifícios e monumentos que já não existem na atualidade, ou cujo aspeto exterior possa ter sido modificado.
Além disso, iniciativas de cascatas comunitárias, como o projeto "A Cascata da Gata" da papelaria Papel&Ca e oficina de arte Brâmica, criam representações mais abstratas da cidade através da liberdade criativa dos participantes.
Cobertura As cascatas podem também ser envolvidas por uma cobertura temporária ou permanente. Desde pequenas coberturas de madeira forradas com flores e outros adereços, a construções próprias em forma de montra com balcão de observação e iluminação própria, com as paredes forradas a ramos de eucalipto frescos.
Concursos e Exposições Para conservar a tradição da construção e exposição de cascatas de São João, são realizados concursos por associações culturais, órgãos locais, paróquias ou comissões de festa.
Além disso, com a dissolução de antigas associações culturais e/ou de desporto, corre-se o risco de se perder ou tornar invisíveis algumas das cascatas históricas, ou mesmo da tradição em si. A organização de exposições permite dar visibilidade a estas construções que, de outra forma, permaneceriam armazenadas ou sido eventualmente desmanteladas.
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