Canto das Três Raças é uma canção composta por Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, gravada pela cantora brasileira Clara Nunes em 1976 no LP de mesmo nome, regravada em 1995 no CD pela gravadora EMI-Odeon. O apelido "Cantora das Três Raças" foi dado à Clara Nunes.
A banda da gravação foi formada pelos músicos: Wilson das Neves (Bateria); Carlinhos (cavaquinho); Pedro Sorongo, Nilton Marçal e, Elizeu Felix (ritmo); Cabelinho/Walter Chaves (agogô); Eduardo Gudin (violão); Luna (atabaque), acompanhados pelos coralistas: Evinha, Marizinha, Regina Corrêa, Golden Boys e As Gatas.
História Em 2010, Paulo César escreveu o livro “Histórias das Minhas Canções”, onde informa que durante uma conversa com Mauro Duarte sobre a estrutura musical do samba-enredo do cantor Silas de Oliveira (melodia, cadência, tamanho, refrão), a quem considerava o maior compositor desse gênero, decidiram compor uma música seguindo essa estrutura musical tradicional e também criar um novo samba-enredo para a agremiação carnavalesca Portela, então iniciaram o processo de composição fazendo o esboço inicial da melodia. Em seguida ao chegar em sua residência, foi pensar em uma história para formar a letra, escolhendo o tema formação racial do Brasil, particularmente a história de sua ancestralidade miscigenada entre o indígena, europeia e negro, que chamou de "As três raças fundamentais desse país mestiço". E lembrou do poema-soneto sobre a formação da música brasileira chamado ‘Canto Brasileiro’ (gravado em 1976 no LP "O importante é que a nossa emoção sobreviva nº 2") e das frases: o canto triste nascido da miscigenação, a saudade do colonizador, o banzo do africano, a dolência do indígena, iniciando assim a letra da música com a expressão "Um soluçar de dor", ajustando a melodia em função da letra.
Após terminar o poema e ajustar a melodia, percebeu que faltava a parte principal, o refrão que identificaria este samba, o refrão na forma de "canto de lamento". Assim, fez vários textos antes de criar o definitivo, mas a cada vez que ele cantava o refrão este executava de uma forma diferente da anterior. Já no estúdio junto com Clara e o maestro Gaya, que ajudaria no arranjo, Paulo começou a sequenciar acordes no piano e foi quando finalmente a melodia do refrão foi concluída.
Esta música afirma que os inconfidentes lutaram para quebrar as correntes da escravidão ("Fora a luta dos inconfidentes; Pela quebra das correntes; Nada adiantou"), mas de acordo com o historiador Luiz Carlos Villalta (UFMG) apenas alguns membros da Inconfidência Mineira entendiam que a escravidão era incompatível com a independência brasileira, foi uma conspiração das elites e de maioria branca, que buscava participar do poder e do lucro, de forma lícita e ilícita. A perspectiva da identidade e da diferença dialogam nas canções "Canto das Três Raças" (1976) composta por Mauro Duarte de Oliveira e Paulo Cesar Pinheiro e gravada por Clara Nunes e “Etnia” (1996) composta e gravada por Chico Science e Nação Zumbi.
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