O sequestro de Papiri ocorreu em 21 de novembro de 2025, quando homens armados sequestraram 315 pessoas da Escola St. Mary's, em Papiri, no estado de Níger, Nigéria. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque até o momento. Entre os sequestrados estão 303 alunos e 12 professores. Todas as demais escolas do estado de Níger, bem como muitas nos estados vizinhos, foram fechadas por tempo indeterminado em decorrência do ataque. Cinquenta pessoas conseguiram escapar e retornar para suas famílias.

Antecedentes A Escola St. Mary's é uma escola secundária católica localizada em Papiri, na margem norte do lago Cainji, Nigéria. Antes do sequestro, a instituição tinha 629 alunos matriculados. A Nigéria enfrenta uma crise de sequestros; pelo menos cinco sequestros em massa ocorreram em escolas desde que o presidente Bola Tinubu assumiu o cargo em maio de 2023.

O ataque ocorreu em meio a uma crise de segurança mais ampla no país. Na mesma semana, sequestradores atacaram residências no estado de Zanfara, uma escola no estado de Kebbi e uma igreja no estado de e Kwara, sequestrando dezenas de pessoas em cada um desses locais. Diante do agravamento da situação, o presidente Tinubu cancelou suas viagens à cúpula do G20 e à 7.ª Cúpula União Europeia–União Africana.

O sequestro também ocorreu durante um período de deterioração nas relações entre a Nigéria e os Estados Unidos. Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia ameaçado uma intervenção militar na Nigéria para proteger cristãos da suposta perseguição religiosa.

Ataque O ataque ocorreu durante a noite e durou aproximadamente três horas. Homens armados, visando os dormitórios das escolas primárias, colocaram crianças em um caminhão grande. Um relato alternativo afirma que cinquenta homens armados chegaram em motocicletas, "conduzindo" as crianças. A Associação Cristã da Nigéria (CAN) contabilizou 303 crianças e 12 professores como sequestrados, revisando estimativas anteriores, que eram mais baixas. A CAN alegou que 88 tentaram fugir, mas foram interceptados pelos sequestradores. Isso tornaria o sequestro um dos maiores da história da Nigéria. O governador do estado de Níger, Mohammed Umar Bago, contestou a estimativa, afirmando que havia muito menos sequestrados e que todos seriam resgatados.

Vítimas Os estudantes sequestrados eram de ambos os sexos e tinham idades entre 10 e 18 anos. De acordo com a polícia nigeriana, porém, a escola atendia alunos de 12 a 17 anos.

Cinquenta estudantes escaparam em 23 de novembro, segundo a CAN, deixando 265 pessoas ainda em cativeiro.

Consequências A AP News citou autoridades afirmando que caçadores e equipes táticas foram mobilizados para procurar os sequestrados.

O governo federal nigeriano fechou 47 escolas em resposta aos sequestros nos estados de Níger e Kebbi. O governo do estado de Níger anunciou o fechamento de todas as escolas até 2026, antecipando o recesso de Natal. Em 24 de novembro, foi noticiado que 50 crianças conseguiram escapar do cativeiro e se reuniram com suas famílias.

Atribuição de responsabilidade O governo do estado de Níger condenou o sequestro, responsabilizando a escola por continuar funcionando apesar de supostamente ter sido orientada a fechar devido a ameaças à segurança. A CAN rejeitou essa acusação como uma tentativa de transferir a culpa e negou ter qualquer aviso desse tipo.

A Anistia Internacional criticou as políticas de segurança do presidente Tinubu, afirmando que elas falharam em prevenir o rapto.

Reações Em 21 de novembro, o representante dos Estados Unidos, Riley Moore, classificou o sequestro como "de partir o coração" e escreveu: "Chega! Devemos fazer tudo o que pudermos para defender nossos irmãos e irmãs em Cristo."

Em 23 de novembro, o Papa Leão XIV expressou profunda tristeza pelos sequestros no final da oração do Angelus e fez um apelo pela libertação imediata das vítimas.

Ver também Sequestro em massa de Zanfara Sequestro das alunas de Chibok

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