Anre ibne Adi ibne Nácer ibne Rabia (), comumente conhecido como Anre I, foi o primeiro rei semilendário do Reino Lácmida.

Biografia

thumb|upright=1.05|Efígie de Narses em seu dracma

A maioria dos detalhes da vida de Anre são lendários e fruto de invenções posteriores; segundo Charles Pellat, “como a realidade histórica dessa personagem e dos acontecimentos [...] tornou-se obscura, a lenda se utilizou de seu nome para fixar a época de eventos deslocados de sua sequência histórica, e de histórias inventadas para explicar provérbios que haviam se tornado ininteligíveis”. De acordo com os historiadores árabes medievais, o pai de Anre, Adi, conseguiu a mão de Racaxe, a irmã favorita do rei tanuquita Jadima Alabraxe, por meio de um estratagema. Diz-se que Anre foi raptado quando criança por um gênio, antes de ser devolvido ao seu tio. Diz-se, então, que foi deixado como regente por Jadima, que marchou contra Azaba (Zenóbia), a rainha árabe de Palmira. Quando seu tio foi morto em batalha, Anre jurou vingar sua morte; mesmo depois de Zenóbia lhe negar essa chance ao cometer suicídio, ele golpeou o cadáver dela.

Após a morte de seu tio, Anre rompeu com a suserania tanuquita e estabeleceu a dinastia lácmida independente. Segundo o historiador do Atabari, Anre repovoou a cidade abandonada de Hira e reinou ali por 118 anos — embora em outro trecho Atabari dê toda a vida de Anre como 120 anos — antes de ser sucedido por seu filho como rei cliente em nome do Império Sassânida. A maioria dos historiadores árabes medievais concorda com isso, e apenas Iacubi dá a duração de seu reinado como um plausível período de 55 anos. Anre foi, sem dúvida, uma figura histórica, mas é difícil estabelecer fatos exatos sobre seu reinado, além de que ele viveu no final do (Armand-Pierre Caussin de Perceval sugeriu seu reinado como o período de 268–288). As evidências arqueológicas apoiam sua existência, mas são contraditórias: uma inscrição encontrada em menciona Anre e seu filho, mas como clientes do Império Romano, e não dos persas, enquanto a inscrição de Paiculi indica que Anre era vassalo do xainxá Narses . A explicação geralmente aceita é que o filho de Anre, em algum momento, desertou para o lado dos romanos.

Maniqueísmo

Os historiadores assumem que Anre seja o rei Amaro registrado em várias cartas maniqueístas escritas em copta que foram encontradas em Medinete Maadi, em Faium, no Egito. Esses documentos confirmam-no como um proeminente patrono do maniqueísmo durante o reinado de Narses, de modo que o convenceu a parar a perseguição aos maniqueístas. Sua capital Hira tornar-se-ia um refúgio momentâneo aos perseguidos. No entanto, logo que , a perseguição foi renovada.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século III Categoria:Reis lácmidas