Cândido Augusto Correia de Pinho (Fornos, 9 de maio de 1853 – Foz do Douro, 14 de fevereiro de 1919) foi um médico e professor universitário português. Destacou-se no ensino e na prática da obstetrícia no Porto, tendo exercido cargos de relevo na Universidade do Porto, nomeadamente como diretor da Faculdade de Medicina, vice-reitor e reitor, bem como funções autárquicas como presidente da Câmara Municipal do Porto no período final da monarquia constitucional.

Primeiros anos e formação Cândido de Pinho nasceu na Casa da Quintã, em Fornos, no concelho de Santa Maria da Feira. Era filho de Francisco Correia de Pinho e de Margarida Augusta Correia , pertencendo a uma família com tradição jurídica. Entre os seus irmãos destacou-se Abel Augusto Correia de Pinho, que viria a exercer funções como presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Frequentou a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde concluiu o curso de Medicina em 1877. Defendeu a dissertação O princípio da hereditariedade Pinho, Cândido O princípio da hereditariedade. Dissertação inaugural para acto grande. Pôrto, Tip. de António José da Silva, 1877, 79 pág., tendo sido aprovado com distinção e louvor, classificação raramente atribuída pela instituição à época.

Carreira académica

Docência e ensino da obstetrícia

Após um breve período de exercício clínico, apresentou-se em 1880 a concurso para lente demonstrador da secção cirúrgica da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, com a dissertação: As localizações cerebrais e a topografia cérebro-craniana sob as indicações do trépano Pinho, Cândido, As localizações cerebrais e a topografia cérebro-craniana sob o ponto de vista das indicações do trépano. Dissertação inaugural de concurso para a secção cirúrgica. Porto, Imprensa Comercial, 1880, 80 pág.. Foi provido no lugar, por decreto de 27 de abril de 1880, e tomou posse a 14 de maio. A outra vaga a concurso foi atribuída a Ricardo Jorge.

Ao longo da carreira académica foi progredindo na hierarquia docente, passando em 1896 a reger a cadeira de Obstetrícia Nomeado por decreto de 16 de abril de 1896, área em que desenvolveu uma atividade docente continuada e de grande impacto no ensino médico do Porto. Sobre o seu desempenho, Maximiano Lemos referiu: *«… direi que ele foi o mais ilustre dos professores que ocuparam aquela cadeira na antiga Escola Médico-Cirúrgica do Porto desde que ela foi criada»*.

Entre os seus discípulos contam-se Maria Leite Paes Moreira, uma das primeiras mulheres a concluir o curso de Medicina no Porto, e Abel Salazar, médico, investigador e artista de projeção internacional.

Atividade clínica e cirúrgica Cândido de Pinho teve uma atuação relevante no Hospital Geral de Santo António, onde contribuiu, segundo Alberto Saavedra, *«… para a reorganização da enfermaria 12 de Partos e para a afirmação da obstetrícia moderna naquela instituição»*.

Destacou-se por ter sido o primeiro médico a aplicar raquianestesia em partos na cidade do Porto, em 1901, e por figurar entre os primeiros médicos a obter sucesso na realização de cesarianas na cidade do Porto.

Atividade científica e intelectual Para além da obstetrícia, dedicou-se ao estudo das funções cerebrais, da psicologia e do inconsciente. Em 1882, fundou, com Ricardo Jorge e Miguel Artur Santos, a *Revista Scientífica*, onde publicou trabalhos no domínio da psicologia médica, nomeadamente o artigo *«As representações de motricidade no processo mental»*. Inseriu-se nas correntes positivistas e naturalistas do final do século XIX, tendo colaborado na revista *O Positivismo*.

Exerceu ainda intensa atividade associativa, tendo sido presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Porto, membro do Conselho Médico-Legal, sócio correspondente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, presidente da XIII secção - Obstetrícia e Ginecologia- no XV Congresso Internacional de Medicina, presidente do núcleo do Porto da Liga Nacional contra a Tuberculose, presidindo ao respetivo congresso nacional em 1907.

Cargos universitários Exerceu diversos cargos na Universidade do Porto: Diretor da Faculdade de Medicina (1913–1917) decreto de 15 de novembro de 1913 Vice-reitor da Universidade do Porto (1913–1917) Reitor da Universidade do Porto (1918–1919), por nomeação governamental decreto de 23 de dezembro de 1917

Participou, como relator, na comissão de reforma do ensino médico no Porto, no ano de 1881 . Em 1911 integrou a comissão para propor ao Governo a anexação das clínicas dos hospitais do Porto à respetiva Faculdade de Medicina e um plano geral de organização da assistência médica na cidade.

Atividade política Desde cedo, Cândido de Pinho teve uma participação política ativa. Integrou a lista de candidatos à Junta Geral do Distrito do Porto, em 1883.

Entre maio de 1908 e setembro de 1910 exerceu funções como presidente interino da Câmara do Porto. Durante o seu mandato, segundo Helder Pacheco: *«(...) a Câmara impulsionaria a obra, longamente ansiada, de saneamento do Burgo»*.

No âmbito das comemorações da Guerra Peninsular, a 18 de junho de 1908, proferiu um discurso histórico-patriótico na Câmara Municipal do Porto.

Foi distinguido, a 22 de abril de 1909, com a Comenda da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Após a implantação da República Portuguesa, manteve-se em funções como vereador durante o período de transição política.

Vida pessoal Casou em 1895 com Maria Joaquina Guimarães Pestana da Silva, com quem teve quatro filhos. O casal residiu na Foz do Douro, no Porto.

A saúde de Cândido de Pinho deteriorou-se progressivamente na década de 1910. Faleceu na sua residência da Foz do Douro, a 14 de fevereiro de 1919, sendo sepultado no cemitério de Fornos, sua terra natal.

Legado e reconhecimento

Cândido de Pinho é recordado pelo seu impacto no ensino médico portuense, particularmente na obstetrícia moderna. A Universidade do Porto prestou-lhe homenagem com discursos de Maximiano Lemos, em 29 de fevereiro de 1919, e de Morais Frias, em 6 de novembro de 1920. A Faculdade de Medicina instituiu o *Prémio Dr. Cândido de Pinho*, concedido ao aluno mais distinto com 18 ou mais valores em Clínica Obstétrica e Ginecológica.

O seu nome foi atribuído a uma rua da então Vila da Feira, em homenagem municipal ao seu percurso académico, científico e cívico.

Bibliografia Santos, Cândido Dias, Cândido Augusto Correia de Pinho. Santa Maria da Feira: LAF-Liga dos Amigos da Feira, Villa da Feira, ano VIII-nº 24, pp.11-16, 2010 Pinho, José Alves de, Fornos, o “regaço” do Prof. Dr. Cândido de Pinho, Santa Maria da Feira: LAF-Liga dos Amigos da Feira, Villa da Feira, ano VIII-nº 24, pp.17-33, 2010 Pinho, Cândido Augusto Correia, A guerra Peninsular, Santa Maria da Feira: LAF-Liga dos Amigos da Feira, Villa da Feira, ano VIII-nº 24, pp.35-41, 2010 Lemos, Maximiano, História do ensino médico no Porto, 1925 Saavedra, Alberto, Subsídios para a história da Obstetrícia no Porto, Porto: Tip. da Enciclopédia Portuguesa, 1926, 24 p.

Ligações externas

Categoria:Médicos de Portugal Categoria:Obstetras Categoria:Professores da Universidade do Porto Categoria:Reitores da Universidade do Porto Categoria:Presidentes da Câmara Municipal do Porto Categoria:Naturais de Santa Maria da Feira Categoria:Nascidos em 1853 Categoria:Mortos em 1919