thumb|300px|Sub-regiões do Nordeste: 1 • Meio-norte, 2 • Sertão, 3 • Agreste e 4 • Zona da Mata

O Meio-Norte é uma das quatro sub-regiões da Região Nordeste do Brasil, englobando o território do Maranhão e a metade oeste do Piauí. Encontram-se aqui duas das nove capitais da região, Teresina e São Luís, e outras importantes cidades no interior como Imperatriz, Timon, Caxias, Açailândia e Balsas no Maranhão, além de Parnaíba, no Piauí.

Latitudinalmente o Meio-Norte pode ser subdividido em setentrional e meridional, e longitudinalmente em leste e centro-oeste, sendo o leste ocupado pelo Piauí ocidental, e o centro-oeste pelo estado maranhense.

História miniaturadaimagem|Palácio dos Leões em São Luís, edifício-sede do governo estadual, construído no núcleo onde a cidade foi fundada pelos franceses miniaturadaimagem|O Centro Histórico de São Luís foi construído durante a expansão econômica provocada pela exportação de algodão

Os primeiros habitantes da região faziam parte de dois grupos indígenas: os tupis e os jês. Os tupis habitavam o litoral e os jês, o interior.

A primeira tentativa de colonização portuguesa no Maranhão se deu em 1536, quando portugueses se estabeleceram na Ilha de São Luís e fundaram uma povoação chamada Nazaré. Esse primeiro intento fracassou, devido à falta de conhecimento da terra, hostilidade dos indígenas e isolamento. O abandono português do Maranhão permitiu com que os franceses ali estabelecessem a colônia da França Equinocial em 1612, com a fundação de São Luís.

Em 1615, com a expulsão dos franceses, a região do Maranhão foi definitivamente incorporada aos domínios portugueses na América. Devido à dificuldade de comunicação do Maranhão com o resto da América Portuguesa, em 1621 foi criado o Estado do Maranhão, separado do Estado do Brasil.

No século XVII, o povoamento do Maranhão ficou restrito à região do Golfão Maranhense, sobretudo à Ilha de São Luís, e a economia local era dependente do trabalho do índio, pois os maranhenses ainda não tinham condição de comprar africanos escravizados.

O Piauí foi colonizado por meio da pecuária, do interior para o litoral, a partir da segunda metade do século XVII, com a chegada de vaqueiros vindos das margens baianas do Rio São Francisco, no contexto da expansão da pecuária. A pecuária piauiense também foi para o lado maranhense do Rio Parnaíba, povoando o sudeste do Maranhão, onde foi fundada Pastos Bons.

No século XVIII, a economia do Maranhão foi baseada no cultivo da cana-de-açúcar, arroz e algodão, com o uso da mão-de-obra africana escravizada. Nessa época, a colonização do Maranhão foi para o interior, seguindo o curso dos rios que desembocam no Golfão Maranhense.

Em 1758, foi criada a Capitania do Piauí, desmembrada da do Maranhão, sediada na Vila da Mocha, renomeada anos depois para Oeiras. Em 1852, Teresina se tornou a capital piauiense.

Com a Revolução Americana, o cultivo de algodão no Maranhão passou a ter ainda mais destaque.

Piauí e Maranhão só se separaram de Portugal, unindo-se ao Brasil, em 1823, ano seguinte à Independência, destacando-se a Batalha do Jenipapo, em Campo Maior (PI).

Após o fim da Guerra Civil dos Estados Unidos, quando perdeu espaço na exportação de algodão, a economia maranhense entrou em colapso; somente após o final da década de 1960 que o estado passou a receber incentivos e saiu do isolamento, com ligações férreas e rodoviárias com outras regiões.

Nas primeiras décadas do século XX, a economia maranhense e piauiense passou a ser baseada na extração de carnaúba e babaçu, o que trouxe para ambos os estados migrantes vindos do Pará e dos interiores do Ceará, Pernambuco e Bahia.

Mais recentemente, destaca-se o avanço do agronegócio na região conhecida como MATOPIBA.

Geografia O Meio-Norte é uma faixa de transição entre a Amazônia e o Nordeste. Uma de suas formações vegetais (além da Amazônia e do Cerrado) é conhecida como Mata dos Cocais, em razão da grande quantidade das palmeiras de babaçu e carnaúba encontradas na região. A Mata dos Cocais é uma área de contato e transição entre a Caatinga, o Cerrado e a Floresta Tropical.

Relevo miniaturadaimagem|esquerda|Lençóis Maranhenses O Meio Norte é localizado em uma estrutura rochosa formada pela Bacia Sedimentar do Parnaíba, possuindo diversas formas de relevo. Na bacia do Parnaíba, foi descoberto gás natural, utilizado no Complexo Termelétrico Parnaíba, localizado em Santo Antônio dos Lopes (MA).

Há uma extensa planície no norte maranhense, correspondendo aos terrenos com amplitudes altimétricas inferiores a 200 m, que penetram para o interior, acompanhando os vales dos rios, formando planícies aluviais (Mearim, Itapecuru e Parnaíba). No litoral leste do Maranhão encontra-se o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, e na divisa com o Piauí, o Delta do Parnaíba, importantes atrações turísticas.

O litoral do Maranhão tem aproximadamente 640 km, sendo o segundo mais extenso do Brasil, superado apenas pelo da Bahia. A faixa litorânea do Maranhão pode ser dividida em Litoral Ocidental, Golfão Maranhense e Litoral Oriental.

No litoral Ocidental, os cursos fluviais como o Turiaçu, o Gurupi, o Maracaçumé e o Tromaí (nos quais a maré enchente penetra vários quilômetros para o interior) deram origem a extensas superfícies aluviais, recortadas por um grande conjunto de baías conectadas por canais divagantes e furos que delimitam exuberantes manguezais, intercalados por ilhas, cordões litorâneos, lagoas, vasas e praias cuja largura, muitas vezes, supera 1 km. A área de Preservação Ambiental das Reentrâncias Maranhenses se localiza nessa região.

O Golfão Maranhense possui características comuns ao Litoral Ocidental e ao Litoral Oriental. A proximidade do Equador e a configuração do relevo favorecem a amplitude das marés, que alcançam até 7,2 m, e penetram os leitos dos rios causando influências até cerca de 150 km do litoral. É onde fica a ilha de Upaon-Açu (São Luís). Aproveitando-se da profundidade natural, foram construídos o Porto de Itaqui e o porto de Ponta da Madeira.

No litoral Oriental, a costa de dunas e restingas é formada por superfícies exclusivamente arenosas com ausência de cobertura vegetal ou com cobertura vegetal parcial, com dunas móveis e fixas intercalas por lagoas de origem pluvial, contendo água doce. Nessa região, localizam-se o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Delta do Parnaíba, importantes destinos turísticos.

A Baixada Maranhense, no entorno do Golfão, tem relevo plano a suavemente ondulado contendo extensas áreas rebaixadas que são alagadas durante o período chuvoso, formando extensos lagos interligados, associados aos baixos cursos dos rios Mearim, Grajaú, Pindaré e Pericumã.

O planalto abrange as áreas mais elevadas do centro-sul do Estado, com altitudes entre 200 e 800 metros. Destaca-se. nessa região o Parque Nacional da Chapada das Mesas.

O planalto maranhense abrange as áreas mais elevadas do centro-sul do estado, com altitudes entre 200 e 800 metros. Subdivide-se nas seguintes unidades geomorfológicas: Pediplano Central (área norte, com 686 m;  destacando-se as Serras de Cinta, Negra, Branca, Alpercatas e Itapecuru), Planalto Oriental (Serra do Valentim), Planalto Ocidental (serras do Gurupi, Tiracambu e Desordem), Depressão do Balsas (com cotas máximas alcançando os 350 m) e Planalto Meridional.

Ao longo das divisas com o Ceará, Pernambuco e Bahia, nas chapadas de Ibiapaba e do Araripe, a leste, e da Tabatinga e Mangabeiras, ao sul, encontram-se as maiores altitudes da região, situadas em torno de novecentos metros de altitude. Entre essas zonas elevadas e o curso dos rios que permeiam o estado, como, por exemplo, o Gurgueia, o Fidalgo, o Uruçuí Preto e o Parnaíba, encontram-se formações tabulares, contornadas por escarpas íngremes, resultantes da áreas erosivas das águas.

Levando em consideração a extensão territorial do Maranhão e observando o mapa de solos do Brasil é possível perceber a variedade de solos desse estado. Por sua posição geográfica, predominam solos tropicais. Pelo predomínio de rochas sedimentares, são grandes as extensões cobertas por latossolos (solos ácidos, na bacia do Tocantins e do Itapecuru), argissolos (médio Mearim e vale do Itapecuru), plintosolos (Leste e Baixada Maranhense), neossolos (Rio Mearim), entre outros.

Nota-se também, em razão do intemperismo e remobilização de óxidos e hidróxidos de alumínio, ferro e manganês, solos de perfil laterítico, como entre os rios Gurupi, Pindaré, Buriticupu, Zutiua e Grajaú.

Clima Essa região tem diferenças de clima, podendo ser observados três tipos: Equatorial, Tropical semiúmido e Tropical semiárido. Equatorial:, ocorrendo no extremo oeste, sendo quente e chuvoso, regido pelo deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e pela Massa Equatorial Continental (mEc), ambas com marcante atuação no outono e inverno. Registra-se curto período seco de inverno e parte da primavera, variando de dois a três meses. A pluviosidade gira em torno de 2.000 a 2.500 mm ao ano. Tropical semiúmido: na região central, apresenta um período seco entre cinco a seis meses, entre o inverno e a primavera, em razão de uma influência menos expressiva das massas de ar citadas. O regime pluviométrico é de 1.000 a 1.200 mm ao ano. Tropical semiárido: é o clima mais seco, ocorrendo no estado do Piauí com precipitação entre 500 a 1000 milímetros.

Hidrografia miniaturadaimagem|esquerda|Rio Parnaíba esquerda|miniaturadaimagem|Delta do Parnaíba

O rio Parnaíba, que forma a Região Hidrográfica do Parnaíba, possui área de 331.441,5 km², sendo a maior bacia hidrográfica da região, ocupando áreas dos estados do Piauí (99%), Maranhão (19%) e do Ceará (10%). Seus principais afluentes são os rios Poti, Gurgueia, Canindé, Uruçuí-Preto, Longá, das Balsas, Igaraçu.

O Maranhão ocupa 62.936,6 km² da bacia, e os municípios inseridos nela são os seguintes: Parnarama, Matões, Timon, Caxias, Coelho Neto, Duque Bacelar e Lagoa do Mato.

Na margem piauiense, o rio banha as cidades de Floriano, Buriti dos Lopes e a capital do estado, Teresina, dentre outras, e deságua na cidade de Parnaíba, onde forma o Delta das Américas.

O Bacia Hidrográfica do rio Mearim ocupa 99.58 km² (29,84% da território do Maranhão), nascendo na serra da Menina e desaguando na Baía de São Marcos, com um percurso de 930 km de extensão. Seus principais afluentes são os rio Pindaré e o rio Grajaú. Em sua foz, ocorre o fenômeno da Pororoca.

A bacia do Itapecuru, com área de 52.972 km², corresponde a 16% do estado do Maranhão. O rio Itapecuru tem seu regime fluvial tropical com variações regionais provocadas pela regime de chuvas. Na parte média e baixa, onde estão situados os municípios do Território dos Cocais, verifica-se maior regularidade das chuvas, caracterizando um regime mais torrencial. Esse rio é responsável pelo abastecimento de 65% da população da cidade de São Luís, através do sistema Italuís. Os municípios dos Cocais inseridos na bacia são os seguintes: Aldeias Altas, Caxias, Codó, Coroatá, Timbiras, São João do Sóter, Fortuna, Buriti Bravo e Lagoa do Mato.

A Bacia Hidrográfica do rio Tocantins ocupa uma área de 30.665,15 km² no Maranhão, representando cerca de 9,24% da área total do Estado, banhando a cidade de Imperatriz. O rios Tocantins ocupa a região do cerrado maranhense e junto ao seu afluente rio Manuel Alves Grande, forma a divisa com o estado do Tocantins, além de formar o acúmulo do aquífero Tocantins-Araguaia.

A bacia do Munim, com 15.918,04 km², correspondendo a 4,79% da área do estado, também integra a Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental, banha a mesorregião do Leste Maranhense e nela estão contidos os municípios: Afonso Cunha, Coelho Neto, Aldeias Altas, Duque Bacelar e Caxias.