A Estação de Socorros a Náufragos de Lagos, igualmente conhecida como Antigo Instituto de Socorros a Náufragos, é um edifício histórico na cidade de Lagos, na região do Algarve, em Portugal.

Descrição O edifício situa-se na Rua da Barroca, no centro histórico de Lagos. Está implantado sobre um antigo forte, conhecido como Reduto da Barroca, que fazia parte do conjunto de defesas da cidade.

História Segundo Rui Mendes Paula, o antigo baluarte onde assenta o edifício foi provavelmente construído em 1520.PAULA, 1992:203

Em 1951, o jornalista Jacques de Oliveira Neves referiu que, durante a visita dos reis D. Carlos e de D. Amélia de Orleães ao Algarve, foi-lhes pedida a introdução de um barco salva-vidas em Lagos. Este veio pouco tempo depois, tendo operado de forma regular e com uma tripulação própria, cuja formação era dada pessoalmente pelo capitão do Porto de Lagos, Marcelino Carlos. No entanto, posteriormente deixou de funcionar e foi deixado ao abandono.

No jornal Terra Algarvia de 25 de Abril de 1929, fala-se da necessidade de ter um posto de socorros a náufragos em Lagos, de forma a acorrer às tripulações dos barcos acidentados na barra. Em 1933 já estava em funcionamento, uma vez que nesse ano foi alvo de uma inspecção por parte do Instituto de Socorros a Náufragos. Baseado no correspondente relatório, Jacques de Oliveira Neves publicou um artigo no periódico Costa de Oiro, onde refere que o «carro porta-cabos e respectivo material» encontrava-se «em bom estado e apto a fazer serviço», mas que «o barco salva-vidas a remos com que a delegação de Lagos se acha dotada, não é o mais recomendado para o local e raio de acção em que têm de prestar serviço». Com efeito, o barco era ainda a remos, o que o tornava demasiado lento para o serviço, tendo aconselhado a sua substituição por uma embarcação a motor. Jacques Neves mencionou igualmente outros problemas com a estação salva-vidas de Lagos, como a « falta duma tripulação exercitada e conhecedora das condições do barco, [...] a má localização da sua casa-abrigo, [e] o péssimo estado em que se encontra a carreira parcialmente destruída pela acção do mar e do tempo», circunstâncias pelas quais «assim se justifica que ele há bastantes anos não saia do berço onde o colocaram». Recordou também a longa extensão de faixa costeira até Sagres, onde existiam «muitíssimas praias sendo algumas delas populosos centros de pescadores», e uma vez que não era possível colocar um barco salva-vidas em cada uma destas comunidades, «torna-se indispensável que pelo menos a de Lagos esteja em condições de poder prestar socorro a qualquer deles e a tôda a hora que os seus serviços sejam reclamados, o que só com um barco a motor e uma casa-abrigo bem localizada poderá ter lugar».

Apesar destes alertas, em 1941 Jacques Neves reportou que, devido à exígua situação financeira do Instituto de Socorros a Náufragos, não tinham sido tomadas quaisquer medidas para resolver os problemas que sofria a estação de socorros a náufragos a Lagos, e que a carreira já se encontrava «totalmente destruida», impossibilitando a saída do barco. O jornalista refere que, devido à falta de um salva-vidas, as operações de socorro no mar eram feitas pelas embarcações particulares, «embora estes não ofereçam as condições requeridas para taes serviços. Em 30 de Outubro de 1951, mencionou que «o salva-vidas foi daqui levado ha tempo para reparações com a promessa de que seria substituido por outro barco a motor, mais apropriado ao serviço da zona da costa a que se destinava», mas que «tal promessa aguarda efectivação; mas mantemos porem a esperança de que ainda venha a converter-se em realidade, se alguem por isso se interessar.»

A antiga estação de socorros a náufragos foi contemplada no Decreto-Lei n.º 318/97, de 25 de Novembro, que alienou vários imóveis do Ministério da Defesa Nacional considerados como desadequados para as funções militares.PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 318/97, de 25 de Novembro. Ministério da Defesa Nacional. Publicado no Diário da República n.º 273, Série I-A, de 25 de Novembro de 1997. Apesar de ter sido oficialmente alienado, o edifício continuou a ser utilizado pela Marinha Portuguesa como armazém, servindo para guardar artes de pesca apreendidas e veículos e outros equipamentos.

Em 18 de Maio de 2007, a marinha e o o comando local da Polícia Marítima de Lagos decidiram utilizar provisoriamente a antiga Estação de Socorros a Náufragos para alojar os seus serviços, devendo o edifício ser alvo de obras de remodelação para este fim. Assim, o edifício foi reintegrado no domínio público militar pelo Despacho n.º 19380/2008.PORTUGAL. Despacho n.º 19380/2008, de 2 de Julho. Ministérios das Finanças e da Administração Pública e da Defesa Nacional. Publicado no Diário da República n.º 140, Série II, de 22 de Julho de 2008. Em 2025, foi inserido na Lista Definitiva de bens do domínio privado do Estado Português, fixada pelo Aviso n.º 3388/2025/2, tendo sido descrito como uma «casa de dois pisos que serve de arrecadação ao material dos Socorros a Náufragos''», e colocado na categoria dos edifícios anteriores a 1951.PORTUGAL. Aviso n.º 3388/2025/2, de 30 de Janeiro. Estamo - Participações Imobiliárias, S. A.. Publicado no Diário da República n.º 25, Série II, de 5 de Maio de 2025.

Ver também Lista de património edificado em Lagos Estação de Socorros a Náufragos de Alvor Messe Militar de Lagos Quartel dos Remadores da Alfândega

Bibliografia

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