Nova ilha no Guaíba refere-se a um banco de areia formado por sedimentos localizado na área rasa do Guaíba, às margens de Porto Alegre e Eldorado do Sul, no estado do Rio Grande do Sul. Inicialmente identificado na década de 1960, o banco proliferou-se minimamente até a enchente de maio de 2024, quando um acúmulo de sedimentos ampliou significativamente o seu tamanho, totalizando uma área com cerca de 1,4 quilômetro de comprimento.
Origem Identificado entre 1961 e 1964, o banco de areia teve um crescimento pouco significativo nas décadas seguintes. Com a enchente de maio de 2024, o Rio Grande do Sul passou por um dos maiores desastres naturais da história da região. Após a diminuição das águas, esse banco de areia na parte rasa do Guaíba aumentou e formou uma nova "ilha". A sua extensão é de aproximadamente 1,4 quilômetro de comprimento e 250 metros de largura, equivalente a cerca de 25 a 30 campos de futebol.
Fica situado entre o Centro Histórico de Porto Alegre, próximo à Usina do Gasômetro e ao Estádio Beira-Rio, e o bairro Sans Souci, em Eldorado do Sul. O depósito natural de sedimentos é predominantemente coberto de galhos, vegetação morta e lixo, e permaneceu visível mesmo um ano após a enchente. Essa região, localizada no Delta do Jacuí, é utilizada para depositar sedimentos de areia, e embora uma formação geológica também seja natural, o seu tamanho aumentou após a enchente, mas sem representar novos riscos de inundações, e nem comprometeram a capacidade do leito de escoar o excesso de chuva.
Segundo o governo estadual, a enchente não foi a causa do surgimento desse banco, alegando que "mapas do Exército e da Marinha Brasileira elaborados com base em levantamentos realizados entre 1961 e 1964 já indicavam sua presença." Esses documentos já mostravam uma área de deposição de sedimentos ao redor da Ilha das Balseiras.
Causa Segundo o professor Fernando Mainardi Fan, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que "com o tempo, vai formar solo e vegetação em cima. Serão incorporados ao longo do tempo à paisagem natural." Já para o professor Rodrigo Paiva, também do IPH da UFRGS, pontua que a localização do lago é o fator que causou o aumento do banco de areia, e afirma que o seu aumento ou diminuição não pode ser prevista. Para Leomar Teichmann, engenheiro civil especialista em drenagem urbana e hidrologia, a causa desse banco de areia é devido à enchente de maio de 2024: "É um local que historicamente tinha um pequeno banco de areia que aflorava em épocas de seca intensa. Agora vemos um grande acúmulo de sedimentos depois das inundações de setembro, novembro e maio de 2024".
Os técnicos da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA) afirmaram que a causa do aumento da área desse banco é um fenômeno natural. A prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (SMAMUS), também informa que "a porção de areia [...] é considerada um banco de areia pelos técnicos [da secretaria]" e que "[o banco de areia] tende a seguir seu curso devido à erosão causada pelo fluxo constante de água e a variação dos ventos na região."
Desassoreamento
Um projeto de lei apresentado em 2024 na Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA), de autoria do então vereador Adeli Sell, do Partido dos Trabalhadores (PT), visava incluir a limpeza, o desassoreamento e a recomposição da mata nativa do Guaíba como diretriz da "Política de Sustentabilidade Hidroviária" do município. A proposição também determinava a proibição da comercialização de material extraído no lago, autorizando a sua utilização apenas em obras públicas. Esse projeto, entretanto, foi arquivado. No ano seguinte, em novembro de 2025, foi aprovada uma proposta mais abrangente, de autoria do vereador Moisés Barboza, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que institui o desassoreamento e dragagem de todos os corpos hídricos do município.
Outras entidades, como o Consórcio Metropolitano Granpal, que representa 17 municípios do Rio Grande do Sul, também defendem a dragagem. O presidente da Granpal e também prefeito da cidade de Guaíba, Marcelo Maranata, à época do Partido Democrático Trabalhista (PDT), afirma que bancos de areia surgem a todo momento no rio e devem ser dragados com urgência. A Granpal quer a conclusão do zoneamento ambiental, de responsabilidade da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), que proíbe a mineração da areia do fundo do rio, o que contribui para o assoreamento.
Por meio do "Conselho do Plano Rio Grande", o governo estadual pretende analisar e propor ações e políticas públicas, junto ao Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática e pesquisadores do IPH da UFRGS, a viabilidade de concretizar o desassoreamento do lago. Segundo a coordenadora Simone Stülp, o "objetivo é analisar os impactos das constantes chuvas que têm atingido o estado e discutir ações que possam ser aplicadas em curto, médio e longo prazos, estruturais ou não."
O programa "Desassorear RS", no âmbito do Plano Rio Grande, já destinou mais de 1 bilhão de reais em ações de dragagem e desassoreamento em corpos hídricos no estado. A área do banco de areia passou a ser mapeada por meio de batimetria pelo governo estadual, com levantamento de dados como profundidade, relevo submerso e acúmulo de sedimentos no leito. O Porto de Porto Alegre e os canais Itapuã, Leitão e Pedras Brancas são algumas das principais áreas de dragagem.
Ver também
Enchentes no Rio Grande do Sul em 2023 Poluição marinha Impacto do aquecimento global no Brasil Canal da Feitoria Ilha Marechal Deodoro
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