Carcassona (; , forma também usada em português) é uma comuna francesa do departamento de Aude na região de Occitânia. Em 2009, residiam na pessoas.
A cidade situa-se numa região povoada desde o Neolítico, na planície do Aude, na encruzilhada de dois importantes eixos de circulação, usados desde a Pré-história, que ligam o Oceano Atlântico ao Mediterrâneo e o Maciço Central francês aos Pirenéus. Encontra-se 90 quilómetros a sudeste de Toulouse, 60 km a oeste de Narbona e cerca de 70 km a oeste da costa mediterrânica. É conhecida pela sua cidadela, construída , para defesa contra os ataques dos normandos e inscritas na lista do Património Mundial desde 1997.
Toponímia O primeiro topónimo conhecido da cidade é Carcasso. Plínio, o Velho () cita esse nome, ou mais precisamente Cascasso dos Volcas Tectósagos (), mas aparentemente o nome já existia no O nome em (Carcassona) deriva diretamente da forma latina. Os francos, que tomaram a cidade aos sarracenos no , chamaram à cidade Karkashuna. Outros nomes conhecidos são Carcasona e Carcassiona.
Lenda da origem do nome Segundo uma lenda local, o nome da cidade data do início do , quando estava nas mãos dos sarracenos. A lenda reza que Carlos Magno cercou a cidade, mas a governante local, a Dama Carcas resistiu tenazmente. Os dois exércitos tinham poucos mantimentos e os soldados ficaram famintos. Quando não restava mais do que uma medida de trigo e um pequeno porco na cidade, a Dama Carcas teve uma ideia para desmoralizar os inimigos
O porco foi alimentado com o trigo e depois foi lançado por cima das muralhas para os sitiantes. Pensando que a cidade tinha ainda muitos mantimentos, Carlos Magno levantou o cerco. Nesse momento, a Dama Carcas fez soar as trompetas, o que fez o imperador franco voltar atrás e a Dama Carcas propôs-lhe então a paz. Daí vem a expressão "Carcas sonne" (lit: "Carcas soa").
Historicamente, a reconquista das terras do Languedoque ocorreu durante o reinado do pai de Carlos Magno, Pepino, o Breve, em meados do , quando Carlos era adolescente, pelo que é pouco provável que tivesse comandado um cerco a Carcassona.
Geografia Localização Carcassona situa-se no sul de França, na região natural conhecida como o Carcassès ou o Carcassonnais, uma planície limitada pela Montanha Negra a norte, o maciço das Corbières a leste, a planície do Lauragais a oeste e o vale do Aude a sul.
Em termos geológicos, planície é constituída por depósitos recentes trazidos pelo Aude e provenientes dos Pirenéus. Esses depósitos são chamados molassa de Carcassona, a qual se carateriza por uma alternância de arenito, conglomerados e margas arenosas fluviais datadas do Eoceno.
A cidade é cruzada por três cursos de água: o rio Aude, o e o canal do Midi.
A comuna é tradicionalmente dividida em duas, a cidade baixa, que ocupa as margens do rio Aude a ocidente, e a cidade alta (ou cité; cidadela), que ocupa a colina debruçada sobre o Aude. A cidadela ocupa uma pequena meseta formada pela erosão do Aude, a cerca de 150 metros de altitude. A cidade baixa situa-se ao nível do Aude, a 100 metros de altitude.
O Aude chega a Carcassona depois do seu périplo montanhoso nas gargantas do vale alto do Aude, no maciço do Carlit (parte dos Pirenéus). À sua passagem pela cidade já é um rio mais calmo, que passa na zona de Païcherou, ao longo do cemitério de Saint-Michel, e depois divide-se em dois braços formando a chamada "ilha do Rei". Há quatro pontes sobre o Aude: a Ponte Garigliano, a Pont-Vieux (Ponte Velha), acessível só a peões, a Pont Neuf (Ponte Nova) e a Pont de l'Avenir (Ponte do Futuro). O canal do Midi passa igualmente na cidade entre a estação ferroviária e o jardim André Chénier, ao lado da bastide Saint-Louis.
Clima A estação meteorológica de Carcassona-Salvaza mede quotidianamente vários parâmetros meteorológicos desde 1948, mas há registos de medições regulares desde 1849, que se devem à colocação de um pluviómetro por iniciativa de Don de Cépian, um engenheiro do departamento.
Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, o clima de Carcassona é do tipo Cfa, subtropical húmido, uma ocorrência invulgar na França metropolitana, onde o clima fora das zonas altas é maioritariamente do tipo Cfb (oceânico ou Csa (mediterrânico).
thumb|left|upright=1.25|Vista parcial da cidade desde a cidadel. A torre ao fundo é da igreja de São Vicente.
O verão é relativamente quente e seco, principalmente em julho; o outono e inverno são amenos, com geadas e gelo relativamente raros. As chuvas repartem-se de forma mais ou menos equitativa entre os meses de outubro e maio. As precipitações mais intensas ocorrem no outono, no mês de outubro, e na primavera, no mês de abril. As chuvas de verão ocorrem geralmente sob a forma de trovoadas, por vezes violentas e com granizo, que são desastrosas para as vinhas abundantes na região. Em média ocorrem anualmente 19 trovoadas e 14 dias de nevoeiro. Neva ocasionalmente, em média sete dias por ano, entre dezembro e março. Durante o inverno de 2009/2010, a neve cobriu o solo durante 15 dias, o que não acontecia há mais de meio século. A 13 de janeiro a espessura da neve atingiu os 40 cm. Há notícias de que no inverno de 1913/1914 a neve teria atingido um metro de altura, mas os registos são incertos.
O recorde de temperatura máxima (41,9°C) foi registado em 13 de agosto de 2003 e o de temperatura mínima (-15,2°C]) ocorreu em 4 de fevereiro de 1963. Durante alguns invernos mais frios, como foi o caso dos de 1956, 1963, 1985 e 2012, o índice de resfriamento pode chegar a baixar aos -20°C ou até -25°C devidos aos ventos fortes de noroeste. A área é muito ventosa, registando-se anualmente em média mais de 117 dias com ventos superiores a 55 km/h. Os ventos dominantes são de leste, marítimos e de oeste, estes chamados de Cers. A insolação é elevada, superior a horas por ano no período 1961—1990.
Entre as ocorrências meteorológicas excecionais destacam-se várias cheias do Aude em 1872, 1875 e 1891. Nestas últimas, as águas subiram oito metros, inundando toda a parte baixa da cidade. Em agosto de 2012 Carcassona foi fustigada por um tornado que provocou grandes estragos, como plátanos quebrados, telhados destruídos, etc.
Demografia
Carcassona é a segunda maior cidade do departamento de Aude a seguir a Narbona ( habitantes). Em contrapartida, a área urbana é a mais populosa, com contra os de Narbona. Com , a comuna de Carcassona é a mais densamente povoada de Aude, a grande distância de Limoux ou Narbona , embora muito inferior a cidades como Toulouse (), Montpellier () ou Perpinhã ().
A evolução demográfica desde o fim do é regular e geralmente crescente, à parte de breves períodos com ligeiros declínios. As diminuições de população na década de 1970 e início da década de 1980 deveram-se a saldos migratórios negativos em benefício de Toulouse e Montpellier, cidades próximas com melhores ofertas de emprego. Um dado demográfico curioso é a percentagem de habitantes de nacionalidade britânica, que aumentou quase 6 vezes, entre 1975 e 1999, passando de 0,042% para 0,24%, ainda assim um número inferior à do departamento de Aude, que é de 0,3%.
Urbanismo Morfologia urbana thumb|O bairro de Trivalle visto desde a cidadela. No canto inferior direito vê-se a igreja de Saint-Gimer.
Os dois bairros mais importantes são a cidadela ou cidade alta e a bastide ou cidade baixa. Ambos são ligados pelo bairro da Trivalle, onde se situa a Ponte Velha que cruza o Aude. A cidadela ergue-se sobre um promontório elevado e é rodeada por espessas muralhas desde a Idade Média. O habitat urbano da cidadela é dense e antigo, e a circulação automóvel é difícil, regulamentada e interdita nos meses de julho e agosto. A cidade baixa é uma antiga bastide com planta regualr em hexágono cujos ângulos são flanqueados por bastiões. As ruas cruzam-se em ângulo reto e organizam-se em volta de uma praça central, a Praça Carnot. Em volta do conjunto da bastide há um boulevard que segue o percurso das antigas muralhas, destruídas em 1764 por ordem do bispo Armand Bazin de Bezons. Ao contrário das ruas da bastide, o boulevard é largo e aberto. Em muitas das ruas da bastide está interdito o trânsito automóvel.
Os outros bairros importantes da cidade são: La Conte et Joliot-Curie, Ozanam et Saint-Saëns, Saint-Georges, le Viguier, Saint-Jacques, la Cité Fleming, Grazailles-la Reille, la Cité la Prade, la Cité Albignac, le Palais, Gambetta, le Plateau, les Capucins, Bellevue e Pasteur. Na comuna há numerosas pequenas localidades rurais , como Montlegun, Montredon, Grèzes, Herminis, Maquens e Villalbe.
Habitação thumb|left|Rua do bairro de Trivalle
Em 2007 Carcassona tinha fogos, a maioria deles construídos antes de 1990 — em 1999 só 8,9% das residências principais (primeira residência) eram posteriores a 1990 e as anteriores a 1949 representavam 29,2% do total. 86,6% das casas eram residências principais, 51,3% individuais e 47,8% apartamentos. 48% dos habitantes eram donos das casas onde residem; 49,8% eram arrendatários e 2,2% tinham alojamento gratuito.
Em 2013 a cidade respeitava as disposições legais vigentes em França sobre solidariedade social e renovação urbana que determinam que nas comunas mais importantes a percentagem de habitação social deve ser pelo menos 20% do total. Em 1999, 9,4% do parque habitacional da cidade estava desocupado. Em 1998 o gabinete de HLM (habitação de renda controlada) do governo do departamento de Aude participava em programas de melhoramento de habitações construindo casas que integravam domótica. Os prédios "l'étoile" e "Roosevelt" de Carcassona foram as primeiras construções HLM desse tipo em França. A maior parte das habitações sociais encontram-se nos bairros do Viguier e de La Conte. Os seus residentes são maioritariamente imigrantes ou descendentes de imigrantes.
A maior parte das residências tinha quatro divisões (62,4%); as de três divisões representavam 18,8%, as de duas 13,5% e os estúdios 5,3%. A cidade tem numerosas residências de dimensões relativamente grandes devido a não haver restrições no espaço imobiliário e à pouca procura por alojamentos de pequena dimensão. A maior parte das casas têm boas infraestruturas, como aquecimento central (89,9%), garagem individual, partilhada (box) ou parque de estacionamento (57,4%).
História A história de Carcassona está intimamente ligada á sua cidadela. Só em 1247 é que a cidade se expandiu de facto para fora da cidadela, com a criação da bastide Saint-Louis, primeiro núcleo da chamada cidade baixa. A sul da cidadela havia cinco castelos-fortaleza — de Termes, d'Aguilar, de Quéribus, de Peyrepertuse e de Puilaurens — conhecidos como os "cinco filhos de Carcassona" que defendiam a passagem do Languedoque contra os espanhóis e cujas ruínas ainda subsistem.
Origens thumb|Machado de pedra polida do Neolítico em nefrita encontrado em Carcassona e atualmente no Museu de Toulouse
O local onde se situa a cidade já era habitado no Neolítico, como é atestado por objetos encontrados, dos quais o mais célebre é um machado de pedra polida em nefrita que pertenceu ao mineralogista Alexis Damour e que se encontra no Museu de Toulouse.
Ali existiu desde cedo um sítio proto-histórico muito ativo situado junto ao rio Átax (o Aude), a que Plínio, o Velho se refere com o nome de "Carcasso dos Volcas Tectósagos". Esse povoado original situava-se no planalto onde passa atualmente a autoestrada A61. Por razões que se desconhecem, no o povoado foi transferido para o local onde se ergue atualmente a cidadela. No fim do o local, povoado por Volcas Tectósagos, era já um ópido com fossos e habitações gaulesas, de que os romanos se apossaram e fortificaram em