Selvagem é o décimo quarto álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Angela Ro Ro, lançado em setembro de 2017 pela gravadora Biscoito Fino. Inteiramente autoral, o disco reúne onze faixas em que a artista explora diferentes vertentes de sua escrita, muitas delas compostas ao longo de anos anteriores ao lançamento.
A produção, realizada de forma caseira, ocorreu na residência do tecladista Ricardo Mac Cord, parceiro musical de longa data e responsável pelos arranjos, teclados e programações. O registro transita por diversos estilos como blues, sambas, baião, baladas românticas e composições marcadas por elementos eletrônicos. As canções abordam temas como diversidade, violência doméstica, afetividade e introspecção.
A crítica especializada ressaltou a combinação entre lirismo, intensidade emocional e irreverência. Comentários destacaram desde a contundência de determinadas letras até o caráter confessional de algumas faixas. Embora a produção minimalista tenha sido mencionada como fator que limita a densidade dos arranjos, o conjunto das composições foi visto como capaz de compensar essas restrições.
Bastidores e detalhes do álbum Selvagem é o décimo quarto álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Angela Ro Ro, lançado em setembro de 2017 pela gravadora Biscoito Fino. Trata-se de um trabalho inteiramente autoral, composto por onze faixas, a maior parte criada pela artista nos anos anteriores ao lançamento. O repertório apresenta diversidade de gêneros musicais, incluindo blues, sambas, baião, baladas românticas e composições com programações eletrônicas. O disco foi produzido de forma caseira e gravado na residência do tecladista Ricardo Mac Cord, parceiro de Ro Ro desde a década de 1990 e único músico responsável pelos arranjos, teclados e programações presentes no registro. A opção pela gravação doméstica foi adotada como alternativa ao uso de estúdio, seguindo a intenção da artista de agilizar o processo de finalização do álbum.
Entre as faixas, destacam-se "Parte com o Capeta", um xaxado cujo texto dialoga com elementos simbólicos e expressões populares, "De Todas as Cores", que aborda temática ligada à diversidade, e "Maria da Penha", construída a partir da narrativa de violência doméstica. "Portal do Amor" é uma composição cuja origem remonta a 1973, quando ela vivia em Londres e escreveu a melodia de uma canção então chamada "Split up Song Number One". Anos depois, parte dessa harmonia seria utilizada em "Amor, Meu Grande Amor", mas duas seções permaneceram guardadas até 2017, quando a artista retomou o material para Selvagem. Ao recuperar aquelas ideias antigas e finalmente escrever uma nova letra, Ro Ro transformou o fragmento inacabado em uma balada bilíngue que conecta diferentes momentos de sua trajetória musical e pessoal. "É Simples Assim...", tem origem em uma história pessoal da artista e foi inicialmente composta como uma homenagem a Lidoka, integrante de As Frenéticas, que enfrentava um câncer em seus últimos anos de vida. Inspirada na luta da amiga pela liberação de um medicamento que, embora não curasse a doença, lhe dava mais ânimo, Angela Ro Ro criou primeiro uma marchinha de carnaval, que posteriormente transformou em uma peça com atmosfera de jazz.
Recepção crítica
Silvio Essinger, em O Globo, ressaltou que Selvagem é "um disco dos mais estilisticamente variados da carreira fonográfica de Ro Ro", observando como a cantora transita por gêneros distintos sem perder a identidade. Ele destacou o impacto de "Parte com o Capeta", que "deu o que falar" pelos versos provocativos, e chamou atenção para os sambas "De Todas as Cores", definido como uma "exaltação da diversidade sexual", e "Maria da Penha", cuja letra "fala de agressões a mulheres". O crítico também sublinhou a presença dos "blues de sempre", especialmente "Portal do Amor", apresentada por Ro Ro como "a canção de separação n° 1". Para Essinger, mesmo gravado de forma doméstica e minimalista, o álbum mantém a força expressiva da artista e evidencia a continuidade de sua verve criativa.
Irlam Rocha Lima, do Correio Braziliense, avaliou Selvagem como um álbum em que Ângela Ro Ro preserva sua verve incisiva, mesmo em uma fase "mais amena" da carreira, apontando que ela ainda "solta seus bólidos recheados de acidez", como revelam os versos de "Parte com o Capeta". Para o crítico, o disco evidencia a faceta "artesã" da artista, resultado de uma produção "totalmente caseira" que não compromete a força das canções, descritas como possuidoras de "ritmos variados" e "letras bem construídas". Raphael Vidigal, em O Tempo, avaliou Selvagem como um trabalho que reafirma a força expressiva e o caráter "confessional" de Angela Ro Ro, observando que, quando a artista "acerta, não há quem possa". Ele destacou a faixa-título como uma entrada vigorosa no "ponto nevrálgico de sua trajetória", citando versos como "sou livre e não adianta/ tentar me cortar a garganta", que evidenciam a mescla de lirismo e irreverência que marca o álbum. Embora Vidigal reconheça que a falta de recursos resulta em "arranjos pobres" apoiados apenas nas programações de Ricardo Mac Cord, ele afirma que a "qualidade poética das canções", sustentada pela agudez das letras, compensa essas limitações.
Mauro Ferreira, no g1, avaliou que Selvagem mantém viva a força autoral de Angela Ro Ro, apresentando novas composições que mesclam amor e dor com a intensidade que sempre marcou sua obra. Para ele, faixas como "É Simples Assim...", "O que me Resta" e, sobretudo, "Nenhuma Nuvem" revelam momentos de verdadeira inspiração, sendo esta última o ponto alto do álbum. O crítico afirmou que a produção "econômica", sustentada apenas por teclados e programações de Ricardo Mac Cord, "empobrece" o resultado final e compromete arranjos de canções como "De todas as cores", "Caminho do bem", "Maria da Penha" e "Parte com o capeta". Ainda assim, Ferreira destacou que a sensibilidade e a ousadia de Ro Ro prevalecem, reafirmando sua voz "livre" e "indomável" ao longo do disco.
Lista de faixas Créditos adaptados do site Apple Music.
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