Rui Afonso Gonçalves Cartaxana (Lourenço Marques, atual Maputo, 8 de setembro de 1929 - Lisboa, 24 de julho de 2009) foi um jornalista, editor e diretor de imprensa português. É reconhecido como uma das figuras mais influentes do jornalismo desportivo em Portugal durante a segunda metade do século XX, especialmente pela modernização e profissionalização do jornal Record

Biografia Rui Cartaxana nasceu em Moçambique a 8 de setembro de 1929. Cresceu num ambiente urbano e multicultural, onde a imprensa desempenhava um papel central não só na vida pública mas também na cultural. Desde cedo demonstrou interesse pela leitura e escrita, cativando-se pelos jornais e revistas que encontrava pela cidade. Na sua infância, por volta dos 5 anos de idade, mudou se para Portugal, onde frequentou o ensino. Nessa altura viveu em Alcácer do Sal, na casa de uma avó. Aos 20 anos, regressou ao seu país de origem para o cumprimento do serviço militar obrigatório. Durante os dois anos que teve em Báruè, chegou a tenente e casou-se com a filha do capitão da companhia com quem teve quatro filhos.

Durante a sua vida, foi simpatizante do Partido Socialista e filiou-se após o 25 de Abril.

Apesar de não ter formação académica formal em jornalismo, Cartaxana adquiriu uma vasta experiência prática derivado do contato direto com redações e repórteres, desenvolvendo fortes habilidades de pesquisa, análise crítica e escrita persuasiva.

Acabou, por falecer, em Lisboa, a 24 de julho de 2009, quando tinha 79 anos de idade, sendo o seu velório realizado na Igreja dos Olivais e o seu funeral no Cemitério dos Olivais.

Carreira jornalística Cartaxana começou a sua atividade profissional em 1959, em Moçambique, executando colaborações no Diário de Moçambique. Na década de 60 destacou-se por cobrir temas sociais e políticos num contexto colonial em mudança e pela realização de reportagens e entrevistas com figuras locais e nacionais que, mais tarde, ganharam relevância na imprensa portuguesa. Entre 1974 e 1978, já, em Portugal, contribuiu com o seu trabalho e abordagem equilibrada e meticulosa para diferentes jornais como por exemplo O Século, O Dia e A Luta. Teve uma breve pausa, quando voltou a exercer a sua profissão, ocupou lugares e desempenhou funções de alto prestígio no Diário Popular. Ainda, durante 12 anos, 1986 a 1998, cumpriu o cargo de diretor no jornal desportivo Record, onde alcançou diversas conquistas:

Ser o primeiro diretor a atingir e ultrapassar a barreira dos 100 mil exemplares de tiragem por edição (agosto, 1987) Presenciar a impressão a cores (1989)

Fazer a transição do jornal para diário (1995) Expandir a cobertura a outras modalidades além do futebol Iniciar os primeiros passos do jornal na Era digital

Em termos de modernização editorial, introduziu padrões de rigor jornalístico inéditos, incentivou investigações minuciosas, conseguindo, assim, reportagens aprofundadas, não se deixando ficar apenas por informações superficiais ou rumores e defendeu princípios de ética, transparência e imparcialidade mesmo em assuntos polémicos.

Por fim, entre os anos de 2004 a 2008 foi provedor do leitor no Record, tendo, também, uma coluna de opinião.

O percurso jornalístico de Rui Cartaxana abrangeu épocas de grande transformação em Portugal (período colonial, Revolução dos Cravos, transição democrática) e, ainda, a evolução dos media nos finais do século XX.

Rui Cartaxana é lembrado por descobrir, orientar e formar profissionais que mais tarde se tornaram grandes referências no jornalismo desportivo. É importante também referir que é recordado como um dos diretores mais importantes da história do jornalismo desportivo em Portugal.

Além disso, Cartaxana era conhecido também pelo seu rigor factual, pois recusava-se a publicar artigos que não eram verificados. Abordava assuntos polémicos com independência, mostrando a sua frontalidade e coragem. Priorizava sempre o interesse do público, o que demonstrava responsabilidade e ética da sua parte, e era uma pessoa exigente quando se referia a edição. Esta sua filosofia profissional serviu para elevar o jornalismo desportivo ao mesmo patamar de seriedade que a imprensa generalista.

Estilo e reconhecimento Rui Cartaxana foi visto como um jornalista com um elevado rigor ético. É descrito por vários jornais e pessoas de renome como um jornalista sem medo, pois enfrentava pressões e denunciava casos polémicos sem deixar-se intimidar.

O Prémio Gazeta de Reportagem de Imprensa, que recebeu em 1984, atribuído pelo Clube de Jornalistas, é um ponto relevante de mérito. Somando a todo o já adquirido reconhecimento, ainda, em 1999, foi condecorado com a medalha de mérito desportivo pelo Ministério da Juventude e do Desporto. Foi, ainda, distinguido com o Grande Prémio Urbano Carrasco por duas vezes.

Distinguiu-se dos demais, por ser visto como formador de gerações pois incentivou jovens jornalistas, a cada vez mais, se dedicarem e esforçarem-se ao máximo. Não só à recolha de dados precisos, mas também ao desenvolvimento das suas capacidades digitais, sendo uma figura respeitada no meio jornalístico, tanto pela competência técnica como pela integridade pessoal.

Legado e influência O legado de Cartaxana transcende a sua marca deixada no Record. Simboliza uma forma de jornalismo pautada pelo respeito e pela exigência intelectual. É uma referência tanto na área desportiva como na generalista, tendo conseguido deixar um efeito duradouro na forma como se escreve, interpreta e debate o desporto em Portugal. Mesmo após a sua morte, permanece lembrado como um repórter de coragem e diretor visionário, cujo todo o empenho e trabalho ajudou a moldar a identidade moderna da imprensa nacional.

Homenagens:

Cobertura especial no Record, um tempo depois da sua morte, onde foram dados depoimentos de colegas e profissionais do setor, abordando o considerado impacto profundo que Cartaxana proporcionou ao jornal. Programas de televisão sobre a história do jornalismo desportivo destacam o seu contributo. Menções em artigos académicos e em antologias do jornalismo desportivo.

Obras

Onde Rui Cartaxana é o autor:

Viver e morrer em Portugal- O escândalo dos transplantes (1986)

Sobre Cartaxana:

Tempo de acusar ou o retrato dum retratista (Rui Cartaxana)- José Carlos Ney Ferreira (1971)

Referências

Categoria:Jornalistas de Portugal