Oscar Borgerth (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1906 - Rio de Janeiro, 25 de novembro de 1992) foi um violinista e professor brasileiro. Foi figura central da música erudita no Brasil do século XX, particularmente na difusão de obras de compositores nacionais. Atuou por muitos anos como spalla (primeiro-violino) da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e da Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Era amigo e colega de Heitor Villa-Lobos e foi retratado pelo pintor Cândido Portinari na obra seminal O Violinista (1931). miniaturadaimagem|Quarteto dos Laureados (mais tarde Quarteto Borgerth) em 1935: Affonso Henriques Garcia, viola; Alda e Oscar Borgerth, violinos; Iberê Gomes Grosso, violoncelo.

Biografia e carreira Filho do médico Oscar Borgerth e de Cecília Braga Borgerth, foi incentivado na infância pelo pai a aprender piano. Estudou violino primeiro na Escola Arcângelo Corelli e depois no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ). Entre os 15 e os 16 anos já se apresentava profissionalmente. Ao concluir o curso de violino em 1925, recebeu o primeiro prêmio. No mesmo ano começou sua longa carreira como concertista.

Deu seus primeiros concertos na Europa ainda na década de 1920, passando por Portugal, Espanha e França. Após morar cerca de um ano em Paris, regressou ao Brasil no final de 1930 e, no ano seguinte, assumiu como spalla da então recém-fundada Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde ficou até 1940.

Casou-se em 1934 com a violinista Alda Gomes Grosso, irmã do violoncelista Iberê Gomes Grosso. Os três formaram o Quarteto dos Laureados, com Affonso Henriques Garcia na viola. O grupo foi mais tarde rebatizado como Quarteto Borgerth, para o qual compositores como Villa-Lobos, Oscar Lorenzo Fernández, Radamés Gnattali, José Siqueira e o norte-americano Everett Helm dedicaram diversas peças.miniaturadaimagem|248x248px|"Embaixada Artística Brasileira", em Buenos Aires,1940, com Villa-Lobos (ao centro) e Oscar Borgerth (último à direita). Em 1940, excursionou com Villa-Lobos e outros músicos para apresentações em Buenos Aires e Montevidéu, na que foi chamada “Embaixada Artística Brasileira”. Em 1941, viajou a Viena para um curso de aperfeiçoamento. De volta ao Brasil, foi spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira (1943-1946) e, a partir de 1944, catedrático de violino na UFRJ, posição que ocupou até 1976. Faleceu em 1992, aos 85 anos, no Rio de Janeiro, onde residia discretamente em um apartamento na avenida Rui Barbosa.

Prêmios Prêmio Medalha de Ouro do Instituto Nacional de Música, 1925 Grande Prêmio Nacional do Disco, 1963 Medalha Olga Verney, Primeiro Prêmio de Violino (Harriet Cohen International Music Award), Londres, 1967

Retratado por Portinari Oscar Borgerth foi o modelo para o quadro O Violinista (1931), de Cândido Portinari. Os dois haviam se conhecido meses antes em Paris, em um café onde se reunia um grupo grande de brasileiros. Com pouco dinheiro, chegaram depois a dividir, por alguns dias, um quarto de hotel na cidade. Foi ao ver O Violinista no Salão Revolucionário de 1931 que o crítico Mário de Andrade notou pela primeira vez a pintura de Portinari.

Legado Oscar Borgerth foi um dos principais divulgadores da música de câmara brasileira, notavelmente como líder de conjuntos de cordas. Também atuou como solista na primeira gravação e na estreia de obras importantes de compositores como Heitor Villa-Lobos e Hekel Tavares.

Em suas várias turnês pelo exterior, Oscar Borgerth tocou em países como Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Itália, França, Inglaterra, Holanda, Espanha, Portugal, Polônia, Israel, Iugoslávia e Rússia. Chegou a tocar um duo com Jascha Heifetz (por muitos considerado o maior violinista do século XX) e a ser convidado para ser spalla da Orquestra de Washington, quando essa foi fundada. Na opinião do também músico brasileiro e ex-aluno Guilherme Bauer, era “um gênio do violino”.

Categoria:Violinistas do Brasil Categoria:Nascidos em 1906 Categoria:Mortos em 1992 Categoria:Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Naturais da cidade do Rio de Janeiro