Celso Murilo (nascido Celso Levenhagen) Baependi, 9 de março de 1940O Dicionário Cravo Albin cita o ano de 1938, porém fontes locais e biográficas como a Rádio Rio Verde FM indicam 1940.) é um músico, arranjador e compositor brasileiro. Notabilizou-se como um dos principais organistas do movimento Samba-jazz e da Bossa nova instrumental nas décadas de 1960 e 1970.
Conhecido pela virtuose no órgão Hammond, Celso Murilo participou de gravações históricas e acompanhou nomes fundamentais da MPB, como Wilson Simonal e João Gilberto.
Biografia e carreira Nascido em Baependi, no sul de Minas Gerais, Celso Levenhagen provém de uma família tradicional de juristas, sendo filho de Antonio José de Souza Levenhagen e irmão de magistrados renomados.
Na adolescência, já demonstrava talento musical realizando pequenos shows para hóspedes de hotéis em Caxambu, cidade turística vizinha à sua terra natal. Nessas apresentações, chamou a atenção de Silvio Viana, que o convidou para tocar no Rio de Janeiro. Celso recusou o convite inicial devido à obrigatoriedade do serviço militar naquele ano.
Mudou-se para o Rio de Janeiro apenas em 1959. Sua entrada na cena musical carioca ocorreu de forma inusitada: ao visitar a boate Arpège para assistir a um ensaio dos músicos da casa, acabou por substituir de improviso o pianista titular, que adoecera naquele dia. Sua performance impressionou o gerente do estabelecimento, resultando em sua contratação imediata. Na boate Arpège, Celso trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Lúcio Alves, Dóris Monteiro, Juca Chaves e Tom Jobim. Foi nessa época que conheceu João Gilberto, que carinhosamente o apelidou de "Mineirão".
Em 1961, foi contratado pela gravadora Pawal, marcando um período de intensa produtividade com o lançamento de uma trilogia de LPs no mesmo ano: Sambas na Passarela, Ritmos na Passarela e Mr. Ritmo. Posteriormente, integrou conjuntos importantes como o Tamba Trio (substituindo Luiz Eça) e participou de gravações históricas, consolidando sua sonoridade percussiva no órgão Hammond.
Retorno a Baependi e rádio Em anos recentes, Celso Murilo retornou à sua cidade natal, Baependi. Lá, tornou-se colaborador da rádio local Rio Verde FM, onde apresenta o programa "Toque Sem Retoque". Na atração, o músico compartilha seu conhecimento sobre música, analisando a técnica e o talento de grandes intérpretes nacionais e internacionais, mantendo-se ativo na difusão cultural.
Discografia Sua discografia solo é marcada por álbuns instrumentais que misturam o balanço do samba com a linguagem do jazz.
Álbuns de estúdio Ano Título Gravadora Notas 1961 Sambas na Passarela Pawal Primeiro da trilogia de 1961. 1961 Ritmos na Passarela Pawal Repertório com boleros e fox. 1961 Mr. Ritmo Pawal Clássico do samba-jazz. 1962 Férias no Drink Pawal — 1963 Convida a Dançar Pawal — 1965 Tremendo Balanço Imperial Creditado como "Celso Murilo e Seu Conjunto". 1966 Alegria de Viver Imperial — 1968 Festa de Ritmos Imperial — 1969 Não Pare Agora! Equipe Álbum cultuado por DJs de acid jazz. 1979 Pense Nisto Independente —
Coletâneas e Box Sets Em 2015, parte significativa de sua obra foi reeditada digitalmente pelo selo Discobertas.
Box Bossa é Bossa (2015) – Caixa contendo os álbuns: Sambas na Passarela (1961) Ritmos na Passarela (1961) Férias no Drink (1962) Convida a Dançar (1963) Celso Murilo Interpreta Roberto Carlos (2015) Bossa Nova - O Luxo Brasileiro (2015) Boleros (2015)
Participações selecionadas Como músico de estúdio e sideman, participou de centenas de gravações.
Ano Artista Álbum Instrumento 1963 Moacyr Silva Sax Sensacional Piano 1964 Doris Monteiro Doris Monteiro Órgão 1966 Wilson Simonal Vou Deixar Cair... Órgão 1968 Ed Lincoln Ed Lincoln Órgão
Ver também Samba-jazz Beco das Garrafas Walter Wanderley
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