Carlos Caires (Lisboa, 1968) é um compositor, investigador e professor português, tendo-se dedicado principalmente à música instrumental e mista.
Biografia Nascimento e formação Nasceu na cidade de Lisboa, em 1968. Frequentou a Escola Superior de Música de Lisboa, onde se diplomou em composição. Ao mesmo tempo, foi aluno em vários cursos de verão de direcção coral e de Orquestra, tanto em território nacional como no estrangeiro. Concluiu am Maîtrise em 1999, o Diplôme d’Études Approfondies, equivalente a um mestrado, em 2000, e o doutoramento em 2006, no Centre de recherche Informatique et Création Musicale, integrado na Universidade de Paris 8, tendo sido aluno de Horacio Vaggione, como bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Carreira Trabalhou como professor na Escola de Música do Conservatório Nacional, entre 1988 e 1991, no Conservatório Regional de Setúbal e desde 1992 na Escola Superior de Música de Lisboa. Nesta última instituição, coordenava em 2018 o Laboratório de Música Mista José Luís Ferreira. Em conjunto com Ricardo Pinheiro e Tiago Neto, também professores daquele estabelecimento de ensino, editou o livro Música, Performance e Contexto: Criação e Investigação Artística, que foi apresentada em 17 de Junho de 2024.
Dirigiu igualmente o coro da Juventude Musical Portuguesa, em conjunto com o maestro Paulo Lourenço, tendo ambos fundado depois o coro Ricercare, o qual dirigiu até 1998. Foi o criador do programa informático de micromontagem sonora IRIN, projecto iniciado durante o seu doutoramento em Paris, e posteriormente no Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes. Em 2001 foi um dos fundadores da formação de música contemporânea OrchestrUtopica. Fez parte do júri no Festival Audiovisual Black & White, em 2006, na 29.ª edição do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, em 2007, e na primeira edição do Prémio de Composição Francisco de Lacerda, em 2022. Segundo a revista musical Da Capo, Carlos Caires «desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de cursos e projetos de tecnologia musical, informática musical e composição assistida por computador em Portugal.»
Como compositor, dedica-se aos instrumentos a solo, grupos de câmara, orquestra média e grande, com uma obra principalmente no campo da Música mista (ou seja, que combina instrumentos acústicos com meios electrónicos. Em 2025, lançou o álbum Os Sons em Volta, publicado pela editora Artway, onde compilou catorze obras criadas entre 2005 e 2022, encomendadas por diversas instituições e conjuntos musicais, como a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, o Coro Ecce, o Drumming GP, a Banda Sinfónica de Alcobaça, e a Orquestra de Sopros da Escola Superior de Música de Lisboa. De acordo com a editora Artway, a sua música distingue-se «pelas surpreendentes construções sonoras baseadas em diálogos criativos entre os instrumentos acústicos e a eletrónica — ou não fosse Carlos Caires um especialista no desenvolvimento de software para música electroacústica e composição assistida por computador». Foi um dos compositores convidados para o programa Novo Livro de São Vicente, organizado pelo Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, no qual foram elaboradas várias peças relacionadas com a liturgia de Sexta-Feira Santa e de Sábado Santo, inspiradas no Livro de São Vicente, uma obra do século XVI com música para as cerimónias litúrgicas da Semana Santa. A obra de Carlos Caires, Impropérios de Sexta-feira Santa, foi apresentada como parte do concerto na Igreja de São Vicente de Fora, em 2024.
As suas composições musicais foram tocadas em vários eventos, tanto na Europa como na Ásia e Estados Unidos, tendo em Portugal feito parte dos festivais 100 Dias/Expo’98, Música Viva em 2003, 2006 e 2008, no Festival d’Estoril 2004, de Leiria e no ciclo Música Portuguesa Hoje-Centro Cultural de Belém, ambos em 2008. Em 2009, a sua composição Crossfade fez parte do programa de um festival de música contemporânea na cidade da Guarda. Durante o Festival Jovens Músicos 2011, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, foi apresentada uma composição de Carlos Caires, encomendada pela estação de rádio Antena 2, e em 2012 foram estreadas peças suas na 18.ª edição do Festival Música Viva, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Em 2013, uma obra sua, inspirada no Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros, foi incluída no ciclo Futurismus, organizado pela Casa da Música, no Porto. No concerto Nova Música para Novos Músicos, organizado na cidade de Aveiro em 2020, foram estreadas várias obras da sua autoria, combinando instrumentos acústicos e electrónica. Em 2023, a sua peça Propagation, de 2022, fez parte do programa do Festival Música Viva. No estrangeiro, as suas obras foram apresentadas no Atlantic Waves Festival 2004, no Reino Unido, Festival de Dresden e no Berliner Festspiele em 2005 e 2008, na Alemanha, e na Semana Internacional de Música Electroacústica de Xangai, em 2009, na China. Em 2004, as suas composições foram incluídas no repertório da pianista Ana Telles durante o Festival Colla Voce - Património e Músicas de Poitiers, em França.
Distinções Ao longo da sua carreira foi por diversas vezes distinguido: em 1995 foi agraciado com o Prémio Joly Braga Santos pela sua obra Al Niente, em 1996 com o Prémio Claudio Carneyro por Wordpainting, e em 1998 com o Prémio ACARTE, em conjunto com João Madureira, por Retábulo-Melodrama.
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