Emiliana Viana Emery (1874–1957) Emiliana Viana Emery (Interior do Espírito Santo, 19 de abril de 1874 – 21 de dezembro de 1957) foi uma sufragista, empresária e ativista política brasileira.

É notória por ter sido uma das primeiras mulheres no Brasil a obter o direito de voto, por meio de sentença judicial, antes da conquista do sufrágio feminino em nível nacional em 1932. Emiliana Emery conseguiu o registro eleitoral e votou na comarca de Alegre, no Espírito Santo, em 15 de julho de 1929.

Seu caso é frequentemente citado ao lado de Celina Guimarães Viana (RN, 1928) e Mietta Santiago (MG, 1928) como marcos na luta pelo voto no país. Seu legado foi posteriormente reconhecido pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo, com a sugestão de instituir uma 'Comenda Emiliana Viana Emery'.

Biografia

Nascida em 1874, no interior do Espírito Santo, Emiliana descendia de uma tradicional família de fazendeiros. Casou-se ainda na adolescência com Gustavo Emery e ficou viúva jovem, aos 23 anos de idade. Na ocasião já era mãe de 7 filhos e sem ter meios para sustentar a sua família, dedicou-se ao empreendedorismo.

Se destacou na região do município de Guaçuí (antigo Veado) por sua atuação incomum para as mulheres da época, trabalhando inicialmente como padeira. Percebendo uma oportunidade, Emiliana passou a vender pães aos trabalhadores da ferrovia Leopoldina. Posteriormente, vendo que estes trabalhadores gastavam seus ganhos em outro município, tornou-se a primeira alfaiate de roupas masculinas de sua localidade, ofício pelo qual viria a sofrer severo preconceito. Nada, porém, impediu Emília de seguir seu espírito empreendedor e mais tarde ela viria a se tornar proprietária de uma fábrica de doces e de um hotel, alcançando sucesso como empresária.

Emiliana também teve importante papel na sociedade local. Juntamente com sua irmã, ajudou a criar a primeira escola para meninas na região e atuou ativamente para que um padre fosse designado para a paróquia de Guaçui.

Teve participação ativa na política local,

sobretudo no processo de emancipação do então distrito de Veado, pertencente ao Município de Alegre, sendo por isso considerada uma das fundadoras da atual cidade de Guaçui.

A Conquista do Voto (1929)

A luta de Emiliana Emery pelo direito ao voto está diretamente ligada ao movimento sufragista nacional. Ela ingressou na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), organização liderada por Bertha Lutz.

Baseando-se na legislação da época, Emiliana Viana Emery ajuizou ação judicial para obter seu registro eleitoral na Comarca de Alegre. O pleito foi bem-sucedido e ela obteve o direito de voto por sentença judicial. Sua vitória teve repercussão nacional, sendo parabenizada pela própria Bertha Lutz, que lhe enviou um telegrama destacando a importância do feito para o movimento sufragista brasileiro.

A Sentença Judicial de Aloysio Aderito de Menezes

O direito de voto foi concedido por sentença judicial proferida pelo juiz Aloysio Aderito de Menezes em 25 de julho de 1929Referência do documento da sentença (Juiz Aloysio Aderito de Menezes)., da então comarca de Alegre. A decisão se destacou por seu forte embasamento jurídico e social, refutando argumentos que limitavam a participação feminina.

O Juiz Menezes argumentou que o termo "cidadãos" no Artigo 70 da Constituição Federal de 1891 não distinguia homens de mulheres e que a mulher no "seio das sociedades civilizadas" desfrutava dos mesmos direitos, devendo ter a sua atuação na vida pública incentivada. A sentença concluía: "Assim, mando que a requerente seja admitida como eleitora no Município de Veado, desta Comarca."

Carreira Política e Reconhecimento

Emiliana Viana demonstrou engajamento cívico ao longo da vida, tornando-se uma liderança política em Guaçuí.

Revolução de 1930: Após a conquista do voto, ela se envolveu em questões da política nacional, manifestando apoio à Revolução de 1930. Crítica ao Estado Novo: Posteriormente, ela se posicionou de forma crítica ao regime autoritário do Estado Novo (1937–1945) de Getúlio Vargas. UDN: No final da vida, continuou sua militância e foi agraciada com o título de Presidente de Honra Estadual da União Democrática Nacional (UDN).

Legado e Homenagens

O pioneirismo de Emiliana Emery Viana recebeu destaque da imprensa da época e de estudos posteriores, sendo reconhecida como figura central na história do sufrágio feminino brasileiro e capixaba.

Reconhecimento Historiográfico: Sua iniciativa recebeu destaque em uma reportagem publicada em 1950 pela revista O Cruzeiro e é citada em publicações da REDEH como a Revista Abrelas. Homenagens Institucionais: Sua memória é preservada por diversas homenagens em seu estado natal: Em 1992, a Academia Feminina Espírito-Santense de Letras incluiu seu nome na Galeria dos Notáveis. Sua importância foi reconhecida pela Câmara Municipal de Guaçuí, que em 2020 apresentou uma indicação para a criação de um busto em sua homenagem na cidade. Em 2023, sua atuação foi celebrada pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES), que propôs a concessão da Comenda Emiliana Viana Emery.

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