A Championship Auto Racing Team (CART) foi uma tradicional categoria de monopostos dos Estados Unidos da América, tendo disputado suas corridas de 1979 a 2003.
A CART foi fundada em 1979 pelos donos de equipes da United States Auto Club (USAC) Championship Division, nos quais discordavam da direção que a USAC estava levando a categoria. Esse grupo de donos de equipes decidiram coletivamente criar sua própria categoria, ao invés de depender de um organizador "neutro". Ao longo dos anos 1980, a Indy Car World Series se tornou a maior categoria de monopostos dos Estados Unidos, disputando suas etapas tanto em circuitos ovais, quanto mistos e até circuitos de rua. Os pilotos da CART continuaram a disputar as 500 Milhas de Indianápolis, que eram chanceladas pela USAC.
Em 1996, devido a cisão ocorrida com a Indianapolis Motor Speedway no mesmo ano, a categoria foi renomeada no ano seguinte como CART World Series (em 1997) e logo após, CART FedEx Championship Series entre 1998 e 2002, e em 2003, foi chamada de Bridgestone Presents The Champ Car World Series Powered By Ford, até à falência no final da temporada.
Logo a seguir, um trio de donos de equipe da CART comprou os ativos do corpo de sanção e rebatizou a categoria como Champ Car World Series. Com as dificuldades financeiras persistindo, o pedido de falência da CCWS é feito antes da temporada de 2008, que estava prevista; como consequência os bens da mesma foram fundidas, ou seja, unificadas (o que não acontecia desde 1996) com as da IndyCar Series, juntando todas as categorias com monoposto americanas (AAA, USAC, CART/Champ Car e IndyCar Series).
História Fundação
Em 1909, criou-se nos Estados Unidos uma associação automobilística para controlar o campeonato nacional. Essa associação, chamada de AAA ("American Automobile Association") funcionou até 1956 quando foi substituída pela USAC ("United States Automobile Club") após um acidente ocorrido em uma corrida de resistência, a 24 Horas de Le Mans no Circuit de la Sarthe.
Cronologia das categorias de monopostos americanos Nome da categoria Ativa durante Contexto histórico AAA 1905-1955 O ciclo da American Automobile Association terminou com o grande acidente de 24 Horas de Le Mans em 1955 USAC 1956-1984Após de 1984, a United States Auto Club sancionou apenas a Indy 500 até 1997, sendo que para a CART apenas até 1995 ICWS (IndyCar World Series) 1979-1996 A categoria foi fundada pelos donos de equipe que corriam na USAC porque defendiam a tese em que poderia ter outra sanção, a exceção era a Indy 500 CWS (CART World Series) 1997-2002 Diante da cisão da categoria com Indianapolis Motor Speedway em 1996, foi renomeado CCWS (Champ Car World Series)2003-2008Embora ainda fosse sancionada pela CART, em 2003 a categoria já era chamada de Champ Car. A temporada de 2007 foi a última da história da categoria, mas a última corrida foi realizada em 2008, marcando a reunificação das categorias IRL (Indy Racing League) 1996-2002 Foi fundada teoricamente com corridas feitas 100% em circuitos ovais, com a premissa de carros baratos, oportunidades para pilotos americanos com formato similar à NASCARICS (IndyCar Series)2003-atualmenteEm novembro de 2019, foi anunciado que dono de equipe Roger Penske adquiriu a categoria, o Indianapolis Motor Speedway
A formação da CART
thumb|Carro de A. J. Foyt em 1984. A ruptura com a USAC, em 1978, foi conduzida por um grupo de proprietários de carros que via esta entidade como uma agência de sanções incapaz. Esse grupo também se queixou da má promoção, e se aliaram com o ex-piloto Dan Gurney, que em 1978 escreveu o que ficou conhecido como o Livro Branco de Gurney (em inglês, Gurney White Paper), no qual propõem um plano para criação de uma organização chamada Championship Auto Racing Teams (CART).Eagle-eye Feature: CART White Paper
Gurney foi inspirado pelas melhorias que Bernie Ecclestone tinha aplicado na Fórmula 1, com a criação da Associação de Construtores da Fórmula 1 (FOCA). O chamado Livro Branco pelos proprietários, usado para formar a CART era um grupo de advocacia para promover o campeonato nacional da USAC, fazendo o trabalho onde o corpo de sanção não faria. O grupo também trabalharia para negociar os direitos de transmissão, o montante nas corridas e, idealmente, teriam assentos no corpo diretivo da USAC.
Gurney, apoiado por alguns dos principais donos de equipe, como Carl Hogan, Roger Penske, e da Pat Patrick, fizeram seus pedidos, que incluem maior representação na administração, mas a proposta foi rejeitada em novembro de 1978. A rejeição da proposta levou os proprietários a formar uma nova série (CART) no final de 1978, sob os princípios estabelecidos no Livro Branco de Gurney, com a primeira corrida a ser realizada em março de 1979.
Adicionando-se a isso, em 23 de abril de 1978, oito membros-chaves da USAC, além do piloto, foram mortos quando o avião em que estavam caiu durante uma tempestade aproximadamente 40 quilômetros ao sudeste de Indianápolis.
O efeito sobre a USAC, e para os monopostos nos Estados Unidos, foi devastador, especialmente desde após a morte do proprietário do autódromo de Indianápolis, Tony Hulman.
A novidade da organização, no entanto, não teve reconhecimento da ACCUS, que representa a Federação Internacional do Automóvel nos Estados Unidos. Um acordo foi alcançado com a Sports Car Club of América (SCCA), onde o SCCA agiria como o corpo de sanção para a nova série. Isso permitiria que os eventos a ser incluídos no calendário internacional automobilístico.
A nova categoria rapidamente ganhou o apoio da maioria dos donos de equipes. Isso significava que as equipes da frente e intermediárias estariam competindo na categoria de carros novos. Das 20 corridas realizadas em 1979, 13 faziam parte da temporada de estreia da CART. Dos 10 circuitos que receberam corridas de monopostos, 5 eram exclusivos da CART e apenas o Ontario Motor Speedway recebeu corridas de ambas as categorias. A primeira temporada da CART teve como campeão Rick Mears, enquanto A.J. Foyt foi o último sob a organização da USAC. No ano seguinte, no ano de 1980, a CART passa a ter o controle total da categoria.
Invasão estrangeira
right|thumb|280px|Carro da equipe Newman-Haas, pilotado por Nigel Mansell em 1993. A CART, assim como seu antecessor, a USAC, foi amplamente dominada por pilotos norte-americanos até à década de 1990. Muitas estrelas do automobilismo estadunidense, como A.J. Foyt, Mario Andretti, Al Unser, Al Unser Jr, Rick Mears, Bobby Rahal e Danny Sullivan, fizeram carreira na CART.
Apesar disso, aconteceram casos isolados de bons resultados de estrangeiros durante a década de 1980, como o vice-campeonato do italiano Teo Fabi em 1983, e o 4º lugar obtido pelo colombiano Roberto Guerrero em 1987.
Logo após o bicampeão da Fórmula 1 Emerson Fittipaldi vencer as 500 Milhas de Indianápolis de 1989 e conquistar o título no mesmo ano, no entanto, vários pilotos estrangeiros (a maioria de origem latino-americana, européia e nipônica) passaram a competir pela categoria, ao longo da década de 1990, como o escocês Dario Franchitti (que correu na IndyCar até 2013), o italiano Massimiliano Papis (que já correu na Fórmula 1 em ), o mexicano Adrián Fernández, o holandês Arie Luyendyk, o inglês Mark Blundell (também ex-Fórmula 1), o sueco Stefan Johansson (também vindo da F-1), os japoneses Hiro Matsushita e Naoki Hattori (também ex-F1), os brasileiros Maurício Gugelmin, Christian Fittipaldi e Roberto Moreno, entre outros.
O campeão da temporada de 1992 da Fórmula 1, o britânico Nigel Mansell correu na CART em 1993 e venceu o campeonato, sendo o vice-campeão um piloto também não-estadunidense e campeão da CART em 1989, Emerson Fittipaldi.
A vitória de Mansell, junto a uma estadia curta de Michael Andretti na Fórmula 1, ainda em , foi visto por alguns como uma suposta prova da superioridade de pilotos não-estadunidenses.
O ex-piloto italiano de Fórmula 1 Alessandro Zanardi, que teve menos sucesso do que Mansell e Emerson Fittipaldi na Fórmula 1, dominou as temporadas de 1997 e 1998. Seu companheiro de equipe, Jimmy Vasser, que ganhou o campeonato de 1996, foi o último campeão norte-americano da CART. Do período de 1997 até 2003 - até ser declarada a falência da CART, 5 pilotos estrangeiros conquistaram o título, que, incluindo Zanardi, foram: o colombiano Juan Pablo Montoya em 1999, o brasileiro Gil de Ferran em 2000 e 2001, o também brasileiro Cristiano da Matta em 2002 e o canadense Paul Tracy em 2003.
Durante este tempo, a CART também incluiu circuitos, como Detroit e Long Beach, que fizeram parte do calendário da Fórmula 1. Também incluiu grande corridas em locais como Miami (depois transferido para o circuito oval) e Cleveland, em circuitos de rua, respectivamente nos Estados Unidos; Vancouver e Toronto, dois circuitos de rua no Canadá; Rio de Janeiro, que sediou a etapa brasileira entre 1996 e 2000, e também o GP de Surfers Paradise, em circuito de rua na Austrália.
A dissidência da CART com a Indianapolis Motor Speedway
Em novembro de 1991, Tony George, presidente do lendário circuito oval de Indianápolis, que se notabilizou pela sua tradição vinda desde a década de 1910 americana aproximou-se da administração, propondo um novo conselho composto por representantes dos circuitos da categoria, dos donos de equipe e dos fornecedores o que foi refutado pela CART.
Divergindo, George tomou uma posição, por iniciativa própria: expressou sua preocupação acerca das sanções restritivas relacionadas aos motores (por exemplo, a proibição de um tipo de material de fibra de carbono introduzido em março de 1991, aparentemente por razões de segurança, até que dois fabricantes de chassis da categoria - Penske e Lola - poderiam colocá-lo). Entre suas preocupações eram a falta de pilotos americanos vindos da base (só havia 10 em 1996).
George se desligou da administração da CART, e anunciou os planos da fundação de uma nova categoria, chamada de Indy Racing League (IRL, atual IndyCar Series), em 1994, que iniciou sendo gerenciada pela USAC com os modelos dos chassis da CART dos anos de 1992 a 1995 recebendo apoio de alguns donos de equipe tradicionais, como Dick Simon e A. J. Foyt. Com a sua primeira corrida em 1996, as suas intenções inicialmente foram:
Controlar os custos de corrida. Segurança dos pilotos. Incluir um calendário totalmente em circuitos ovais, dentro dos Estados Unidos. Dar uma oportunidade melhor para os pilotos americanos para terem sucesso no esporte motorizado e competir nas 500 milhas de Indianápolis, particularmente os da USAC cuja representação na Indy 500 tinha diminuído.
No dia 18 de dezembro de 1995, as equipes da CART, convencidas de que eles estavam deliberadamente sendo preteridas a partir da 500 MIlhas de Indianápolis de 1996, anunciam sua intenção de boicotar o evento.
Esta combinação de eventos, somado com um aumento de circuitos mistos em substituição dos circuitos ovais, que foi expressada por ele na sua oposição aos circuitos de rua fora do território americano, acarretou num dissidência na categoria após a temporada de 1995 da CART devido a uma disputa por uma série de fatores entre a diretores da CART e Tony George, que administrava o lendário Indianapolis Motor Speedway, e queria dar mais visibilidade ao evento das 500 milhas de Indianápolis. A Indy 500 foi tratada como qualquer outra corrida no calendário, e também atribuído o mesmo número de pontos aos pilotos, atualmente o sistema de pontuação nesta corrida é diferente.
O contraste entre a prova de abertura da CART, no ovais de Miami e de Orlando na recém-inaugurada IRL e seus respectivos participantes se destacava. A maioria dos equipamentos da IRL, equipes e pilotos da categoria eram desconhecidos. Em contrapartida, na CART havia 4 fabricantes de motores, 4 fabricantes de chassi, 2 conjunto de pneus, 28 carros, grandes patrocinadores e autódromos lotados.