O determinismo arquitetónico (também referido às vezes como determinismo ambiental, embora este termo tenha um significado mais amplo) é uma teoria empregada no urbanismo, sociologia e psicologia ambiental que afirma ser o ambiente construído o principal ou até o único determinante do comportamento social. A. S. Baum define a noção desta forma: "Na sua forma mais extrema, esta posição argumenta que o ambiente causa certos comportamentos, negando qualquer interação entre ambiente e comportamento. O determinismo arquitetónico propõe a ideia de que as pessoas se podem adaptar a qualquer arranjo de espaço e que o comportamento num dado ambiente é causado inteiramente pelas características do ambiente."Corsini Encyclopedia of Psychology and Behavioural Science, artigo sobre "Environmental Psychology", p. 510

As origens do conceito podem ser rastreadas no Panóptico de Jeremy Bentham e na bienfaisance do Iluminismo, conforme expressa na reforma institucional de prisões e hospitais. No entanto, a noção só ganhou aceitação geral e aplicabilidade universal com o surgimento do behaviorismo, do funcionalismo e do programa social utópico do movimento arquitetónico Modernista. O termo foi cunhado pela primeira vez por Maurice Broady no seu artigo de 1966, Social theory in Architectural DesignArena:The Architectural Association Journal, Vol.81, No. 898, 1966, p. 149–154, que também criticou duramente a natureza autoritária desta crença.

Embora muitos arquitetos tenham defendido a visão de que a arquitetura pode determinar o comportamento e os resultados, tais como Le Corbusier, Frank Lloyd Wright e Leon Battista Alberti, poucos arquitetos perfilharam a visão de que o design pode controlar o comportamento; contudo, há muito que tem sido uma suposição entre urbanistas e arquitetos que a arquitetura pode limitar e canalizar o comportamento de maneira previsível. Le Corbusier foi um grande apologista da teoria, acreditando que o design era indubitavelmente a causa primordial do comportamento, e declarou que soluções arquitetónicas tomadas através do design tinham o poder de controlar o comportamento humano de forma previsível e positiva. No seu livro 'Vers une architecture' (1923), Le Corbusier fala sobre esta ideia afirmando: "Todos os homens têm o mesmo organismo, as mesmas funções. Todos os homens têm as mesmas necessidades... Proponho um único edifício para todas as nações e todos os climas..."

Esta visão positivista mais fraca foi articulada por Adolf Behne quando afirmou: "pode-se matar um homem com um edifício tão facilmente como com um machado."citado em Sources of Architectural Form, Mark Gelernter, p. 251. A crença determinista foi um fator contribuinte na eventual erradicação de inúmeros complexos habitacionais públicos do mundo industrializado pós-guerra; por exemplo, a demolição do projeto habitacional Pruitt–Igoe em St. Louis, Missouri, que pretendia ser um complexo seguro e idealista, mas tornou-se um centro de criminalidade e vandalismo desenfreados. (Para trabalhos sociológicos e investigações focadas em renovação urbana, veja Herbert J. Gans).

Apesar de ser uma teoria amplamente difundida, embora nem sempre articulada, a premissa não foi sustentada pela investigação social; por exemplo, os estudos que levaram à cunhagem do "Efeito Hawthorne", originalmente conduzidos na Central Elétrica Hawthorne em Cicero, Illinois e posteriormente continuados por Elton Mayo na Universidade de Harvard, não encontraram correlação direta entre o ambiente de trabalho e a produtividade, embora o estudo tenha sido considerado sem controlo e metodologicamente pobre. A ideia tem sido contestada com críticas que explicam que o design influencia o comportamento humano, mas não o pode determinar, pois os humanos são imprevisíveis por uma variedade de razões, incluindo a complexidade dos fatores sociais, a agência humana e o livre-arbítrio, e o uso imprevisível dos ambientes construídos em oposição a uma visão determinista rígida — tal como a forma como um edifício ou ambiente é usado durante uma emergência. A hipótese determinista como explicação da conduta social é agora mais frequentemente referida na literatura como desacreditada, mas ainda é encontrada como argumento para a renovação urbana.veja

Categoria:Determinismo Categoria:Teoria da arquitetura