Saguinus pileatus pileatus é uma subespécie de Callitrichinae, endêmico da Amazônia brasileira. Ademais, já foi considerado como subespécie de Saguinus mystax.

Ocorre exclusivamente no Amazonas, categoricamente no município de Tefé. Sua ocorrência é delimitada por alguns rios amazônicos, especificamente ao redor do Rio Tefé, próximo à região onde desemboca no Rio Solimões, onde ocorre em mais abundância.

É considerado uma subespécie, mas ainda está em avaliação e sujeito a revisões, devido à diversidade evolutiva a qual o grupo pode ter sido submetido e à hipóteses taxonômicas que ainda precisam ser elucidadas com mais cautela. De acordo com estudos filogenéticos e, apesar de divergências fenotípicas, a subespécie mostra evidências de proximidade com a subespécie Saguinus p. pluto.

Etimologia O Saguinus p. pileatus também é comumente chamado por sagui-de-bigode e sagui-de-cabeça-vermelha. O nome é uma referência à testa e coroa com uma touca vermelho-alaranjada e aos pelos pretos da linha média do focinho formando uma crista baixa. O nome do gênero "Saguinus" tem origem na palavra sagui, uma denominação indígena, que significa "olhos pequenos" ou "olhos espertos". Saguim, saim, sauim, sauí, sonhim e soim também são algumas das nominações referentes à esses animais.

Taxonomia e evolução O sagui-de-bigode-de-cabeça-vermelha pertence ao gênero Saguinus, considerado um grupo monofilético da família Callitrichidae. Foi descrito pelo zoólogo francês I. Geoffroy Saint-Hilaire e Deville, naturalista francês, em 1848. A taxonomia e descrição de Saguinus p. pileatus os atribuía como subespécie de Saguinus mystax, que até a última instância permaneceu inalterada, seguindo os padrões propostos por Hershkovitz (1977). No entanto, a partir de observações de Groves (2001), S. m. mystax e S. m. pluto apresentavam semelhanças, mas que S. m. pileatus eram divergentes fenotipicamente, levando alguns pesquisadores a acreditarem que seria uma espécie à parte. Devido à falta de espécimes para análises taxonômicas, um resultado definitivo ainda não pôde ser concluído. Para fins elucidativos e para estabelecer igualdade, visto que S. p pluto não apresentava vestígios e estudos suficientes que pudessem detalhar e colaborar com uma resolução taxonômica, S. p. pluto e S. p. pileatus foram mantidos como subespécie de Saguinus pileatus. esquerda|miniaturadaimagem|Figura 1. Padrão de coloração da pelagem de Saguinus mystax, Saguinus sp., Saguinus m. pileatus e Saguinus m. pluto. Ilustração de Stephen D. Nash Análises de amostragem filogenômicas e fenotípicas sugeriram o levantamento de algumas hipóteses: (1) Seriam descritas como uma espécie (S. m. mystax + S. m. pileatus + S. m. pluto + Saguinus sp.); (2) Seriam descritas em duas espécies (uma espécie: S. m. mystax + Saguinus sp.; outra espécie: S. m. pileatus + S. m. pluto); (3) Seriam descritas em três espécies (primeira espécie: S. m. mystax + Saguinus sp.; segunda espécie: S. m. pileatus; terceira espécie: S. m. pluto); (4) Seriam três espécies (primeira espécie: S. m. mystax; segunda espécie: Saguinus sp.; terceira espécie: S. m. pileatus + S. m. pluto); (5) Seriam quatro espécies (primeira espécie: S. m. mystax; segunda espécie: Saguinus sp.; terceira espécie: S. m. pileatus; quarta espécie: S. m. pluto). Além disso, Rylands e Mittermeier (2009), julgam que S. m. mystax e S. m. pluto seriam espécies diferentes, dado às regiões de ocorrência separadas pelas áreas de S. m. pileatus. Após testes de hipóteses, a mais suportada foi a de (4) três espécies (primeira espécie: S. m. mystax; segunda espécie: Saguinus sp.; terceira espécie: S. m. pileatus + S. m. pluto). Acredita-se por parte de alguns pesquisadores, que essa hipótese sustenta a ideia de que Saguinus mystax pode apresentar linhas evolutivas independentes, dado aos diagnósticos fenotípicos adquiridos e a ocorrência de uma distribuição alopátrica, cujo processo de novas especiações ocorrem pelo isolamento geográfico de populações de uma mesma espécie. Dessa maneira, mantiveram-se ambas (S. p. pileatus e S. p. pluto) como subespécies de Saguinus pileatus. Uma outra evidência que reforça essa hipótese é o fato de Hershkovitz (1977), embora tenha examinado boa parte de indivíduos de S. mystax, não examinou nenhum espécime da região localizada entre os rios Juruá e Tefé, o que evidencia a ocorrência de S. p. pileatus nessa localidade. Vale ressaltar que campos cromogênicos também foram utilizados como parâmetro para auxiliar nas revisões de táxons, definidos como áreas consistentemente distintas do corpo, identificáveis ​​pela cor do pelo e pelos padrões de cor da pelagem (Hershkovitz, 1977). Os campos cromogênicos têm se mostrado informativos e bastante importantes em estudos taxonômicos de calitriquídeos.

Distribuição geográfica e habitat As porções de sua distribuição no município de Tefé foram identificadas onde, ao norte, a presença é limitada, a oeste é demarcada pelo Rio Tefé, e a leste, pelo Rio Coari. Pode se estender até as margens do Rio Purus. Ao sul, estende-se além da margem direita do Rio Pauini. Onde, nesta porção, acredita-se que sua distribuição seja limitada pela presença de S. i. subgrisescens. As densidades de Saguinus p. pileatus são de 71,5 indivíduos por km2, relatadas por Peres e Haugaasen (2005).

De acordo com a área de habitat, os tamanhos variaram de 85 a 141 hectares (1,41 km2). A partir de informações sobre abundância populacional, os dados são de: 8,9 indivíduo/km2 em Coari - AM; 15,66 ind./km2 em Tefé - AM.

Dado aos elementos reunidos, sabe-se até o momento que esse grupo ocorre e apresentou um padrão de atividades em florestas de terra firme. Em decorrência também à falta de espécimes, boa parte dos registros e suposições sobre o grupo são baseados em alguns padrões do gênero Saguinus. Portanto, como muitos saguis, eles vivem em camadas médias de florestas tropicais, logo, em ambientes úmidos e arborícolas. E apesar de estarem restritos apenas à região de Tefé, demonstram tolerância e resistência a modificações e perturbações no ambiente. Dados atribuídos na região de Tefé mostram que o estrato arbóreo que utilizam estima alturas maiores que 5 metros.

Descrição alt=Fonte: Margi Moss (Biofaces. 2019)|esquerda|miniaturadaimagem|308x308px|Figura 2. Região anterior da cabeça de um indivíduo de Saguinus p. pileatus que evidencia sua testa vermelho-alaranjada.

Fonte: Margi Moss (Site Biofaces. 2019) Testa e coroa com uma touca vermelho-alaranjada bifurcada, estendendo-se para frente como uma linha fina entre as órbitas. Região das bochechas e têmporas cobertas de pelos pretos. Pelos pretos da linha média do focinho formando uma crista baixa. Pele das áreas da região nasal e bucal não pigmentada e coberta com pelos brancos comparativamente longos formando bigodes, o restante da pele da face mais ou menos pigmentada e coberta com pelos pretos. Manto marrom-escuro com finos pelos marrom-claros, amarelados  ou alaranjados.  Lados externos dos membros posteriores castanhos, superfície superior das mãos e pés preto-clara. A cauda é preta, com sua porção ventral coberta de pelos brancos.

Quanto ao tamanho e massa corporal, alguns machos de Saguinus p. pileatus foram analisados e apresentaram valor equivalente à 450 gramas. E comprimento de 190 - 236 mm. Alguns dados sugerem pouca variação de massa com o padrão estabelecido quando comparado aos indivíduos Saguinus mystax. E apresentam dimorfismo sexual, com as fêmeas sendo levemente mais pesadas que os machos do grupo.

Ecologia e comportamento centro|miniaturadaimagem|471x471px|Figura 3. Indivíduo de Saguinus pileatus pileatus entre árvores. Fonte: Jessica dos Anjos (iNaturalist. 2018) Os sagui-de-bigode-de-cabeça-vermelha apresentam hábitos bastante ativos e diurnos. Dados coletados durante o avistamento desses saguis na região de Tefé sugerem boa parte do dia ocupada por deslocamento e forrageamento (57%) desses indivíduos, comportamentos de interação social, como catação e brincadeiras (20%), alimentação (17%), vocalização (8%) e descanso (2%). A dieta desse grupo é predominantemente vegetal, composta de frutos, flores, sementes, mas também de insetos, alguns lagartos e sapos. Esse grupo apresentou também uma predileção especial pelos frutos de embaúba (Cecropia sp.). Quanto aos comportamentos reprodutivos, ainda não há muitos registros concretos. Há indícios de que sigam o padrão do gênero, o que leva a crer que sejam adeptos a sistemas flexíveis de reprodução,  tendo como principal prática a poliandria, mas sendo comuns a ocorrência de monogamia, poliginia e também, promiscuidade. Além disso, existem sugestões de que, em fases receptivas, os machos podem proteger as fêmeas. Não havendo até o momento exibições de corte, mas acredita-se que as cópulas podem ser precedidas pelo macho limpando a fêmea, e que sejam curtas, com nascimentos ocorrendo à noite.

Conservação Um status de conservação mais definitivo dos indivíduos de S. p. pileatus ainda é desconhecido, mas não há evidências que sugiram que estejam ameaçados, embora existam vestígios de que sejam utilizados como animais de estimação em diversas localidades da Amazônia. Também não são caçados, uma vez que devido à baixa massa corporal, sejam considerados pequenos para consumo. Dessa maneira, visto que diversos primatas de florestas neotropicais vêm sendo tidos como objetos de estudo, e em decorrência à falta de espécimes desse grupo, é de suma importância a posição de alerta e um maior incentivo à pesquisa e procura sobre essa subespécie. Uma vez que são animais de extrema importância para a manutenção das florestas por atribuírem um eficiente papel na dispersão de sementes.

Referências

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