Romance planetário (planetary romance no original) é um sbugênero da ficção científica ou fantasia científica na qual o grosso da ação consiste em aventuras em um ou mais planetas exóticos, caracterizados por cenários físicos e culturais distintos. Alguns romances planetários transcorrem em uma sociedade futura onde viagens entre mundos via espaçonave são corriqueiras; outros, particularmente os primeiros exemplos do gênero, não o fazem, invocando tapetes voadores, projeções astrais e outros métodos implausíveis de viajar entre planetas. Em qualquer dos casos, são as aventuras planetárias o foco da história, não o método de viagem.John Clute, "Planetary Romance", em Encyclopedia of Science Fiction, ed. John Clute and Peter Nicholls, 1995, ISBN 0-312-13486-X.

Em Science Fiction: The 100 Best Novels (1985), o editor e crítico David Pringle nomeou Marion Zimmer Bradley e Anne McCaffrey duas das "principais representantes nos dias atuais" para o tipo de ficção científica romance planetário.David Pringle, Science Fiction: The 100 Best Novels, An English-language selection, 1949–1984, London: Xanadu Publ, 1985. p. 17.

Há uma sobreposição significativa do gênero com outro subgênero, o espada e planeta.

Protótipos e Características

Como o nome do gênero sugere, o romance planetário é uma extensão dos "pulps" e romances de aventura de fins do século XIX e início do século XX numa montagem planetária. Os romances "pulp" (de escritores como Henry Rider Haggard e Talbot Mundy) apresentam personagens destemidos em cenários exóticos e "mundos perdidos" tais como a América do Sul, África, Oriente Médio e Extremo; uma variante ocorria em países reais ou fictícios de tempos antigos e medievais, e eventualmente contribuíram para o moderno gênero da fantasia.

No romance planetário, as transformações da "space opera" são aplicadas ao gênero de romance "pulp": o bravo aventureiro torna-se um viajante espacial, freqüentemente da Terra, simbolizada pela Europa e Estados Unidos modernos (entendidos como centros de tecnologia e colonialismo). Outros planetas (freqüentemente, nas primeiras histórias do gênero, Marte e Vênus) substituindo Ásia e África como locais exóticos; onde tribos hostis de alienígenas e suas decadentes monarquias substituem os estereótipos ocidentais de "raças selvagens" e "despotismo oriental". Enquanto o romance planetário tem sido usado como um modo de expressar uma vasta variedade de idéias políticas e filosóficas, um assunto permanente é o do encontro de civilizações mutuamente alienígenas, suas dificuldades de comunicação e os resultados freqüentemente desastrosos que se seguem.

Edgar Rice Burroughs e as histórias de "espada e planeta"

O primeiro autor a obter um grande mercado para esse tipo de história foi Edgar Rice Burroughs, cujos primeiros episódios da série Barsoom apareceram no "pulp" All-Story em 1911. Ainda que os escritos de Burroughs não fossem inteiramente originais, ele ao menos popularizou o conceito do tipo de aventuras "pulp" em outros planetas. O "Barsoom" (Marte) de Burroughs manifestava uma mistura caótica de estilos culturais e tecnológicos, combinando dispositivos futurísticos tais como "pistolas de rádio" e máquinas voadoras suspensas por um misterioso raio levitante, com anacrônicas cargas de cavalaria marcianas, um sistema feudal com imperadores e princesas, muitas lutas de espadas, e um código marcial pouco crível para justificá-las. O Universo de Duna de Frank Herbert e Star Wars de George Lucas são descendentes diretos desta tradição de fundir o futurístico ao medieval. O conteúdo das histórias de Barsoom era puro capa e espada, constituindo-se numa série de aprisionamentos, lutas de gladiadores, fugas ousadas, matança de monstros e duelos com vilões. Elementos de fantasia são mínimos; com exceção da telepatia, a maior parte dos exemplos de "magia" são dispensados ou expostos como parvoíces.

As histórias de Burroughs deram origem a um grande número de imitadores. Alguns, como Otis Adelbert Kline exploraram o novo mercado que Burroughs havia criado; mesmo Burroughs imitou a si mesmo em sua série sobre Vênus, iniciada em 1934. Depois de estar fora de moda por algumas décadas, os anos 1960 viram surgir um interesse renovado em Burroughs e na produção de imitações "burroughsianas" por autores como Lin Carter e Michael Moorcock. Este gênero conscientemente imitativo, influenciado também por autores de espada e feitiçaria como Robert E. Howard , atende pelo nome de ficção "espada e planeta", o próprio Howard escreveu um romance do gênero: Almuric; ela é essencialmente estática, um gênero "retrô", visando reproduzir mais do mesmo gênero de história, com pouquíssima variação numa fórmula estabelecida. Talvez por essa razão, muitos autores de "Espada e Planeta" tenham escrito séries com seqüências exageradamente longas, o exemplo extremo sendo a saga de Dray Prescot de Kenneth Bulmer, composta de cinqüenta e três romances.

Romance Planetário e ficção científica thumb|Edição de Março de 1951 de Planet Stories; arte de Allen Anderson A publicação das revistas "pulp" de ficção científica iniciada em 1926 (e tornando-se especialmente prolíficas nos anos 1930) criaram um novo mercado para romances planetários, e e tiveram um forte efeito sobre as encarnações posteriores do gênero. Alguns "pulps", tais como Planet Stories e Startling Stories, eram basicamente dedicados a publicar romances planetários, enquanto os "pulps" existentes de fantasia, como Weird Tales começaram a publicar romances de ficção científica junto do seu cardápio habitual de horror e espada e feitiçaria. Um dos mais espetaculares autores neste estilo foi C. L. Moore, a autora das histórias de Northwest Smith (1933-1947), apresentando um rude homem do espaço que se encontra continuamente envolvido com forças alienígenas quase mágicas. Há pouca fanfarronada nas histórias de Moore, o qual se concentra na tensão psicológica, especialmente o medo e a fascinação do desconhecido, que surge nas obras de Moore tanto perigoso quanto erótico.

Nos anos 1940 e 1950, uma das mais significativas contribuintes ao gênero do romance planetário foi Leigh Brackett,Clute and Grant, The Encyclopedia of Fantasy, "Burroughs, Edgar Rice", p. 152 ISBN 0-312-19869-8. cujas histórias combinam heróis complexos e vagabundos (por vezes, criminosos), grandes aventuras, histórias de amor ocasionalmente, cenários ricamente detalhados com um peso e uma profundidade pouco usuais em "pulps" e um estilo que conectou "space opera" e fantasia. Brackett era uma contribuinte regular de Planet StoriesDavin, Eric Leif (2006). Partners in Wonder: Women And the Birth of Science Fiction, 1926-1965 (en inglés). Lexington Books. 429 p.ISBN 978-07-3911-267-0. e Thrilling Wonder Stories, para as quais ela produziu uma série de contos entrelaçados no mesmo universo, mas - com exceção das histórias de Eric John Stark - com protagonistas totalmente diferentes. As histórias de Brackett são basicamente de aventura, mas também contém reflexões sobre os temas do imperialismo cultural e corporativo, e colonialismo.

Há uma semelhança instrutiva entre The Enchantress of Venus, uma das histórias de Stark escritas por Brackett e Empire of the Atom de A. E. van Vogt. Ambos tomam como ponto de partida a trama e a situação de Eu, Cláudio de Robert Graves. Van Vogt segue a trama mais de perto, concentrando sua invenção no plano de fundo de seu império enquanto enfatiza a vulnerabilidade do herói. Brackett introduz um homem da Terra que é impactado pelo fascínio romântico da mulher envolvida nessas intrigas. Embora ambas as histórias sejam "space operas", somente a de Brackett é um romance planetário.

De meados dos anos 1960 em diante, o tipo tradicional de romance planetário que transcorre no Sistema Solar saiu de moda; visto que os avanços tecnológicos revelaram como hostis à vida a maioria dos mundos locais, as novas histórias planetárias transcorrem em planetas extra-solares, geralmente através da pressuposição de algum tipo de viagem-mais-rápida-que-a-luz.Keith Brooke. Strange Divisions and Alien Territories: The Sub-Genres of Science Fiction. [S.l.]: Palgrave Macmillan, 2012. 40 a 42 p. 9780230360273

O romance planetário tornou-se um componente significativo da ficção científica atual, embora - possivelmente devido ao fato do termo ser percebido como pejorativo - poucos escritores usam esta expressão ao se auto-descrever. Devido a polinização cruzada entre o romance planetário e a "space opera", muitas histórias são difíceis de serem classificadas como sendo totalmente de um tipo ou do outro.

A série Duna de Frank Herbert, particularmente os primeiros livros que transcorrem principalmente no planeta desértico de Arrakis, tem todas as características do romance planetário (e algumas da ficção "espada e planeta"), embora sejam usadas como suporte das meditações de Herbert sobre filosofia, ecologia e a política do poder.

Os romances de Marion Zimmer Bradley sobre Darkover podem também ser classificados como romances planetários, dado que o foco permanece firmemente ajustado sobre o planeta Darkover, embora o cenário galáctico nunca seja inteiramente limitado ao plano de fundo. De modo similar, a série Krishna de romances planetários racionalizados de L. Sprague de Camp são uma sub-série de sua série de "space opera" Viagens Interplanetarias.

Os primeiros trabalhos de Ursula K. Le Guin, tais como Rocannon's World e Planet of Exile podem ser reconhecidos como romances planetários; argumenta-se que a maior parte de sua série Ekumen poderiam ser classificados como tal, embora em trabalhos posteriores elementos de fantasia estejam submersos, e temas sociais e antropológicos vieram para a frente.

Exemplos Literatura thumb|150px|Capa da adaptação em quadrinhos de The Radio Man, Avon Publications, 1950, arte de Gene Fawcette Almuric de Robert E. Howard Arrakis (na Série Duna) de Frank Herbert Barsoom (Marte) and Amtor (Vênus) de Edgar Rice Burroughs Darkover de Marion Zimmer Bradley Eldorado de Francis Carsac Gor de John Norman Hainish Cycle de Ursula K. Le Guin Helliconia de Brian Aldiss Kregen de Kenneth Bulmer Krishna by L. Sprague de Camp Majipoor de Robert Silverberg Pern de Anne McCaffrey The Radio Man by Ralph Milne Farley Riverworld, The Green Odyssey e World of Tiers de Philip José Farmer The Saga of the Skolian Empire de Catherine Asaro, incluindo os mundos de Raylicon, Balimul, Parthonia, Debra, and Skyfall. The Space Trilogy de C. S. Lewis. Michael Kane of Old Mars de Michael Moorcock Tormance em A Voyage to Arcturus de David Lindsay Grande parte do trabalho de ficção científica Jack Vance: o duo Big Planet , o trio Alastor', a tetralogia Durdane , a trilogia 'Cadwal Chronicles' , o Tschai ou a tetralogia Planet of Adventure, a maioria das histórias de Magnus Ridolph , a pentalogia Demon Princes , e vários romances autônomos, tais como Maske: Thaery e os contos The Moon Moth. Histórias em quadrinhos thumb|150px|Capa de Flash Gordon Strange Adventures, 1936. Adam Strange Buck Rogers Flash Gordon de Alex Raymond Roberto de Sousa Causo. In: Editora UFMG. Ficção científica, fantasia e horror no Brasil, 1875 a 1950. [S.l.: s.n.]. 188 p. ISBN 9788570413550 Apokolips and Nova Gênese — Quarto Mundo Os arcos de história em quadrinhos Planet Hulk e World War Hulk.

Cinema e televisão Avatar - Filme de James Cameron ambientado exclusivamente no mundo fictício de Pandora. Defiance - Séries de TV criadas exclusivamente em uma versão alterada e terraformada da própria Terra. Thor: Ragnarok - Um filme inspirado em Planet Hulk.

Ver também Fantasia científica Ficção científica Soft Space Opera Espada e planeta

Bibliografia

"The Cambridge Companion to Science Fiction". Editado por Edward James & Farah Mendlesohn. Série "Cambridge Companions to Literature". Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-52181-626-2 Ligações externas The Encyclopedia of Science Fiction