Martha Abreu é uma historiadora e professora brasileira, reconhecida por suas pesquisas sobre cultura afro-brasileira, memória da escravidão, história pública e estudos de gênero. Graduou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1979, realizou mestrado na Universidade Federal Fluminense em 1987 e doutorado na Universidade Estadual de Campinas em 1996. Desde 2019, atua como professora titular no Instituto de História da UFF.

Sua trajetória acadêmica abrange temas como cultura popular, relações raciais, gênero e experiências pós abolição no Brasil. Abreu é também uma das coordenadoras do projeto “Passados Presentes: memória da escravidão no Brasil” e desenvolve pesquisas voltadas às comunidades quilombolas do estado do Rio de Janeiro. Entre suas principais obras estão "O Império do Divino: Festas Religiosas e Cultura Popular no Rio de Janeiro", "Da Senzala ao Palco: Canções Escravas e Racismo nas Américas" e "Meninas Perdidas: Os Populares e O Cotidiano do Amor No Rio de Janeiro da Belle Époque", sendo este resultado de sua dissertação de mestrado defendida em 1987, focando em estudos de gênero. Biografia Martha Campos Abreu é uma pesquisadora, historiadora e professora brasileira, nascida por volta da década de cinquenta. Atua desde 2019 como professora titular no Instituto de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Graduou-se em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1979.

Carreira Depois de sua graduação, realizou seu mestrado em História pela UFF (1987) e o seu doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (1996).

Desenvolveu atividades como professora visitante em diferentes instituições, incluindo a UFRJ (2018–2019), a Georgetown University, nos Estados Unidos (2020), e a Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde atuou como pesquisadora visitante em 2022. Seu campo de pesquisa abrange a História do Brasil e a História da diáspora africana nas Américas. Dedica-se a temas relacionados aos estudos de gênero à cultura popular, à música de matriz africana, ao patrimônio cultural, às experiências pós-abolição no Brasil, bem como à memória da escravidão e às relações raciais nos séculos XIX e XX.

Contribui, desde 2015, em iniciativas de história pública voltadas para a escravidão, sendo uma das coordenadoras do projeto "Passados Presentes: memória da escravidão no Brasil", junto com as historiadoras Hebe Mattos, Keila Grinberg e Monica Lima. Presta também, desde 2008, consultoria para o Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu e para o Museu Casa do Pontal, referência em arte popular brasileira. Foi coordenadora, em março de 2017, em parceria com a pesquisadora Mônica Lima, o projeto curatorial do Museu do Território na Pequena África, no Rio de Janeiro, organizado pelo Instituto de História e Cultura Afro-Brasileira (IHCAB).

Contribuições

Martha Abreu é reconhecida por sua atuação na área de cultura afro-brasileira e memória da escravidão, participando de debates e palestras desde sua formação inicial. Em 11 de agosto de 2022, participou de um evento online do IPN (Instituto de Patrimônio/Educação/Cultura), cuja apresentação foi intitulada “Patrimônio negro no Brasil: Da cultura popular à cultura negra”. Em 22 de março de 2023, participou de uma aula inaugural na UERJ, intitulada “Do Quilombo de Bracuí ao naufrágio de um navio escravista: experiências de pesquisa e história pública”, na condição de professora visitante.

Desde os anos 2000, Martha Abreu tem desenvolvido trabalhos voltados às comunidades descendentes de africanos escravizados, especialmente no estado do Rio de Janeiro, atuando na elaboração de relatórios e em projetos de titulação de terras, em defesa da valorização da cultura afro-brasileira e dos direitos quilombolas. Junto disso, ao lado da historiadora Hebe Mattos, coordena pesquisas sobre o Quilombo de Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis (RJ), abordando o tráfico ilegal de africanos, a memória da escravidão e a cultura negra local. Por isso, em 2022 Abreu, junto com outros pesquisadores, participou na pesquisa e na busca por vestígios do navio negreiro que atracou no litoral brasileiro em 1852, colhendo depoimentos dos moradores do quilombo para preservar a memória do naufrágio e dos escravizados que morreram ali.

O estudo do gênero também é uma área de destaque nas pesquisas da historiadora. Em 2024 foi destacada a nova edição de seu livro "Meninas perdidas: Os populares e o cotidiano no amor no Rio de Janeiro da Belle Époque", que analisa os jovens trabalhadores populares (em sua maioria mulheres negras) entre 1904 -1911 no Rio de Janeiro, considerando relações amorosas, sexualidade e agentes jurídicos do período.

O trabalho de Abreu também tem relevância em pesquisas nacionais e internacionais, dentro das áreas de sua pesquisa, foi citada em diferentes trabalhos acadêmicos, nos livros de Hertzman e da Universidade de Cambridge, por exemplo. Seu livro "Da Senzala ao Palco" é analisado e avaliado no artigo "Slaveries & Post-esclavages", de Marc A. Hertzman, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Em 2022, a Cambridge University Press publicou o livro "The Boundaries of Freedom: Slavery, Abolition, and the Making of Modern Brazil", no qual sua obra é citada na bibliografia.

Além do reconhecimento internacional, Martha Abreu também aparece nas bibliografias de obras nacionais, como "A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista", de Sidney Chalhoub, e "Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil", de Flávio dos Santos Gomes e João José Reis.

Premiações

1º prêmio no concurso Sílvio Romero de Monografias, Coordenação de Folclore e Cultura Popular, Funarte, MEC, na edição de 1996 com o texto: "Os casos do Divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de janeiro do século XIX"; Em 2008, ganhou o Prêmio Manuel Dieguez Jr (Museu do Folclore/IPHAN) pelo filme "Jongos, Calangos e Folias: Música Negra, memória e poesia", lançado em 2007, com duração de 45 min, em codireção com de Hebe Mattos; Em 2022 ganhou o Prêmio Excelência UFF 2022, na categoria colégio de humanidades.UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação. Resultado do Prêmio de Excelência UFF 2022. Niterói, 2022. Disponível em: https://www.editais.uff.br/sites/default/files/arquivos/Resultado%20Final%20-%20Pr%C3%AAmios%20de%20Excel%C3%AAncia%202022.pdf. Acesso em: 29 out. 2025.

Obras Publicadas Ao longo de sua vida, Martha Abreu escreveu livros sobre suas pesquisas e sobre práticas de ensino.

Autorias de Martha Abreu: O Império do Divino: Festas Religiosas e Cultura Popular no Rio de Janeiro, 1830-1900 - Publicado em 1999; Da Senzala ao Palco: Canções Escravas e Racismo nas Américas, 1870-1930 - Publicado em 2017;

Ensino de História: Conceitos, Temáticas e Metodologia - Publicado em 2003, coautores: Hebe Mattos e Marta Maria Chagas de Carvalho; Cultura Política e Leituras do Passado: Historiografia e Ensino de História - Publicado em 2007, coautores: Rachel Soihet e Hebe Mattos.

Bibliografias

ABREU, Martha. Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930. Campinas: Editora da Unicamp, 2017. ABREU, Martha. O império do Divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro, 1830-1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. ABREU, Martha; SOIHET, Rachel (orgs.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. ABREU, Martha; SOIHET, Rachel; GONTIJO, Rebeca (orgs.). Cultura política e história: ensaios em homenagem a José Murilo de Carvalho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH). Teses – Programas de Pós-Graduação em História: de setembro de 2020 a agosto de 2022. Aula inaugural discute história da escravidão no Brasil. UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. ISBN 978-85-359-2141-0. FISCHER, Brodwyn; GRINBERG, Keila (orgs.). The Boundaries of Freedom: Slavery, Abolition, and the Making of Modern Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 2023. Disponível aqui. HERTZMAN, Marc A. Martha Abreu, Da senzala ao palco. Canções escravas e racismo nas Américas, 1870–1930 (resenha). Slaveries & Post-Esclavages, 10 maio 2021. Texto completo. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Concurso Sílvio Romero – Edições de 1991 a 2000. Passados Presentes – Memória da Escravidão no Brasil. Laboratório de História Oral e Imagem, UFJF. Patrimônio Negro no Brasil. Da cultura popular à cultura negra (Dra. Martha Abreu). Com.Br. REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos (orgs.). Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. ISBN 978-8571645967. SILVA, Janaina Ferreira dos Santos da; ROSSOTTI, Beatrice; SIQUEIRA, Olívia Tereza Pinheiro de. Entre o gênero e a diáspora afroamérica: a trajetória acadêmica da professora Martha Campos Abreu. Revista Anômalas, v. 2, p. 94–109, 2023. ISSN 2764-4200. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF). Programa de Pós-Graduação em História (PPGH): Prêmios PPGH – Professores.

Artigos e Periódicos:

HERTZMAN, Marc A. Martha Abreu, Da senzala ao palco. Canções escravas e racismo nas Américas, 1870–1930 (resenha). Slaveries & Post-Esclavages, [s.l.], 10 maio 2021. Disponível em: https://journals.openedition.org/slaveries/3718. Acesso em: 26 set. 2025.

Livros:

ABREU, Martha. Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930. Campinas: Editora da Unicamp, 2017; ABREU, Martha. O império do Divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro, 1830-1900. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999; ABREU, Martha; SOIHET, Rachel (orgs.). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007; ABREU, Martha; SOIHET, Rachel; GONTIJO, Rebeca (orgs.). Cultura política e história: ensaios em homenagem a José Murilo de Carvalho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005; CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. ISBN 978-85-359-2141-0; FISCHER, Brodwyn; GRINBERG, Keila (org.). The Boundaries of Freedom: Slavery, Abolition, and the Making of Modern Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 2023. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/books/boundaries-of-freedom/. Acesso em: [23/09/2025]; REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos (orgs.). Liberdade por um fio: história dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. ISBN 978-8571645967. Recursos Online:

Aula inaugural discute história da escravidão no Brasil. (n.d.). UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: https://www.uerj.br/agenda/aula-inaugural-discute-historia-da-escravidao-no-brasil/. Acesso em: 26 set. 2025. COLETÂNEA UFF LABHOI Passados Presentes. Niterói: Laboratório de História Oral e Imagem, [entre 2005 e 2012]. Disponível em: http://www.labhoi.uff.br/passadospresentes/. Acesso em: 27 out. 2025. Entrevista com Marilda de Souza Francisco. Revista Acervo, v. 38, n. 2 (maio/ago 2025). Arquivo Nacional. Disponível em: https://revista.arquivonacional.gov.br/index.php/revistaacervo/article/download/2727/2436?inline=1. Acesso em: 30 out. 2025. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Concurso Sílvio Romero – Edições de 1991 a 2000. [s.l.]: IPHAN, 2014. Disponível em: https://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/168. Acesso em: 26 set. 2025.