Consumo de mídia ou dieta de mídia é a soma das mídias de informação e entretenimento absorvidas por um indivíduo ou grupo. Isso inclui atividades como interagir com novas mídias, ler livros e revistas, assistir à televisão e filmes e ouvir rádio. Segundo estudo publicado na Developmental Psychology, um consumidor ativo de mídia deve ter capacidade de ceticismo, de julgamento, pensamento livre, questionamento e compreensão.
História O consumo de mídias sofreu evoluções ao longo dos séculos e décadas. Na década de 1860, foram criados mecanismos como o zootrópio, o mutoscópio e o praxinoscópio, que produziam desenhos bidimensionais em movimento. Eles eram exibidos em salões públicos para que as pessoas os observassem.
Já na década de 1920, a televisão eletrônica funcionava em laboratórios, mas essa indústria só começou a prosperar com a expansão econômica geral do pós-Segunda Guerra Mundial.
Bem mais tarde, em 6 de agosto de 1991, a internet e a World Wide Web, há muito utilizadas por especialistas em informática, ficaram disponíveis para o público, marcando o início da Internet comercializada que as pessoas usam atualmente.
Em 1999, o Friends Reunited, uma das primeiras redes sociais, foi lançado ao público. Desde então, Myspace, Facebook, Twitter (atual X) e outras redes sociais foram criadas. Em 2012, o Facebook e o então Twitter eram as principais redes sociais em termos de uso; em 2017 ambas tinham, respectivamente, 1,23 bilhão e 645,750 milhões de usuários.
Aumento Entre outros fatores, o acesso de uma pessoa à tecnologia de mídia afeta a quantidade e a qualidade do seu consumo. Nos Estados Unidos, por exemplo, cientistas da UC San Diego estimaram em 2009 que o estadunidense médio consome 34 gigabytes de mídia por dia. A quantidade de consumo de mídia entre os indivíduos está aumentando à medida que novas tecnologias são criadas. De acordo com o phys.org, um novo estudo realizado por um pesquisador do Centro de Supercomputação de San Diego da Universidade da Califórnia afirma que, em 2015, a soma da mídia solicitada e entregue aos consumidores em dispositivos móveis e em suas casas levaria mais de 15 horas por dia para ser vista ou ouvida, uma quantidade equivalente a assistir ao conteúdo de nove DVDs por pessoa por dia.
Com o rápido crescimento das redes sociais, como Instagram, Facebook e Twitter, o consumo de mídia está atingindo uma faixa etária cada vez mais jovem, aumentando o consumo geral. Com dispositivos móveis, como smartphones, notícias, entretenimento, compras e consumo estão agora ao alcance das pessoas em todo lugar e a qualquer momento.
Efeitos Positivos Existem diversos efeitos positivos do consumo de mídia. A televisão pode ter efeitos positivos nas crianças durante seu crescimento. Programas como Vila Sésamo ensinam lições para crianças em diferentes estágios de desenvolvimento, como matemática, o alfabeto, gentileza, igualdade racial e cooperação. Dora, a Aventureira, apresenta línguas estrangeiras para crianças de todas as origens em um ambiente considerado divertido e cooperativo.
Os meios de comunicação de massa têm forte domínio sobre adolescentes de hoje. Muitos jovens usam diferentes tipos de redes sociais diariamente. Os meios de comunicação de massa podem ser usados para socializar adolescentes de todo o mundo e podem ajudar a dar-lhes uma compreensão fundamental das normas sociais.
Mídia de publicidade também pode ter um efeito positivo. Algumas fabricantes de bebidas alcoólicas gastam pelo menos 10% de seu orçamento em alertas sobre os perigos de beber e dirigir. Além disso, estudos mostram que o consumo de leite (embora controverso) aumentou consideravelmente em crianças de até quinze anos de idade devido a anúncios impressos e na mídia televisiva.
Jogos eletrônicos também podem ter efeitos positivos. Jogos como Wii Tennis e Wii Fit melhoram a coordenação motora, bem como a saúde mental e física em geral.
Mesmo jogos de tiro, e até os recomendados para maiores de idade, demonstraram ser benéficos para o desenvolvimento infantil, de acordo com um estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia (APA). O estudo mostrou a necessidade de analisar tanto os efeitos positivos quanto os negativos. Quando uma criança joga videogame, ela desenvolve naturalmente habilidades de resolução de problemas. Jogos de estratégia, como jogos de RPG, apresentam estatísticas que indicam que uma experiência de jogo mais intensa aprimora as habilidades de resolução de problemas e também resulta em um aumento significativo nas notas escolares, de acordo com um estudo realizado ao longo de vários anos e publicado em 2013.
A própria internet pode ser um recurso útil para pessoas de todas as idades, servindo como uma biblioteca pessoal para quem a acessa. a quantidade de conteúdos disponíveis tornou o ato de pesquisar muito mais fácil do que antes, e as redes sociais se tornaram um método eficaz para interação e comunicação entre pessoas do mundo todo.
O consumo de mídia tem se mostrado útil também campo da educação, beneficiando tanto professores quanto alunos. A alfabetização midiática é proeminente entre os jovens, que essencialmente nasceram em uma era onde a mídia é uma força motriz global. Alunos que consomem mídia são capazes de questionar a validade da mídia à qual são expostos, desenvolvendo, por sua vez, seu próprio senso de pensamento crítico. Para ampliar suas habilidades de compreensão, os alunos frequentemente consideram útil questionar o propósito do autor, o raciocínio por trás da escolha de imagens ou motivos específicos, a representação do conteúdo e seu significado para os indivíduos, e os efeitos da mídia no pensamento individual e social. A mídia relacionada à aprendizagem é tipicamente considerada tanto uma fonte quanto uma ferramenta. Desde o seu início, muitos têm utilizado com sucesso o software Rosetta Stone para auxiliar no processo de aprendizagem de um novo idioma.
Negativos O consumo de mídia pode ter uma ampla gama de efeitos comportamentais e emocionais negativos. Há muitos exemplos de violência em filmes, televisão, videogames e sites que podem afetar o nível de agressividade de uma pessoa. Essas representações violentas podem dessensibilizar os espectadores a atos de violência e também podem provocar a imitação desses atos, além de possivelmente levar espectadores a crerem que vivem em um mundo mais violento do que realmente vivem.
A televisão pode ter um impacto negativo nos adolescentes e levá-los a comportar-se de maneira que não faz parte das normas sociais normais. Um artigo sobre a violência na mídia e a sociedade afirma que o consumo excessivo de televisão entre adolescentes e jovens adultos está associado a atos agressivos subsequentes. Programas que retratam atos violentos podem alterar a visão do adolescente sobre a violência, o que pode levá-lo a desenvolver comportamento agressivo. Esses programas geralmente retratam uma pessoa que comete um crime ou recorre à violência. Eles também mostram que essas pessoas ficam impunes por seus crimes, criando a noção de que o crime é algo que uma pessoa pode fazer impunemente. Estudos mostram que 65% das pessoas entre 8 e 18 anos têm uma televisão em seu quarto. O estudante do ensino médio assiste, em média, 14 horas de televisão por semana. O consumo excessivo de televisão e jogos de computador também tem sido associado a sintomas psiquiátricos, especialmente sintomas emocionais e comportamentais, queixas somáticas, problemas de atenção, como hiperatividade, e problemas de interação familiar.
Quando os adolescentes assistem à televisão por longos períodos, dedicam menos tempo a atividades físicas. Muitos adolescentes que passam muito tempo assistindo à televisão veem os atores como modelos e tentam imitá-los, buscando ser como eles. Isso também pode ter um impacto negativo na autoimagem, principalmente em mulheres. Após verem mulheres bonitas e mais magras do que a média na mídia, as telespectadoras podem se sentir pior consigo mesmas e, às vezes, desenvolver transtornos alimentares. Alguns acreditam que o motivo do grande aumento nas taxas de obesidade nos últimos 20 anos é o aumento do consumo de mídia. Isso ocorre porque as crianças passam muito mais tempo jogando videogames e assistindo à televisão do que se exercitando.
Estudos também demonstraram que o consumo de mídia tem uma associação significativa com a má qualidade do sono. A exposição à televisão e aos jogos de computador afeta o sono das crianças e deteriora o desempenho cognitivo verbal.
Outro problema que se desenvolveu devido ao aumento do consumo de mídia é que as pessoas estão se tornando menos independentes. Com mensagens de texto e redes sociais, as pessoas querem gratificação instantânea de seus amigos e muitas vezes se sentem magoadas se não recebem uma resposta imediata. Em vez de terem autoafirmação, as pessoas muitas vezes precisam da validação alheia. Outro problema com a independência é que, como as crianças frequentemente recebem celulares muito cedo, elas estão sempre conectadas e nunca estão verdadeiramente sozinhas. Hoje, muitas crianças não vivenciam o rito de passagem de serem independentes porque sempre podem ligar para os pais se precisarem de ajuda ou estiverem com medo.
As minorias também são frequentemente retratadas de forma negativa na mídia, com negros sendo representados como criminosos, hispânicos como imigrantes ilegais e pessoas do Oriente Médio como terroristas. Pesquisas mostram que o consumo excessivo de notícias com manchetes que retratam minorias de maneira negativa pode afetar a forma como as pessoas pensam.
Efeitos na autoestima A mídia tem influenciado as expectativas sobre a aparência ideal de um corpo masculino e feminino, o que pode ter um efeito muito negativo na autoestima de homens e mulheres. Essas imagens também podem desempenhar um papel significativo nos transtornos alimentares em homens e mulheres. A ideia de comparação corporal remonta à teoria da comparação social de Festinger (1954). Festinger argumenta que os indivíduos fazem comparações corporais em áreas com as quais se identificam. Se alguém está acima do peso e vive em um ambiente que prioriza saúde, magreza ou imagens corporais (por exemplo, a academia ou a praia), pode ser mais propenso a ver a magreza como um ideal, o que pode aumentar a insatisfação com o próprio corpo. Quanto mais uma pessoa se envolve em comparações corporais, maior a probabilidade de sofrer com baixa autoestima e uma imagem corporal negativa. As mulheres são levadas a acreditar que, para serem bonitas, precisam ter manequim 34 e pernas longas. Os homens são levados a acreditar que precisam ter bíceps grandes e zero gordura corporal. Foi relatado que a leitura de revistas com imagens de homens musculosos e definidos diminui a autoestima e a autoconfiança dos homens, fazendo com que eles se preocupem mais com sua própria saúde e condicionamento físico.
Redes sociais O tempo gasto nas redes sociais pode influenciar a autoestima das pessoas.Andreassen, C.S. Current Addiction Reports (2015) 2: 175. https://doi.org/10.1007/s40429-015-0056-9 Pesquisas mostram que indivíduos com baixa autoestima podem ter mais facilidade em se expressar nas redes sociais do que no mundo real. Muitas pessoas usam métricas como o número de seguidores e curtidas para medir a aceitação ou rejeição dos colegas. Um estudo do Journal of Experimental Social Psychology argumenta que indivíduos que se sentem aceitos e parte de um grupo seleto têm uma autoestima maior do que aqueles que não se sentem parte desses grupos.
Efeito sobre as atitudes do público em relação ao crime e à justiça