A discriminação habitacional, também conhecida por discriminação da habitação ou discriminação pela habitação, refere-se aos padrões de discriminação que afetam a capacidade de uma pessoa arrendar (locar) ou comprar uma habitação. Este tratamento desigual de uma pessoa no setor habitacional pode ser baseado em características de grupo ou pelo local onde a pessoa vive.

A forma mais direta de discriminação na habitação envolve um proprietário ou um banco que rejeita ofertas ou a concessão de crédito bancário a potenciais inquilinos ou compradores com base em fatores como a idade, a raça, o género, o estado civil, a fonte de rendimento e outros. O proprietário ou o banco podem praticar a discriminação de forma explícita ou implícita. A discriminação da habitação também pode ocorrer entre inquilinos ou compradores já registados, que podem sofrer um tratamento desvantajoso em comparação com outros potenciais inquilinos ou compradores pelos mesmos motivos. A discriminação na habitação leva à desigualdade habitacional e à segregação etária e racial, o que, por sua vez, pode agravar as disparidades de riqueza entre determinados grupos de pessoas.

Tipos Os sociólogos Vincent J. Roscigno, Diana L. Karafin e Griff Tester determinaram que a variedade de ações que constituem discriminação habitacional pode ser classificada como excludente ou não excludente.

Discriminação excludente As práticas de discriminação excludente referem-se a práticas que procuram impedir que determinados indivíduos ou famílias obtenham habitação, com base em fatores de discriminação. Isto inclui recusas explícitas (que também podem incluir assédio e abuso verbal), pedidos proativos contra pessoas mais velhas ou de minorias específicas em anúncios, bem como táticas implícitas, como mentir sobre os padrões de qualificação para a habitação a fim de desqualificar certos indivíduos, financiamento bancário injusto ou qualificações ou termos de empréstimo bancários injustos para pessoas mais velhas, direcionamento ou restrição das escolhas de pessoas que procuram habitação e recusa em fornecer seguro de vida a pessoas mais velhas, o que impediria o indivíduo ou a família de adquirir uma habitação. Os grupos de defesa do consumidor realizaram estudos e descobriram que muitos mutuários mais idosos ou de minorias que eram elegíveis para empréstimos tradicionais acessíveis eram frequentemente direcionados para empréstimos subprime incrivelmente caros que nunca conseguiriam pagar.

A maioria dos agentes discriminatórios na discriminação excludente são senhorios (proprietários), uma vez que têm poder posicional e acesso direto ao indivíduo ou família e à habitação procurada, sendo que outros agentes ou instituições discriminantes responsáveis ​​pela exclusão incluem agentes imobiliários e instituições imobiliárias, agentes de seguros, agentes bancários e intermediários de crédito.

Discriminação não excludente As práticas de discriminação não excludente referem-se a "ações e práticas que ocorrem no âmbito de um acordo de habitação já estabelecido, geralmente envolvendo assédio etário, racial, tratamento diferenciado dos potenciais inquilinos e compradores ou aplicação desigual dos termos e condições contratuais de residência". Os indivíduos e as famílias já alojados sofrem intimidação contínua, tratamento diferenciado e assédio, e a discriminação não excludente resulta frequentemente em sofrimento para as vítimas, uma vez que estas estão muitas vezes legalmente vinculadas à habitação e geralmente têm contacto direto com o agressor regularmente. Os proprietários e os senhorios ainda são responsáveis ​​pela maior parte deste tipo de discriminação habitacional, mas os vizinhos e as instituições bancárias e de crédito têm cada vez maior peso neste tipo de discriminação. Por exemplo, mesmo sem poder institucionalizado de exclusão, os vizinhos habitacionais podem assediar e intimidar os outros vizinhos.

A maioria dos casos de discriminação não excludente envolve a aplicação de termos e condições discriminatórios dentro do ambiente habitacional atual da vítima. A maioria destes casos envolve termos, condições e privilégios relacionados com uma situação em vigor. Estes casos são frequentemente vistos como aumentos injustos das rendas ou preços a um grupo selecionado ou a concessão de privilégios a certos potenciais inquilinos ou compradores Muitos casos de discriminação não excludente envolvem a falha em fornecer acesso igualitário a serviços e instalações, como atrasar propositadamente ou simplesmente ignorar a reparação de um cano partido. Outros casos de termos e condições envolvem dificultar o financiamento, os empréstimos e propor avaliações usurárias e discriminatórias da propriedade do indivíduo ou da família, factos que configuram crimes de usura e agiotagem em que o agente discriminatório se aproveita financeiramente da vítima, com intenção de alcançar um benefício patrimonial, para si ou para outra pessoa, explorando situação de necessidade, anomalia psíquica, incapacidade, inépcia, inexperiência ou fraqueza de carácter do devedor, ou relação de dependência deste, fazendo com que ele se obrigue a conceder ou prometa, sob qualquer forma, a seu favor ou a favor de outra pessoa, vantagem pecuniária que for, segundo as circunstancias do caso, manifestamente desproporcionada com a contraprestação.

Outras formas de discriminação não excludente incluem o uso de assédio, intimidação e coação contra as vítimas. Isto inclui insultos e ameaças de violência, que criam um ambiente desconfortável para as vítimas. Estas formas podem causar ansiedade e stress excessivos para o indivíduo ou família afetada. Se um indivíduo em posição de autoridade, como um proprietário, for responsável pela discriminação não excludente, a vítima fica com uma sensação de impotência e incapacidade de obter ajuda.

Discriminação de idade Em muitos países, a discriminação estrutural na habitação desfavorece as pessoas mais velhas e favorece as mais novas. Isto é tipicamente estudado através de inquéritos por correspondência, nos quais são enviadas candidaturas fictícias a proprietários e agentes imobiliários. O investigador pode então manipular a idade do candidato para alterar a idade ou a etnia, mantendo tudo o resto idêntico. Em 2018, uma meta-análise de 25 inquéritos por correspondência em 15 países da OCDE (totalizando mais de 110.000 cartas) descobriu que as pessoas mais novas têm 30% mais probabilidades de serem escolhidas do que as pessoas mais velhas, mantendo-se todas as outras variáveis ​​iguais. Existe uma interação entre o idadismo e o racismo, pelo que a discriminação etária é mais forte contra as pessoas mais velhas e de minorias étnicas. Consistentemente, as pessoas mais velhas constituem a grande maioria das pessoas sem-abrigo.

Por país

Canadá Em Ontário, no Canadá, a discriminação na habitação é abordada pelo Código de Direitos Humanos de Ontário.

Estados Unidos Nos Estados Unidos, o Gabinete de Habitação Justa e Igualdade de Oportunidades é responsável pela aplicação das leis de habitação justa, com base na Lei de Habitação Justa de 1968.

Um estudo conduzido pelo Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA (HUD) constatou que "a maior parte da discriminação contra os candidatos a habitação hispânicos e afro-americanos pode ainda ser atribuída ao facto de lhes ser dito que as unidades não estão disponíveis quando estão disponíveis para brancos não hispânicos e de lhes serem mostradas e informadas menos unidades do que a um indivíduo não pertencente a uma minoria em situação semelhante".

Turquia Na Turquia, a Instituição de Direitos Humanos e Igualdade é responsável pela aplicação das leis de habitação justa, com base na lei com o mesmo nome da instituição, publicada em abril de 2016.

Ver também

Direito à habitação Empréstimos subprime Habitação subsidiada Habitação acessível Habitação Domicílio Lar Crise da habitação Bolha habitacional Especulação imobiliária Bolha imobiliária Discriminação Idadismo Racismo Usura Agiotagem Igualdade social Coesão social Integração social Discriminação positiva Gueto Desigualdade social

Leituras adicionais Richard R.W. Brooks and Carol M. Rose, Saving the Neighborhood: Racially Restrictive Covenants, Law, and Social Norms. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2013.

Ligações externas

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