A Tomada de Fez (1554) foi uma operação militar ocorrida em 7 de janeiro de 1554, nos arredores de Fez, conduzida pelas forças da Regência de Argel, sob o comando de , contra o exército do Sultanato Sádida, liderado por Maomé Axeique. A ofensiva resultou na tomada da cidade e na restauração temporária de Alboácem Ali ibne Maomé, último sultão do Sultanato Oatácida, como governante de Fez, sob vassalagem ao Império Otomano.
Contexto Desde o final do século XV, o Sultanato Oatácida enfrentava um processo contínuo de enfraquecimento político, marcado pela perda do litoral atlântico para potências ibéricas e pela erosão de sua legitimidade interna. Paralelamente, emergia no sul de Marrocos a dinastia sádida, que passou a disputar o controle do país com base em legitimidade religiosa e capacidade militar.
Em 1549, os sádidas conquistaram Fez, forçando Alboácem Ali ibne Maomé ao exílio. Buscando recuperar o trono, o sultão oatácida reconheceu formalmente a soberania do sultão otomano e obteve apoio da Regência de Argel.
A campanha Em 1553, Salá Reis, paxá de Argel, lançou uma expedição terrestre em direção a Fez, após vitórias contra os sádidas na Batalha de Taza e em confrontos ao longo do rio Sebu.
As forças argelino-otomanas eram compostas por contingentes de mosqueteiros, sipahis e cavaleiros aliados, enquanto Maomé Axeique reuniu um exército numericamente superior para defender Fez, embora menos equipado em artilharia.
A tomada de Fez Após um primeiro confronto próximo a Taza, as forças sádidas recuaram para as proximidades de Fez. Aproveitando-se da superioridade de sua artilharia, Salá Reis lançou um ataque noturno decisivo entre 4 e 5 de janeiro de 1554, culminando no confronto em Cudiate Almaali, subúrbio da cidade.
As tropas da Regência de Argel entraram em Fez na noite de 7 para 8 de janeiro de 1554. Alboácem Ali ibne Maomé foi proclamado sultão de Fez como vassalo do sultão otomano, restaurando temporariamente o governo oatácida na capital.
Consequências A ocupação argelino-otomana de Fez provocou forte instabilidade urbana, marcada por saques, violência contra civis e tensões com a população local. Após cerca de quatro meses, Alboácem Ali ibne Maomé negociou a retirada das tropas estrangeiras.
Sem o apoio otomano, o governo oatácida revelou-se incapaz de resistir à reorganização militar sádida. Em setembro de 1554, Alboácem Ali ibne Maomé foi derrotado e morto na Batalha de Tadla, evento que marcou o fim definitivo do Sultanato Oatácida e consolidou o domínio do Sultanato Sádida sobre Marrocos.
Ver também Batalha de Tadla Sultanato Oatácida Sultanato Sádida
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