A borboleta-ribeirinha, cientificamente denominada Parides burchellanus (em inglês, denominada Burchellanus cattleheart), é uma espécie de inseto da ordem Lepidoptera; uma borboleta da região neotropical e pertencente à família Papilionidae (denominadas rabo-de-andorinha), endêmica do Distrito Federal e Minas Gerais, no Brasil; voando durante o ano todo, com picos populacionais em alguns meses e habitando as manchas de vegetação das matas ciliares ou matas de galeria entre 800 a 1.100 metros de altitude; locais com sombra, riachos e córregos onde seus adultos possam encontrar e suas lagartas se alimentar de plantas do gênero Aristolochia, conhecidas como "papo-de-peru" ou "jarrinha" e que contém compostos secundários de alcaloides tóxicos para seus predadores, mais precisamente da espécie Aristolochia chamissonis.
Classificação Parides burchellanus foi descrita em 1872 por John Obadiah Westwood na página 101 da publicação Transactions of the Entomological Society of London, no texto "Descriptions of some new Papilionidæ", seu espécime-tipo coletado em "Tenénte", perto de "Fárinhapódre", por "D. Burchell", do qual o táxon herdou o seu epíteto específico, em homenagem a William John Burchell; originalmente classificada com o nome Papilio Burchellanus (sic) e com uma ilustração periférica de número 5 registrada na PL. III., no canto inferior direito, apenas a metade esquerda do inseto totalmente visível.
O naturalista William John Burchell esteve no Brasil entre 1825 e 1830, 42 anos antes da descrição da espécie Parides burchellanus por Westwood.
Dimorfismo sexual, descrição De acordo com Westwood, em sua descrição original, Parides burchellanus possui as asas anteriores imaculadas (sem manchas), o que distingue este inseto da grande massa de Papilios sul-americanos pretos com manchas vermelhas nas asas posteriores; neste caso apresentando seis rosadas e arredondadas manchas regularmente espaçadas próximas às margens de cada asa posterior, em toda sua extensão, vistas tanto por cima quanto por baixo, onde se tornam mais pálidas. Os sexos pouco diferem, o macho sendo diferenciado da fêmea pela presença de escamas androconiais esbranquiçadas ao longo das margens internas de suas asas posteriores.
Conservação Com espécimes registrados apenas em Planaltina, no Distrito Federal, e na Serra da Canastra e Brumadinho, em Minas Gerais (nesta última localidade se tornando o símbolo ambiental do município), Parides burchellanus foi uma das duas espécies de borboletas a figurar na lista das 100 espécies mais ameaçadas do mundo pela IUCN, sendo a outra Actinote zikani; também desde 2019 colocada no status de espécie em perigo (EN) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e inserida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, como espécie em perigo crítico (CR). Já existiram registros históricos dessa espécie em áreas que atualmente estão sob forte impacto antrópico, em Sobradinho (Distrito Federal), Anápolis (Goiás), Carmo do Rio Claro, Matosinhos (no Rio das Velhas) e Uberaba (em Farinha Podre) (Minas Gerais), ainda em Batatais e Bauru (São Paulo), não havendo novos registros de Parides burchellanus nestas localidades, onde provavelmente se encontra extinta.
Ligações externas
Lagarta de P. burchellanus (Lep Web - Bruno Moraes), Flickr. Crisálida de P. burchellanus (Lep Web - Bruno Moraes), Flickr. Adulto de P. burchellanus (Lep Web - Bruno Moraes), Flickr. Ciclo de P. burchellanus (Lep Web - Bruno Moraes), Flickr.
Categoria:Lepidópteros descritos em 1872 Categoria:Borboletas endêmicas do Brasil Categoria:Borboletas do Distrito Federal (Brasil) Categoria:Borboletas de Minas Gerais Categoria:Parides