Ernesto Ronchini (Fano, Itália, 4 de novembro de 1863 – Rio de Janeiro, 1931) foi um violinista, maestro, compositor e professor ítalo-brasileiro. Teve atuação destacada na vida musical do Rio de Janeiro entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, sendo professor do Instituto Nacional de Música e regente do concerto inaugural da Orquestra do Instituto Nacional de Música, em 1924, conjunto que deu origem à atual Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (OSUFRJ).
Formação e vinda ao Brasil
Ernesto Ronchini nasceu na cidade de Fano, na Itália, em 4 de novembro de 1863. Estudou violino com Federico Sarti no Liceo Musicale de Bolonha, onde recebeu sólida formação técnica e artística. Transferiu-se para o Brasil em 1888, atuando como violinista spalla da Companhia Lírica Mussella.
Fixou residência no Rio de Janeiro no mesmo ano, integrando-se rapidamente ao meio musical da então capital federal.
Carreira pedagógica e artística
Em 1889, Ronchini foi nomeado professor de violino do Instituto Nacional de Música, instituição central do ensino musical brasileiro no período republicano inicial. Exerceu intensa atividade pedagógica, permanecendo vinculado à instituição por mais de três décadas.
Como intérprete, apresentou-se em diversos concertos no Rio de Janeiro e integrou o Quarteto Tatti, conjunto camerístico organizado por Ricardo Tatti, no qual atuou como violista.
Atuação como regente
Em 1924, durante a gestão de Alfredo Fertin de Vasconcelos, foi criada oficialmente a Orquestra do Instituto Nacional de Música. Em 25 de setembro daquele ano, Ernesto Ronchini regeu o concerto inaugural do conjunto, realizado no Salão Leopoldo Miguez, durante solenidade de entrega de prêmios aos alunos laureados, com a presença do presidente da República Arthur Bernardes.
A orquestra era formada por 33 alunos e o programa incluiu exclusivamente obras para cordas, entre elas composições de Leopoldo Miguez e peças do próprio Ronchini, algumas escritas especialmente para a ocasião.
Obra musical
Como compositor, Ernesto Ronchini escreveu obras para violino solo, violino com acompanhamento de piano, música de câmara, peças orquestrais e obras líricas. Entre suas composições destacam-se:
Obras orquestrais: As Estações, Legenda Mística, Cenas Infantis Poemas sinfônicos: O Grito do Ypiranga, Nero Ópera: Dhalma Obras para cordas: Serenata giocosa, Ária Romântica, Serenata Pizzicato, Recordação, Romanza, Berceuse, Gavotta, Minuetto
Diversas dessas obras foram executadas pela Orquestra do Instituto Nacional de Música, especialmente no concerto inaugural de 1924, sob sua regência.
Falecimento e legado
Ernesto Ronchini faleceu em 1931, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Seu legado permanece associado à consolidação do ensino musical acadêmico no Brasil e à história da mais antiga orquestra sinfônica universitária do Rio de Janeiro.
O 162.º aniversário de seu nascimento foi lembrado em 4 de novembro de 2025, reforçando sua relevância histórica no panorama da música de concerto brasileira.
Áudio
Referências Orquestra Sinfônica da UFRJ. «Ernesto Ronchini». Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disponível em: https://orquestra.ufrj.br/
Escola de Música da UFRJ. «OSUFRJ comemora centenário em concerto no Rio». Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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