A Colônia Esperança surgiu, em 1934, em terras que hoje pertencem à cidade de Arapongas, resultado da iniciativa de Koshiro Suzuki, missionário de origem japonesa, que desejava formar uma comunidade nipônica e católica em solo brasileiro. Inicialmente, ele residiu no estado de São Paulo, mas, devido ao surto de malária na região, buscou outro local para estabelecer moradia fixa. Suzuki ouviu sobre a terra roxa e fértil do Paraná e, em Londrina, encontrou-se com Hikoma Udihara, em um escritório da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), que ficou conhecido por negociar lotes com japoneses, tornando-se o representante exclusivo de vendas para eles, e sendo um dos principais responsáveis pela concentração dessa população no norte do Paraná.Magalhães, Leandro Henrique (2013). «PATRIMÔNIO CULTURAL LONDRINENSE E A CONTRIBUIÇÃO JAPONESA ATRAVÉS DA GASTRONOMIA» (PDF). Natal, RN.: ANPUH. XXVII Simpósio Nacional de História. ISBN 978-85-98711-11-9

Foi Udihara quem levou Suzuki para conhecer a região então chamada Gleba Pirapó, que lhe pareceu adequada para a formação da futura “Colônia Esperança”, ou "Shin Ai Shokuminchi". O nome deriva do japonês shin (fé) e ai (amor), combinação da qual surge a ideia de esperança. A CTNP negociou com Suzuki, e ele adquiriu dez alqueires de terra para a construção da Igreja Sagrado Coração de Jesus (Mosteiro Sagrado Coração de Jesus, desde 2024), comprometendo-se, em troca, a vender mil alqueires para outros japoneses.

Após o missionário dormir por uma noite à margem do Rio Pirapó, comprovou-se que o mal da malária não estava presente no local e, então, começou a chamar amigos e conhecidos com a intenção de que conhecessem e comprassem lotes ali. Dessa forma, iniciou-se a povoação do lugar em meados de 1935, e em 1937, já havia vinte e quatro famílias na Colônia. O desenvolvimento comunitário avançou e, em 1944, foi criada oficialmente a primeira escola, o Grupo Escolar “19 de Abril”, que, após receber outras denominações, transformou-se na atual Escola Estadual “Frei Graciano Droessler – Ensino Fundamental”. Nas mesmas instalações funciona também a Escola Municipal Colônia Esperança.

Conforme arquivos da CTNP, a maioria dos japoneses que migraram para o Paraná, vieram do noroeste paulista, onde eram colonos ou arrendatários de terras para o cultivo de café, e encontraram oportunidades econômicas nos novos lotes abertos pela Companhia, que estavam sendo vendidos a preços mais acessíveis do que em São Paulo. Assim, por intermédio do corretor Hikoma Udihara, os mil e duzentos alqueires reservados pela CNTP para o estabelecimento dos japoneses na Gleba Pirapó foram negociados.

À princípio, os colonos praticavam a cafeicultura, pois muitos possuíam experiência prévia, e tudo continuou dessa forma até a Geada Negra, em 1975, que provocou grande instabilidade, tendo em vista a forte dependência no café. Em algumas propriedades, eram cultivadas também uva e culturas temporárias, como o arroz e a soja. A avicultura, atividade que exigia pouco espaço e se adaptava bem ao clima local, ganhou destaque econômico e permanece importante, sendo celebrada anualmente na Feira do Ovo e do Abacate. A Colônia é uma das principais produtoras de ovos da cidade, que é a maior criadora de ovos para consumo humano do estado, com cerca de 460 milhões de unidades somente no ano de 2024. O Abacate Margarida tornou-se também essencial na economia da comunidade, com média de 2,3 mil toneladas sendo criadas ao ano.

As famílias japonesas tiveram papel fundamental no desenvolvimento social, econômico e cultural de Arapongas. Em reconhecimento a essa contribuição histórica, dois representantes da comunidade foram homenageados em sessão solene da Câmara Municipal em 2024. Massake Makiyama (Cambará-PR, 26/04/1938 – presente) recebeu o título de Cidadão Honorário, enquanto Ignácio Suzuki (Colônia Esperança, Arapongas-PR, 11/03/1942 – presente), filho do fundador Koshiro Suzuki, foi agraciado com o título de Cidadão Benemérito. As homenagens simbolizam o impacto duradouro da presença japonesa na formação da identidade local e reafirmam a relevância da Colônia Esperança na história do município.

Referências

Categoria:Arapongas Categoria:Diáspora japonesa