As villes mortes, ou journées villes mortes (“dia da cidade morta”), são uma forma de greve geral implementada em alguns países da África.
Histórico O movimento teve origem no início da década de 1990 em Camarões, acompanhando o amplo movimento de democratização nos países africanos.
Os jovens partidos da oposição confrontaram os poderes constituídos denunciando sua desatenção. A única solução apresentada por esses partidos foi convocar a população para participar de uma greve geral, caracterizada pelo fechamento de lojas, serviços e empresas. Em maio de 1991, a força e a coerção de jovens organizados em grupos (em Camarões: Cap Liberté) paralisaram toda a cidade de Douala e os principais centros urbanos do oeste e do litoral. Os danos foram severos em Camarões, onde o regime se mantinha inflexível.
Desde então, foram realizados inúmeras jornadas de "villes mortes". Isso ocorreu notavelmente desde 2017 em Camarões - onde o movimento é observado regularmente em suas regiões anglófonas, convocado por separatistas, no contexto de um conflito armado - para pressionar o governo, ou na República Democrática do Congo, por iniciativa da oposição, para exigir o respeito às regras democráticas.
Em 2022, os dias de "villes mortes" foram organizados em Goma, na RDC, convocados pela sociedade civil para exigir operações militares para desalojar os rebeldes do M23 que controlavam a cidade de Bunagana. As autoridades proibiram essas jornadas.
Bibliografia D. Malaquais , Blood Money: A Douala Chronicle, in « African Cities Reader», 2003 (leia online) p. 137-149.
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