Trancoso é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda, e integrando atualmente a região do Centro (Região das Beiras) e sub-região da Beira Interior Norte, que fez parte da província histórica da Beira Alta, com habitantes (2021), e situada num planalto em que o ponto mais alto tem de altitude.
É sede do Município de Trancoso com de área e habitantes (2011), subdividido em 21 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a norte pelo município de Penedono, a nordeste por Mêda, a leste por Pinhel, a sul por Celorico da Beira, a sudoeste por Fornos de Algodres, a oeste por Aguiar da Beira e a noroeste por Sernancelhe.
Trancoso é um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos,Instituto Geográfico do Exército (cartografia): Limites do concelho de Trancoso estando uma das suas freguesias (Guilheiro) separada do resto do município por uma estreita faixa de território pertencente à freguesia de Arnas, do município de Sernancelhe; uma vez que este último município pertence ao distrito de Viseu, isto torna territorialmente descontínuo o distrito da Guarda (existência de um exclave),Instituto Geográfico do Exército (cartografia): Limites do distrito da Guarda criando um enclave no interior do distrito de Viseu,Instituto Geográfico do Exército (cartografia): Limites do distrito de Viseu casos únicos em Portugal.Jornal Nova Guarda, "A Guarda, o distrito descontínuo", notícia de 17/03/2010. Acedida a 13/08/2011.
Freguesias thumb|Freguesias do município de Trancoso.|285x285px|esquerdaCom a curiosidade deter uma freguesia que é um exclave, o município de Trancoso está dividido em 21 freguesias: Aldeia Nova Castanheira Cogula Cótimos Fiães Freches e Torres Granja Guilheiro (exclave) Moimentinha Moreira de Rei Palhais Póvoa do Concelho Reboleiro Rio de Mel Tamanhos Torre do Terrenho, Sebadelhe da Serra e Terrenho Trancoso (São Pedro e Santa Maria) e Souto Maior Valdujo Vale do Seixo e Vila Garcia Vila Franca das Naves e Feital Vilares e Carnicães
Aldeias anexas
À-dos-Ferreiros (Cótimos) Aldeia de Santo Inácio (São Pedro) Ameal (São Pedro) Avelal (São Pedro) Boco (Santa Maria) Broca (Vilares) Carigas (Vale do Seixo) Castaíde (Santa Maria) Courelas (São Pedro) Dominga Chã (Granja) Falachos (Tamanhos) Frechão (Torres) Freixial (Vila Garcia) Garcia Joanes (Feital) Maçal da Ribeira (Vilares) Miguel Choco (Santa Maria) Moitas (Valdujo) Montes (Santa Maria) Quintã do Cabeço (Valdujo) Quintã do Curral (Valdujo) Quintã da Igreja (Valdujo) Ribeira do Freixo (Vale do Seixo) Rio de Moinhos (Santa Maria) São Martinho (São Pedro) Sintrão (Santa Maria) Vale de Mouro (Tamanhos) Venda do Cepo (Santa Maria) Vendinha (Granja)
População Número de habitantes * Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 15 664 16 579 17 205 17 966 18 123 17 612 17 602 19 574 20 632 18 224 14 046 13 099 11 484 10 889 9 878 8 413 Número de habitantes por Grupo Etário ** INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros INE - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0011166&contexto=bd&selTab=tab2 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 20210-14 Anos 6 288 6 414 6 028 6 064 6 784 6 857 5 803 4 000 3 153 2 215 1 518 1 105 74415-24 Anos 3 207 3 102 3 154 3 270 3 270 3 572 2 839 1 885 2 084 1 542 1 454 1 025 67725-64 Anos 7 358 7 377 7 110 6 946 7 972 8 650 7 995 6 000 5 592 5 218 5 017 4 779 3 958= ou > 65 Anos 868 1 054 1 170 1 343 1 330 1 465 1 587 1 800 2 270 2 509 2 900 2 969 3 034 Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.
De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.
Política
Eleições autárquicas +Data%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipaçãoPPD/PSDCDS-PPPSFEPU/APU/CDUADPRDNCPSD/CDSCH197639,70227,33221,6714,61 —1979ADAD32,6522,63 —61,273198244,05334,70311,2813,07 —198544,35422,3727,50 —2,94 —17,841198954,50418,05122,1821,24 —199351,68414,26128,0621,35 —199745,4144,43 —44,6231,12 —200153,1243,37 —38,9530,56 —200556,22436,2531,10 —200950,43445,2231,06 —201337,2831,88 —55,3941,29 —201731,1925,16 —56,2132,46 —2021CDS-PPPPD/PSD59,7131,76 —32,712202543,0931,28 —8,65 —39,1424,49 —
Eleições legislativas +Data%CDSPSDPSPCPUDPADAPU/ CDUFRSPRDPSNB.E.PANPSDCDSLCHIL197638,9822,9219,162,791,091979ADAD18,61APU0,5568,533,801980FRS0,7568,514,1718,43198325,8341,0922,400,283,01198519,5044,2014,130,463,349,1319877,6468,1014,22CDU0,241,601,2719918,6864,6818,261,380,741,12199511,2649,3432,540,701,730,64199910,1546,2037,401,751,0520029,8155,4228,151,071,1120057,7542,4839,991,762,45200912,4941,6031,331,886,18201110,9251,7624,642,143,050,592015PSDCDS31,292,736,220,3950,260,2220195,9737,4538,201,995,781,150,291,300,3420222,7535,6245,081,312,600,300,476,861,682024ADAD31,2637,471,042,430,780,8417,941,492025PSDCDS25,600,840,820,8843,740,7919,711,57
Topónimo A origem do nome "Trancoso" motiva hoje em dia a especulação e a imaginação.TEIXEIRA, Irene Avilez (1982). Trancoso - Terra de sonho e maravilha. Trancoso. Existem pelo menos duas explicações, ambas de pendor mitológico. Tais explicações, contudo, poderão não ser tão fantasiosas como à partida seríamos levados a pensar. Uma destas explicações refere que o nome deriva de "troncoso", ou seja, o nome ficaria a dever-se ao facto de existirem árvores de grande porte na região em que a cidade foi fundada. De facto, Artur Taborda de Morais,Universidade de Coimbra. MORAIS, Artur Augusto Taborda de (1902-?). URL: http://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/MORAIS_arturaugustotabordade. Consulta em 17 de março de 2014 no estudo "As árvores notáveis de Portugal", descreve individualmente o "Castanheiro do Campo — Castanea sativa Mili"MORAIS, Artur Taborda (1937). "Castanheiro do Campo - Castanea sativa Mili", Anuário da Sociedade Broteriana, Ano III, pp. 34-37. e o "Freixo Grande de Trancoso — Fraxinus oxicarpa Willd".MORAIS, Artur Taborda (1937). "Freixo Grande de Trancoso - Fraxinus oxicarpa Willd", Anuário da Sociedade Broteriana, Ano III, pp. 38-41. O segundo, que foi considerado por Charles Joly (1818–1902),BnF. Notice d'autorité personne. Joly, Charles (1818-1902) forme internationale. URL: http://catalogue.bnf.fr/servlet/autorite?ID=11628490&idNoeud=1.1&host=catalogue. Consulta em 17 de março de 2014 em 1893, uma das maiores árvores da Europa,JOLY, Ch. (1893). "Note sur quelques Arbres géants du Portugal", Journal de la Société Nationale d'Horticulture de France, Tome XV, 3e Série, pp.2-3. já não existe, mas ainda hoje é possível observar árvores impressionantes como a "Tília Grande de Trancoso". Outra explicação, que específica concretamente um ato de fundação, um pouco à semelhança de Roma (cf. Fundação de Roma), refere que a cidade terá sido fundada por um emissário vindo do Egito ou da Etiópia. O nome do emissário seria Awseya Tarakos, que mais tarde viria a ser rei da Etiópia, da dinastia salomónica.Ethiopedia or Encyclopedia for Ethiopia (2007). Kings and Queens of Ethiopia 4470 B.C.E. to 1930 A.D. URL: http://ethiopedia.blogspot.pt/2007/01/kings-and-queens-of-ethiopia-4470-bce.html. Consulta em 17 de março de 2014 Existem, também, outras cidades europeias cujos nomes têm algumas semelhanças com Trancoso, podendo haver alguma relação entre eles (Tarragona, Tarascon, etc.). Em Portugal, atualmente, é possível encontrar a designação Trancoso para outras localidades e lugares. Existe, ainda, um rio no norte de Portugal, afluente do rio Minho, que tem esse nome.INFOPÉDIA. Rio Minho. Porto: Porto Editora, 2003-2014. URL: http://www.infopedia.pt/$rio-minho. Consulta em 17 de março de 2014
História thumb|left|250px|Igreja de São Pedro do século XVII Com os seus numerosos monumentos, da arquitetura civil, religiosa e militar constitui um dos mais expressivos e belos centros históricos do país,CORREIA, Joaquim Manuel (1989). Trancoso. Notas para uma monografia. Trancoso. visitado anualmente por muitos milhares de pessoas. Estes monumentos distribuem-se um pouco por todo o município.
Na arquitetura religiosa, destacam-se na sede de município as igrejas paroquiais de Santa Maria e de São Pedro e a igreja da Misericórdia. Na arquitetura civil, encontramos a Casa dos Arcos, do século XVI, a Casa do Gato Preto (um curioso edifício do antigo bairro judaico), e o Pelourinho,CARDOSO, Nuno Catarino (1936). Pelourinhos das Beiras. Lisboa.CHAVES, Luís (1938). Os Pelourinhos. Elementos para o seu catálogo geral. Lisboa.MALAFAIA, E. B. de Ataíde (1997). Pelourinhos Portugueses, Tentâmen de Inventário Geral. Lisboa.REAL, Mário Guedes (1968). "Pelourinhos da Beira Alta", Beira Alta, vol. XXVII. Viseu.SOUSA, Júlio Rocha e (1998). Pelourinhos do Distrito da Guarda. Viseu. bela peça do mais puro estilo manuelino.
Nesta cidade nasceram também o profeta e sapateiro António Gonçalves Annes Bandarra e o Padre Francisco Costa.
Pré-história e Antiguidade A cidade de Trancoso, devido à sua localização, entre os rios Douro, Côa e Mondego, faz parte de um conjunto de fortalezas situadas junto da serra da Estrela e da fronteira com Espanha. A sua localização privilegiada constitui um importante ponto de observação por sobre algumas das principais vias romanas que cruzam a região,FIGUEIREDO, C. (1952). Subsídios para o estudo da viação romana das Beiras, Beira Alta. Viseu.FIGUEIREDO, C. (1953). Subsídios para o estudo da viação romana das Beiras, Beira Alta. Viseu.MAIA, Manuel (1979). Vias romanas no território dos "Interannienses". Lisboa: Dir.-Geral do Património Cultural. nomeadamente aquela que fazia a ligação entre Braga e Mérida. Em todo o caso, este é um assunto até agora pouco aprofundado, tanto mais que, numa época mais próxima de nós, até mesmo o estudo das vias de comunicação existentes no Portugal da Idade Média se encontra ainda numa fase embrionária.MONTEIRO, Helena (2012). A estrada de Beira: reconstituição de um traçado medieval. Dissertação de mestrado em História, especialização em História Medieval. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. URL: http://run.unl.pt/handle/10362/8340. Consulta em 17 de março de 2014
Assim, dada a sua localização, compreende-se a importância que esta cidade já tinha antes da fundação de Portugal. Durante a Reconquista trata-se de umas das praças fortes que mais disputa suscitou. Luís de Camões refere que a conquista de Beja, por D. Afonso Henriques, correspondeu a uma espécie de vingança pelo facto de Trancoso ter sido destruída ("Já na cidade Beja vai tomar / Vingança de Trancoso destruídaThe Project Gutenberg EBook of Os Lusíadas, by Luís Vaz de Camões. URL: http://www.gutenberg.org/files/3333/3333-h/3333-h.htm. Consulta em 17 de março de 2014").
Não muito longe da cidade, encontra-se um importante sítio arqueológico considerado Património Mundial: sítios de arte rupestre do Vale do Côa. Desse modo, somos levados a pensar que toda esta região é habitada desde tempos imemoriais.
Época medieval A vila de Trancoso foi saqueada por Almançor em 981. Já em 1140, Trancoso foi palco de uma nova contenda entre D. Afonso Henriques e Esmar, derrotado na Batalha de Ourique no ano anterior.
Trancoso encontra-se hoje rodeada de muralhas, da época dionisiana, com um belo castelo, também medieval, a coroar esse majestoso conjunto fortificado.